domingo, 16 de abril de 2017

ANTOLOGIA VIRTUAL DE ABRIL 2017 - PORTAL CEN - "CÁ ESTAMOS NÓS"



XXII EDIÇÃO - TEMA LIVRE

Realização Portal CEN - "Cá Estamos Nós"

Organização: Maria Beatriz Silva
(Assessora do Intercâmbio Cultural CEN - Brasil/Portugal)
Idealizador: Carlos Leite Ribeiro
(Presidente do Portal CEN – Portugal)

Parceiro: CCMB (Centro Cultural Maria Beatriz) de Laje do Muriaé (RJ) – Brasil


O Portal CEN – “Cá Estamos Nós” e o Centro Cultural Maria Beatriz, agradecem a participação dos autores e colaboradores.


 Desejamos a todos uma FELIZ PÁSCOA!





“Um escritor ou um Artesão que não tenha seu trabalho bem divulgado, poderá ser um diamante que se perde.”



FELIZ PÁSCOA!
Que o amor e a paz infinita de Deus
Estejam presentes em nossos corações
Que possamos refletir profundamente
Preparando-nos para um novo recomeçar.

Maria Beatriz (Flor de Esperança).
 

Em vídeo:
Trovas I e II - Autora Maria Beatriz Silva ( Flor de Esperança)
Edição Rosangela Oliveira
Música Conquest Of Paradise (Vangelis)

AGUINALDO LOYO BECHELI 
LÁGRIMA CONTENTE
Tinha cara de Valdomiro e se chamava Valdomiro. Eu o tratava por Mirinho, nosso canário amarelo-olivácea. Ainda menino, papai incumbiu-me de tratar dele. Alpiste, água, limpar a gaiola. Mirinho logo pegou intimidade. Vinha no meu dedo. Aninhei-me com ele. Mas encuquei: como pode um preso cantar?  Afinal, a alma do pássaro é o vôo. Cantar preso seria prece? Como pode ser canoro na escravidão? Que inocência é essa? O covarde que aprisiona não merece.  E resolvi esquecer a gaiola aberta. De “pena”.

Meu pai não ralhou. Apenas aconselhou a deixar a porta aberta. Mirinho já não era jovem, não saberia buscar comida. Com efeito,  planava perambulando pelas árvores do quintal e parapeito das janelas. Quem sabe, do nada, tudo: uma companheirinha. Voltava para se alimentar e conferir os poleiros. Ah, éh! Dormia na gaiola. Virou ninho. Agora, pássaro livre, com teto. E não perdeu a coragem de ruflar as asas, voar, desfrutar da leveza ao sentir a brisa, embora em tardia aleluia.

Dei uma vassourada no rabo do Manolo, o gato, lasquei bronca de estivador. Bastou. Numa mais correu atrás do Mirinho, que em comemoração caprichou num trinado de soprano ligeiro. Deboche!

Ao flanar pelos telhados, Mirinho observou não ser o único confinado. É ver: o vizinho tinha a liberdade do leão, podia fazer o que queria, desde que não saísse de dentro da jaula. O cachorro passeava na coleira. O motorista dirigia com as portas travadas, vidros pretos, cerrados. A maioria angustiada, presa ao tempo para não chegar atrasada. E o apito da fábrica, apenas em intervalos, liberta um montão de angustiados. Eu mesmo, nesta reminiscência, sinto no peito um pássaro enclausurado que quer voar.

Numa tardinha, ouvi pios que não eram gorjeios. Na gaiola não estava. Achei-o postado no gramado com o biquinho caído. Seu olhar nunca foi arguto apesar de luzidio, mas o quadro ali visto mostrava olhos embaciados.  Disperso, parecia desistir. Levei-o pra gaiola, cobri com um pano. Estava esfriando.

Enterrei-o embaixo da goiabeira.

De manhãzinha eu sempre dava uma espiada na gaiola. De porta aberta.  Quem sabe, uma sombra voante!


Aguinaldo Loyo Becheli 
 
AGAMENON ALMEIDA
  
A LOUCA

Porque isso acontece?
Que lampejos te cala
Pra arrancar tua fala
Em murmúrios de dor
Será que este pavor
Que partiu o teu peito
É só o trágico desfecho
De um sofrido caso de amor?

Pra ficar tão assim
Tão perdida, sem rumo
A vagar pelo mundo
Sem saber onde vai
Já não olha para trás
Já não vê mais defeitos
O que agora for feito
De nada importa mais

É tudo tão anormal
Te ver despida sorrindo
Ainda assim reprimindo
Os olhares de pudor
Que teu delírio nos cala
E sem entender tua fala
Vejo dos olhos azuis
Correrem lágrimas e dor

E ainda assim tuas mãos
Vai carregando um flor
E por mais que a dor
Queira te destroçar
Não perdestes de tudo
O sinal da esperança
Que ainda vejo, insiste
Em não te abandonar.

Agamenon Almeida

 
  
ALFREDO BARBIERI
Taubaté (SP) - Brasil
  
TROVAS
  
Brilha a gota de um orvalho
à luz do sol matinal
enche de esplendor o galho
mostra um quadro genial.
  
Casamento é loteria?
Há quem diga que é bem mais
resultado da magia
que eletriza nós mortais.
  
Se eu pudesse definir
bem, o fracasso e o sucesso
este seria o porvir
aquele o duro recesso.
  
Quando o amor não tem raiz
é só um fogo de palha,
se incendeia mas num triz
vira cinza e atrapalha.
  
Saudade é viver agora
um tempo que já passou
que apesar de ir embora
profundas marcas deixou.

Alfredo Barbieri
 

AMÉLIA LUZ
 
MAIO DE MARIA

Maio de anjos rosados
de coroação e de cânticos,
ave, ave, ave Maria...
Maio, de pétalas de monsenhor
jogadas na Virgem Maria
De barro, moldada
por mãos escultoras...
Argila entre dedos hábeis
Criando o semblante de paz
em profundos olhos azuis...
Maio, das mães adornadas
de bondade e submissão.
Maio... Ah, maio... Amai-o!
Vem a noiva inocente,
A marcha nupcial, a entrada triunfal,
um buquê de flores de laranjeiras,
uma grinalda de “miguets”,
a noiva vestida de renda lembrando pureza!
Maio... Ah, majestoso maio,
das festas na Igreja Matriz,
da banda tocando nas retretas
e nos animados leilões de prendas...
Templos cheios de convidados,
engalanados em sedas e casemiras.
Maio, regai-o de alegria,
é tempo de fantasia.
Maio... Ah, maio... Amai-o!
É maio, mais uma vez!!!
Os sinos tocam, repicam
nos altares de Minas
repetindo a sua mesma poesia:
- dilim... dalão...
- dilim... dalão!
Vinde Maria, vinde João,
é dia de missa, de Menino Jesus
de muita oração.
É dia de maio
É dia de Maria
É dia de Primeira Comunhão!

Amélia Luz

 
  
AURINEIDE ALENCAR
 
DESCOBERTA

A descoberta é uma ação
De ver o que outro não viu
E pensando que ninguém
No mundo não descobriu
Mesmo estando enganado
Se sente recompensado
Pensando que contribuiu!

Refletindo sobre a vida
Vi que faltou paciência
Muito talento escondido
Por falta de obediência
Descobertas valorosas
Que conversas prazerosas
Aumentam a inteligência!

E foi depois dos cinquenta
Que eu pude perceber
Que a vida é uma só
Que nós temos pra viver
Diante a realidade
Aproveitemos a oportunidade
Até o dia de morrer!

Não é preciso que a gente
Tenha que a outrem provar
Por incrível que pareça
Tampouco se preocupar
Ninguém conhece sua luta
Portanto não dê escuta
Quando alguém comentar!

Nesta fase descobri
Alcançando a maturidade
Que é preciso tão pouco
Quase nada na verdade
Antes que venha a morrer
Que é possível viver
Tendo paz e dignidade.

Aurineide Alencar
 

ANA MARIA NASCIMENTO
Aracoiaba (CE) - Brasil
 
AUTOESTRADA

Ao longo do caminho da utopia,
surgem as mais diversas estações,
afeitas a deixar os corações
vivendo uma perfeita sintonia.

Durar a temporada na harmonia,
leva ao aprendizado das ações
e, nessas diferentes mutações,
nenhum vivente jaz em nostalgia.

Por isso professar sucintamente
o mais ambicionado dos apegos
a afável temporada faz contente.

Assim, naturalmente, todo ser
encontra primorosos aconchegos
na estrada que deseja percorrer.

Ana Maria Nascimento

 
ANDRÉ ANLUB
 
VIVER, O CRIME

As solas dos sapatos são selos de vida...
E, goste ou não, já estão gastas;
Os pés andam firmes no pensamento lúdico...
Mesas lisas; mesas fartas.

Vê-se um filme antigo no inaugurado cinema novo...
O nada pouco povo pobre fica de fora;
Encareceram o acesso público,
Esclareceram que já não é de agora.

Sendo em suma maior de idade:

A cachoeira gelada convida ao banho;
A cachorrada quente convida ao assanho.
Tanto uma como a outra fazem parte de um todo,
Do que lambe e limpa o lodo da desigualdade.

Sendo em sonho menor de idade:

Vamos queimar gordura e arrepiar os pelos,
Pelos novelos novos; pelo não cair dos cabelos.
Os direitos não estão direitos:
Vai-se o nosso tempo;
Os deveres se graduam a esmo:
Devora-nos a realidade.

Os pés já andam descalços,
No encalço da felicidade.
A igualdade é dinossauro utópico,
Junto ao ópio de mediocridade.

O cinema pegou fogo,
Colocando inveja ao circo.
Tem pão, mas não tem o ovo,
Fazendo do viver seu crime.

Olho por olho, dente por dente
Eles por eles, elas por elas...
Assim o pobre, o rico
O policial, o cidadão, o bandido
O conhecido, o indigente
Os do asfalto, os da favela...
São inimigos, cegos e banguelas.

Sonha-se e luta-se por uma vida mais justa a todos
E pela expressiva redução da desigualdade social.

André Anlub
(30/3/17)

 
ANDRÉ FLORES
Portão (RS) - Brasil
 
POETA

Olá velho amigo
Por onde te esconde?
Tem um tempinho para mim?
  
Sabe velho companheiro
Andam dizendo que a poesia saiu de moda
A onda agora é o computador
Os livros ficaram para trás.

Saudades dos teus versos
Das tuas rimas
Sonetos soltos ao vento
Embalando os casais apaixonados.

Acredita que ouvi falar
Que a grande sacada agora
É um tal YouTube
E os pobres livros
estão empoeirados.

Muita falta, sinto muita falta
De você meu amigo poeta
Trovando versos
Exaltando o céu e as estrelas.

Aquele cordel feito de improviso
Um riso virou rima
Uma tigela se transformou em festa.

Sabe que eu sonhei ser Drummond
Mas acordei André
Aprendiz de poeta
Poetando saltitante feito saci
Querendo fazer arte com as palavras.


¨¨¨¨¨¨

LAÇOS
(Homenagem aos nossos irmãos Portugueses)

As caravelas atracaram no Porto Seguro
Trazendo consigo um povo gentil
Na bagagem veio à esperança
Traduzida nos versos de Camões.
De herança nos deixaram seus costumes
Uma língua de rara beleza
A poesia das naus delirantes de outrora
A arquitetura barroca estampada nas cidades.
Dos lindos fados as serestas
Madrugadas românticas
Onde os enamorados se beijavam
Sob a luz do luar.
De mata virgem transformou-se em nação
Monarquia virou república
Imperialismo dando lugar à democracia
Da escravidão a abolição.
Um País se faz pela sua história
Pelas suas raízes e laços
Pelo legado deixado ao seu povo
Como forma de dizer: estes somos nós.
Muito do que carregamos na alma
Deve-se ao povo Lusitano
Homens e mulheres de valor
Com muita dor deixaram seu País
Para iniciar uma nova vida.
Hoje sabemos que:
Muito da nossa cultura
Dos nossos costumes
Da nossa literatura e poesia
Tem um pouco daqueles que um dia
Atravessaram o oceano
Em busca de uma nova vida.

André Flores
Aprendiz de Poeta

 
ÂNGELO DE SOUZA ROBERTO
Pedro Leopoldo (MG) – Brasil
  
VIDAS EM PAR

Que lindo de ver
Um par de amantes
Sublimes instantes
De inocente prazer.

Gêmeas almas
Bailam contentes
Sem pressa alguma
Amam-se entrementes.

Amores vibrantes
Ternura, loucura
Infinitos instantes.

Amor que se apura
Remédio, veneno
Que mata, que cura.

Ângelo de Souza Roberto
 

  
ANTONIO CABRAL

MEU PRIMEIRO AMOR

Meu primeiro amor...
ah meu primeiro amor!
Partiu no poeirão das boiadas
rumo às cidades grandes
e foi trancada num internato,
desses tantos que servem mão-de-obra
aos conventos franciscanos.

Quarenta anos depois,
quase nos esbarramos,
graças à mana caçula,
mas a razão é mais forte,
embora siga vendo seus passeios,
seu caminhar de menina,
seus longos cabelos negros
realçando sua beleza cabocla
sobre essa pele mais roxa
que jabuticaba -
que incendeia todo meu ser.

Sei que entre nós há um tempo,
tempo cheio de afazeres,
de colheitas, cafezais em flor,
Cascatinha e Inhana,
caminhões carregados de cereais,
carretas de leite rumo aos laticínios,
boiadas e mais boiadas
e tudo pode ser removido
num simples olhar...
assim, sem mais nem menos.

Mas o meu primeiro amor real
supera toda fantasia
e segue comigo rompendo rincões
com aquela disposição guerreira
que habita nossas almas
e nos mantém no front do combate.

Por isso, meu primeiro amor menino,
não posso ser tragado pela força dos sonhos
e prefiro crer que o meu primeiro amor eterno
vem de mãos dadas comigo
sobre o tapete vermelho
ou pelo chão espinhoso.

Antonio Cabral
 

ANTÓNIO MANUEL PALHINHA
 
ESTADO DE ALMA

Escrever para mim é um estado de alma. Um refúgio onde me encanto e restauro. Um porto de abrigo onde desembarco emoções de caravelas. Onde tornados de ideias me perseguem, ainda que só, no meu velejar vou além de horizontes infindos. Na escrita, posso viver os meus sonhos, ainda que não venha a conseguir realiza-los na realidade. Alimento assim a esperança e o amor! Um romântico, um sonhador dirão. Que seja, os que me invejam gostariam também de o ser. Pois de esperança e amor vive o escritor, com esperança e amor definhará o homem, sem esperança e amor nenhum deles viverá.

António Manuel Palhinha
Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Lisboa
ANTONIO PAIVA RODRIGUES-FORTALEZA
Fortaleza (CE) – Brasil
 
QUERO COMPREENDER O SEU AMOR

Queria imantar a sua beleza dentro do meu sofrido coração.
Das psicosferas terrestres tu foste a mais bela parecendo um mar espumante mostrando o seu fulgor.

O sol desponta no horizonte é mais um dia a clamar por seu amor...

Quero ser o elo da bondade, da força de vontade e te amar em profusão.

Não almejo ser prisioneiro e sim companheiro no dia a dia em que a felicidade fosse o ponto forte da beleza e da gratidão.

Dois seres que se amam se juntam, se anelam numa corrente de energias fulgurantes belas onde predomina o destemor.

O amor pode incendiar uma relação, mas almejamos somente apimentar, para que o fogo seja somente o ardor atraente da nossa relação.

Dois corpos se aprisionam unicamente para entrelaçar o amor existente e mostrar o quanto é belo a união em reverberação.

É possível morrer de amor, mas desejamos viver em harmonia, em alegria contigo sentindo o meu carinho e os meus lábios de encontro aos seus.

As estrelas embelezam o céu, a lua resplandece ao pôr de um belosol, viver contigo é algo divino, esplêndido, sentir contigo o amor correspondido é delicioso associado aos beijos meus.

Queríamos voar mostrar a nossa destreza, no entanto a nossa união é uma beleza que jamais irá sair da memória e do nosso relacionamento encantador.

Almejo sempre percorrer seu corpo sedento, de alento brilhante como o sol e tudo que acontece entre nós nada é inventado e jamais será apagado do nosso órgão pensador.
 
A nossa união será eterna com beleza descomunal, pois nos amamos bastante desde o primeiro visual continuamos a querer frutificar mais ainda nosso amor conjugal e dizer a todos que não existe carinho e amor iguais aos meus, meu eterno amor.


Antonio Paiva Rodrigues


AMILTON M. MONTEIRO
São José dos Campos (SP)
 
ETERNA INSPIRAÇÃO

Meu coração, manteiga-derretida,
não sabe suportar a tua ausência;
por isso quer parar com sua batida,
deixando-me da morte na iminência...

Retorne para mim, oh, vem querida!
Não me deixe cair em decadência...
Guardei já muito amor em minha vida
e quero dar-te todo! Por clemência!

Vem logo ouvir os versos que eu te fiz
até nas noites turvas, sem luar...
Bem sei que são poemas de aprendiz...

Porém, se algum tocar teu coração
bondoso, então, quem sabe irás ficar
e ser a minha eterna inspiração!
  
¨¨¨¨¨¨
TIZIU

Ao ouvir psiu, psiu...
esta manhã bem cedinho,
despertou-me um passarinho
que nem sei de onde surgiu.

Só sei que dando pulinho,
cantando alegre o tiziu,
em meu peito descobriu
um lugar para o seu ninho...

Quando vê que me levanto
para olhá-lo com apreço
em seu negror reluzente...

Ele mais trina! E eu me encanto!
E orando a Deus, agradeço
tão mavioso presente!


Amilton M. Monteiro

 

ARMANDO A. C. GARCIA
São Paulo (SP) - Brasil
 
O DOM DA UBIQUIDADE

Tivesse eu o Dom da ubiquidade
Estaria a teu lado neste momento, amor!
Mas, por ser um Dom inerente a Deus
A não ser no pensamento, ninguém o invade

Esse Dom da ubiquidade só se impregna
Se representado pelo pensamento bergsoniano
Jamais materializado no campo teluriano
Pois a realidade é séria e não admite ironia.

Quisera eu, meu amor tê-lo por um só dia
Para minimizar minha louca fantasia,
De poder beijar-te, cheio de alegria,

Acariciar teu seio, sentir teu perfume
Arder de desejos, como madeira no lume,
Oh!  Quem me dera transpor incólume!

¨¨¨¨¨¨

DO PRIMEIRO AMOR... (soneto duplo)
  
Do primeiro amor, ninguém esquece
É sentimento que na vida inteira cresce,
Na alma que ama, o coração floresce
Sentimento intenso que não perece.

É esse amor eterno, verdadeiro
Que a alma alimenta no braseiro
Mantendo na memória do primeiro
Condição dum digno cavalheiro,

E este sentimento é tão profundo
Que em qualquer lugar deste mundo
O primeiro amor é o mais fecundo

Feliz daquele que recebe a benção
Sacramental da eterna união,
Sentimental desejo do coração!

II

Todavia, por certos contratempos
Outros, tão divergentes da vontade
Não que seja por meros passatempos
Perde-se o amor primeiro, vem saudade

Esta infinda, trazendo a nostalgia,
Preso à memória o desejo aceso,
Querendo o primeiro amor a cada dia
Como se pudesse voltar ao que é defeso.

Tristeza, dor e sofrimentos mil
Ao sentir no peito amor intenso
Sem puder ser ao grande amor servil,

É o amor que a alma não esquece,
Nem o coração o deixa suspenso
Passa a vida inteira, e não perece!

¨¨¨¨¨¨

AS CORDILHEIRAS DA VIDA

Parecem intransponíveis as cordilheiras da vida
Mas pé ante pé, sem exceder os limites da liberdade
Após ter resistido corajosamente e enfrentado a lida
Insistindo, recalcitrando, permaneceu à vontade.

Pé ante pé, transpôs as abstrusas cordilheiras
Excitadoras de grandes esperanças futuras
Norteadoras de probabilidades clareiras,
De trilhar novos caminhos, sem agruras.

E, finalmente vencidas, surge a esperança
De novos dias, onde a luz e a bonança
Serão os fatores de toda predominância.

E sem meter os pés pelas mãos, está no caminho
Cruzado o embaraço, tirou o espinho.
Finalmente, leva a vida cheia de carinho!

Armando A. C. Garcia

ARTEMIZA CORREIA
Ocara (CE) - Brasil
 
DIGNIDADE HUMANA

Vejam só quanta nobreza
na origem da humanidade,
o poderoso onipotente
Criador e divindade
preparou todo o ambiente
fez o barro virar gente
e deu-nos a dignidade.

O Deus da imortalidade
antes de ser a matéria
criou sua semelhança
com ideia firme e séria
livre arbítrio e paz
Inteligência e mais
formas contra a miséria

Sendo o centro e o final
e jamais coisificado
protegido pela lei
tem direito assegurado,
Trato com seriedade
chamamos de dignidade
do homem humanizado

Nossa constituição
Carta Magna Federal
garante a nós humanos
o direito natural
sendo a mesma soberana
a dignidade humana
numa vida liberal.

Artemiza Correia

AUDELINA MACIEIRA

 
EU QUERO UM MUNDO DIFERENTE

Eu quero um mundo diferente
Onde os homens sejam um poema e mulheres poesia
onde a fantasia não seja apenas uma fuga da realidade
quero amor, quero sentir saudades.

Eu quero um mundo inteiro, não pela metade
onde os sonhos impossíveis sejam verdade
e a verdade possa ser companheira da vida
alicerce para os pés e alimento da alma.

Quero palmeiras no meu jardim
quero sentir o cheiro das flores
rosas, tulipas margaridas
quero ter calma, quero paz
paciência e reflexão.

Eu quero um mundo, onde eu possa
pedir perdão e ser perdoado
sem demagogias e sem hipocrisias.
Eu quero um mundo diferente
para sentir que sou gente
decente, humano valente.
quero dividir o meu carinho
com aqueles que andam sozinhos.

Quero não ter pressa, aproveitar o tempo
não ter hora alguma, ser livre do momento
e seguir devagar em direção a sabedoria
que me espera lá na minha adulta idade.

Quero ter a certeza que todos têm pão na mesa
e água para beber, pura cristalina assim
como os corações serão se houver
consciência da morte como essência
para renovação.

Quero ser chão, quero ser mato
quero ser um dia ar e beijar
a brisa discretamente e ser semente.

Audelina Macieira
 

BENEVIDES GARCIA
Maringá (PR) - Brasil

CANTO DE AMOR E DE LUZ

Que os nossos sonhos sejam leves e tintos
como paisagem onde voam gaivotas
de fogo e de luz...

Que os risos sejam doces e mágicos
e  que nossas lágrimas vertam
águas da fonte que jorra leite e mel...

Que as janelas sejam abertas
e que as flores cresçam nas sacadas dos rios
cantando rondas de esperança
nas vertentes sinuosas dos moinhos...

Que as lembranças
sejam telas de porcelana
adocicadas nos tapetes
das lendas do tempo...

Que todos os silêncios cantem
louvores de alegria nos encontros
das auroras perdidas...

Que a luz seja presença ardente
envolta nas cores dos ventos...

Que a música seja flauta doce
nos lábios do amanhã...

Que as ternuras teçam histórias
de candura e luz nos berços que abrigam tesouros de paz...

Que o amor seja na medida certa
em todo tempo e lugar e, de tal modo, que
as paixões brinquem de ‘pique e esconde’
no porto das ilusões...

 Vinhedo (SP), Outono de 2008.

Benevides Garcia
 
CARLOS LEITE RIBEIRO
Marinha Grande - Portugal
A FEIRA DA GRAÇA

Nota: A cena passasse num recinto de uma qualquer feira popular.

1ª Pers.: - Oh freguesas, é comprar, é comprar... É comprar hoje, pois eu estou muito bem-disposta! É de aproveitar, pois hoje levam tudo quase de graça! Oh freguesas, quase, quase de graça! E ainda mais, tomem bem atenção: quem levar a mercadoria hoje, pode usá-la durante a semana e, se não gostar, de hoje a uma semana podem traze-la, que eu a aceitarei!
2ª Pers.: - Meus senhores e minhas senhoras, a banha da cobra...
1ª Pers.: - Oh seu "banha da cobra", desampare-me cá o "estaminé". Vá gritar para
outro lado! 
2ª Pers.: - Olhem, olhem só para "esta cara de pau", que deve estar a sonhar!
1ª Pers.: - Estou a sonhar, estou mas não é com você! Seu "borda de alguidar" - ouviu?!
2ª Pers.: Esta “pirua”quer conversa, mas eu não estou "pardála"! A banha da cobra, é um produto que cura todos os males... Se tem uma nota de cinquenta...
1ª Pers.: - Está a ouvir-me, seu "dez réis de gente"?! Vá lá para baixo, para o fundo da feira, pois é lá que você, seu "pingarelho" fica bem!
2ª Pers.: - Se por acaso tem queda de cabelo, não use um qualquer shampoo, use sim a conhecida e centenária banha da cobra...
1ª Pers.: - Agarrem-me, agarrem-me, porque eu vou-me a ele, e desgraço-me. Agarrem-me!
2ª Pers.: - Imaginei só, uma "pirua" como ela, ainda pensa que alguém a vai agarrar! áháháh ... A banha da cobra cura todos os males, menos a paranoia desta mulherzinha! Meus senhores e senhoras, podem formar bicha, pois eu não sei se terei embalagens para servir todos... mas se as bisnagas não chegarem, eu irei ao sertão caçar uma cobra, esfolo-a e tiro-lhe a banha, e assim todos os estimados clientes poderão ser atendidos! Venham cá ver a banha da cobra, que dá saúde a quem a tiver!
1ª Pers.: - Ai, ai que ainda perco a cabeça... Perco a cabeça com este “pingarelho”!
2ª Pers.: - A banha da cobra também é boa para encontrar e colar cabeças perdidas!
1ª Pers.: - O malandro, o malandro ainda me está a gozar comigo! Oh seu meia... seu meia..."léca de um raio", se eu, lhe ponho as mãos em cima…

Aproxima-se da filha da 1ª Personagem

3ª Pers.: - Oh mãezinha, que termos e propósitos vêm a ser esses?!...

1ª Pers.- Estou assim neste estado, é por causa daquele... daquele “pingarelho”...

3ª Pers.: - Mas olhe que eu não estou a ver aquele moço fazer nada de mal à mãezinha... Ele até me parece bastante simpático!

2ª Pers.: - Olhe que a menina até tem muita razão, pois, eu até sou bastante simpático. Mas a sua mãezinha, como não gosta da banha da cobra...

3ª Pers.: - Oh mãe... Se tu não gostas da banha da cobra, ninguém te obriga a comprar e muito menos a usar... Olha, faz o teu negócio e deixa lá os outros se governarem!
1ª Pers.: - Tu, minha filha, é que não sabes, nem calculas, de que qualidade é este "estupor"!...

Aproxima-se uma cliente

4ª Pers.: - Olhe lá minha senhora, tem cuecas?!

1ª Pers.: - O que você perguntou?

4ª Pers.: - Oh mulher, você está surda? Por acaso não ouviu eu perguntar-lhe se tinha cuecas?

1ª Pers.

Ouvi, ouvi e muito bem. Claro que tenho cuecas! E tenho estas para vender; olhe só para esta boa fazenda, e o tom até lhe vai ficar muito bem, pois é o tom que dá com a sua pele...
4ª Pers.: - Olhe lá, mas isto são meias-calças!
1ª Pers.: - E daí?!... A freguesa leva duas peças e só paga uma. Não hesite pois, ninguém a quer enganar!
4ª Pers.: - Não sei, estou hesitante...
1ª Pers.: - Olhe lá, vamos fazer uma coisa: a freguesa leva e prova, se gostar fica com elas, se não gostar, volta a traze-las. Eu para a semana estarei cá novamente. Oh freguesa, leve a mercadoria que não se arrependerá!

Outro cliente aproxima-se

5ª Pers.: - A senhora tem chapéus para a praia?

1ª Pers.: - Tenho chapéus, tenho. Não quer dizer que sejam para a praia, mas são de certeza para a cabeça dos clientes. Olhe, este aqui até é bastante bonito...

5ª Pers.: - Mas, mas este chapéu é muito pequeno...

1ª Pers.: - Você também não me parece que tenha uma cabeça muito grande, mas às vezes quem sabe. Mas isso não é comigo... Leve lá o chapéu, que lhe há-de ficar muito bem. Olhe que até lhe dá um certo ar de distinção...

5ª Pers.: - Nem sei o que faça...
1ª Pers.: - Eu hoje estou muito bem-disposta! Olhe freguês, você leva o chapéu, prova-o, se gostar, fica com ele, se não gostar, volta a traze-lo! Pois para a semana, estarei cá novamente. Isto hoje é só vender... 

Outro cliente

1ª Pers.: - Oh freguês, o que é que procura?

6ª Pers.: - Procuro um cinto de couro, castanho...

1ª Pers.: - Castanho?! Olhe que essa cor é bem capaz de não lhe ficar muito bem. Veja aqui este cinto, isto é que é um "luxo", e de muito boa qualidade. É feito de toiro bravo, que foi corrido na Praça do Campo Pequeno, e era tão bravo, tão bravo, que os forcados o tiveram de pegar de "cernelha", antes do toiro mandar três forcados para o hospital!

6ª Pers.: - Mas este cinto é preto, e eu quero um cinto castanho!

1ª Pers.: - Castanho, já lhe disse que não tenho. Mas nós não vamos ficar aqui toda a manhã a discutir a cor do cinto. Como hoje estou muito bem-disposta, você leva o cinto, prova-o, se gostar, fica com ele, se não gostar, volta a traze-lo. Eu para a semana cá estarei novamente! Isto hoje é que está bom, pois toda a gente pode levar o artigo e prová-lo, se gostar, fica com ele, se não gostar, volta a traze-lo!
Entretanto, o vendedor da banha da cobra aproxima-se da vendedeira de roupa

2ª Pers.: - Olhe lá, minha senhora, eu e aqui a sua filha, estamos a entendermos muito bem.  Já deve estar a compreender que eu lhe estou a pedir-lhe a pequena...

1ª Pers.: - Oh seu "banha da cobra", você não tem vergonha nenhuma! Ora tire as suas "galfarras", ou mãos ou o que você tem, de cima da minha filha, pois ela é fazenda muito fina para você – fina demais!

3ª Pers.: - Mamã... mamãzinha...

1ª Pers.: - Agora até já sou, mamã. “Mamãzinha” (que cinismo)! Olha lá "querida filhinha", o que é que tu me queres...?!

3ª Pers.- É que eu, e este moço, apaixonámo-nos um pelo outro!
2ª Pers.: - A senhora está a compreender, não está? Foi um amor à primeira vista!
1ª Pers.: - Olhe lá, você pensa que eu quero um "banha da cobra" qualquer, para meu genro?!
2ª Pers.: - Mas compreenda... Eu estou profundamente apaixonado pela sua filha, e só desejo casar com ela!
3ª Pers.
Mamã, não sejas embirrante... faz a vontade à tua filhinha!
1ª Pers.: - Ai, querida filhinha, quando tu queres, és tão meiguinha que até me estás a “tocar” o coração!
3ª Pers.: - Mamã, é que eu estou apaixonada... Olha que eu ainda morro por amor... e mais vale teres uma filhinha viva, do que uma filha morta!
1ª Pers.: - Vocês hoje estão com uma sorte incrível! Apanham-me bem-disposta. Olhe lá, seu "banha da cobra", você vai ter muito juizinho nessa cabeça, e vai levar a minha filha. Prova-a, se gostar, fica com ela, se não gostar, volta a traze-la! Eu para a semana estarei cá novamente. 
É comprar, é comprar, pois hoje é quase tudo de graça. Freguesas, é comprar!

Carlos Leite Ribeiro
Marinha Grande – Portugal

 
CARLOS LÚCIO GONTIJO
Santo Antônio do Monte (MG) – Brasil
COMEMORAREMOS 40 ANOS DE LITERATURA
 COM O LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS

 Desde a minha alfabetização na Escola Waldomiro de Magalhães Pinto, em Santo Antônio do Monte, tomei a providência de experimentar o uso da palavra na elaboração de versinhos infantis em pleno acordo com os meus nove anos. Era a chegada de um dom divino a me guiar e a ser útil em minha caminhada terrestre, caso eu procurasse me empenhar, persistir e aprimorar. Então, no ano de 1977, lancei o primeiro livro (“Ventre do Mundo”), sem qualquer noção a respeito do mercado editorial. Assinei notas promissórias numa gráfica e, quando me entregaram 1.500 livros, nem sabia o que fazer com aquela papelada, pois ninguém tem à sua disposição tanta gente para desaguar poesia. Foi uma tragédia, um desespero, mas também uma grande alegria ter nas mãos o primeiro livro.
Minha querida e saudosa mãe Betty se juntou a mim com o poder e a entrega materna. E então passamos a vender livro pelo telefone e de porta em porta. Naquele tempo, as pessoas abriam suas portas para receber vendedores de livros – hoje tanto não abrem suas portas, quanto também não são de frequentar livrarias. Dessa forma, com a adesão de outros amigos, com o milagre da propaganda de boca a boca, a edição se esgotou. E no embalo, escrevi o meu segundo livro (“Leite e Lua”), que teve como prefaciador o grande e importante poeta Bueno de Rivera, que me deu muitos conselhos. Aprendi com ele que o melhor parceiro de poetas e escritores é a lata de lixo. Ou seja, escreveu, não ficou bom, jogue no lixo!
Bueno me disse que não bastava ter dom, pois a arte da palavra escrita carece de constante lapidação e que todo autor deve buscar seu estilo. Pois bem, fiquei dez anos sem lançar livro algum, mas buscando o aperfeiçoamento e a construção de algo que pudesse chamar de meu. Daí escrevi o livro de poemas “Cio de Vento”, ao qual considero o alicerce de minha obra literária, uma vez que nele alinhavei o que buscava: uma escrita representativa da vida, na qual amor, desamor, dificuldades, problemas econômicos e assuntos políticos se misturem, seja na poesia, seja na prosa é assim que deve ser.
Hoje, ao chegar à marca de 20 títulos, com duas segundas edições, e ter feito tantas boas amizades com pessoas que vieram a mim pelas mãos da literatura, da poesia e dos artigos que publicava semanalmente em grandes jornais, posso bem avaliar minha caminhada e, ao mesmo tempo, projetar uma comemoração bem simples dos meus 40 anos de mergulho na atividade literária. Ou seja, vou lançar dois livros: uma obra infantil (“Beijoaria”) e um romance (“Desmemória de Horizonte”), reunindo ao meu entorno amigos e leitores que me acompanham desde sempre. Nesse momento vêm à minha lembrança muitas pessoas com as quais mantive contato e que atuaram como efetivas incentivadoras, a exemplo do poeta Carlos Drummond de Andrade que, em carta, conclamou-me com um ainda sonoro “Parabéns, e vá em frente, xará”; o gentil Professor Aluísio Pimenta, que prefaciou livro de minha autoria; o escritor José Cândido Ferreira, que quando tinha a idade de 87 anos foi à redação do jornal Diário da Tarde para me conhecer e nunca mais deixamos de nos ver, até a sua morte com 100 anos; o Wilson Ricardo de Oliveira, outro bom amigo que se transferiu de dimensão e que eternizou sua presença em mim através do apoio que deu à edição de muitos de meus livros; meu pai José Carlos Gontijo, que sempre se dispõe a investir no sonho do filho; minha esposa Nina (festejaremos 38 anos de casados no dia 5 de maio), que faz a revisão final de meus escritos e cuida da organização dos eventos – e tanta gente mais, que de uma forma ou de outra lançou (e lança) alguma viração benfazeja sobre o meu navegar literário.
Toda vez que revejo minha caminhada fica clara em mim a importância de meus professores em minha trajetória, desde a primeira professora Clélia Aparecida Souto e Couto até os mestres da faculdade, cada um deles inseriu em mim conhecimentos e maneiras de conviver que se expressam na minha escrita e em minha vida. Atividade literária é missão difícil em país de baixo estoque de leitores como o Brasil e certamente eu não teria produzido tantos livros sem reunir em meu entorno diagramadores e ilustradores de elevado nível de competência e sensibilidade como Nivaldo Marques Martins, Nelson Flores, “Quinho”, Ana Carolina Soares, Hamilton Flores, Vilma Antônia da Silva (a Vilminha), e Antônio Jabur Neto. E tem também a confiança dos prefaciadores: poeta Bueno de Rivera, jornalista José Egydio Farinha, escritora Therezinha Casasanta, professor Aluísio Pimenta, jornalista José Carlos Alexandre, escritor   João Silva de Souza, poeta Harildo Norberto Ferreira, professora Clélia Aparecida Souto e Couto, poeta Antônio Fonseca, jornalista Sérgio Neves, professora Maria Greco, jornalista Valter Lima, jornalista Berenicy Silva, poeta Luiz Cláudio, a poetisa portuguesa Carmo Vasconcelos.
Ao longo da vida a atividade literária me levou a academias, ao recebimento de honrarias, medalhas e diplomas, mas o que conta mesmo são os livros. Em 2015, por minha própria conta e risco realizei um “périplo cultural”, levando gratuitamente alguns de meus livros infantis até escolas municipais de ensino fundamental. Cada unidade escolar das cidades visitadas recebeu cerca de 20 exemplares dos livros “Lelé, a formiga travessa” e o “Guarda-chuva do Simão”, sob a projeção de que, ao trabalhar com grande quantidade de exemplares de um mesmo livro, a professora poderia melhor incrementar a leitura junto aos seus alunos. Então, movidos unicamente pela chama de autor compromissado com a evolução educacional da sociedade, estivemos nas seguintes cidades: Santo Antônio do Monte (e seu distrito de São José dos Rosas), Pedra do Indaiá, Divinópolis (40 escolas), Arcos, Itapecerica, Moema, Bom Despacho, Capim Branco e Belo Horizonte, onde recebemos no auditório da Associação Mineira de Imprensa (AMI) representantes de escolas de Contagem, Betim, Tocantins e até da distante Brasília de Minas, que fica a 556Km da capital mineira.
Por gostar de escrever fiz opção pelo curso de Jornalismo e foi como jornalista que construí minha vida, ao passo que o exercício da literatura e da poesia me ensinou que o sucesso se resume em conhecer o nosso propósito na vida, crescer pra atingir o nosso potencial máximo e lançar sementes que beneficiem outras pessoas. Ou seja, o principal papel do autor é mesmo escrever – todo o resto é consequência, pois na maioria das vezes o bom livro não é o mais vendido e sim aquele que tem o poder de transformar; ainda que seja uma única pessoa. Como dizia Platão, se um livro qualquer tiver um único leitor além de seu autor, já estará justificado o trabalho despendido em sua elaboração.
Trago, tatuadas em meu coração, três cidades: a Belo Horizonte em que nasci, a Santo Antônio do Monte, da qual sou cidadão honorário e passei toda a minha infância e parte da juventude, e Contagem, município em que criei meus filhos (Bairro Eldorado) e que também me contemplou com título de cidadania.
Dia 26 de abril, em Santo Antônio do Monte, lançarei dois livros em comemoração aos meus 40 anos de atividade literária independente, com a inclusão de várias camisas com estampa relativa ao evento (Casa da Pizza, a partir da 19h30minh). Depois, no dia 6 de maio, será vez a de Belo Horizonte (Gamela Bar e Restaurante, rua Salinas, 1495, bairro Santa Tereza). E claro que não é e nem será fácil. Alguns dirão que o momento é de crise econômica, mas para a literatura e todos os demais segmentos culturais nunca houve bom tempo, pois a ignorância sempre imperou (e impera) e ademais, como grafei no romance “Desmemória de Horizonte”: Aos que fingem estar dormindo, não há como despertar.
  
Carlos Lúcio Gontijo
Poeta, escritor e jornalista


CARLOS SARAIVA

Mantena (MG) - Brasil



FRAGMENTOS

Fragmentos irremediavelmente soltos
De uma vida que não ganhou asas
Acorrentada à vontade de esquecer
Mundos onde não se construíram casas
Vergonhas sem cabeças para esconder
É muito triste para um ser que vai morrer
E que buscou a verdade fora da existência
Nas alas de um labirinto escuro sem saber
Entregar tanta beleza ao abrigo da natureza
Agora já mal existem traços e contornos
Daquela mulher bela prateada e apagada
Por traços azuis e brancos da cor do nada
Algumas partículas errantes e esvoaçantes
Voaram como pássaros negros sem ter céu
Espalhando-se na sombra do seu olhar
De bela rainha deposta e sem ter lei
Fragmentada pelo desejo de ser antes
Como na lembrança de nunca ter rei

mongiardimsaraiva
 
  
CÉLIA LAMOUNIER DE ARAÚJO
Itapecerica (MG) - Brasil
GENTE e PLANTAS

Não somos belas plantas... Somos gente
E é muito especial ser bela gente!
Plantas crescem plantadas... Gente não.
Gente cresce livre e tem coração.
O vento brinca com plantas... O vento
amigo de todos... Não tem assento.
Juntando vento, animal, gente e plantas
estamos cuidando de vidas... Santas
Que precisam de água e ar na terra.
Gente que pensa e anda... Não faz guerra
Gente CUIDA do mundo e de animais.
Tudo junto... Para viver bem mais.

Célia Lamounier de Araújo
  
CAROLINA RAMOS
Santos (SP) - Brasil
  
CADA VEZ PIOR?!...
                                                                 
Tudo se repete e, uma vez mais, passa por mim o chamado poema de Rui Barbosa, onde o mestre expõe, com a clarividência de sua privilegiada inteligência, a total indignação e vergonha ante os desmandos que naquela época assolavam sua Pátria, que também é a nossa.

Impressiona constatar, quanto às coisas pioraram durante esse tempo, nem tão distante assim!...

Ao que parece, o maldito vírus da corrupção, da ganância desenfreada, do descaramento cínico, que não conseguiu ser extinto, conseguiu, por sua vez, transformar tão malignos ingredientes, num coquetel maldito que hoje nos obrigam a beber e tão difícil é de ser engolido sem engasgos!  Coquetel deletério, que nos embriaga e imuniza contra o bem, a ponto de impedir que as medidas erradicantes, ciosas de propósitos de mudança para melhor, acabem por não surtir o menor efeito!

Será que hoje, mais do que nunca fortalecido pela impunidade, esse vírus do mal ganhou imunidade plena e com passagem livre avança triunfante rumo à vitória final?!

Custamos a aceitar! Mas, os efeitos alarmantes aí estão! Sem desdizer o afirmado, desfilam acintosamente ante nossos olhos, num crescendo, que vai de mal a pior, tudo quanto desesperaria ainda mais, nosso “Águia de Haia”!

Por onde anda a nossa capacidade de reação? E os nossos porquês, por onde andam também?! Perdemos a capacidade de agir?! O mundo avança... claudicante, mas avança. E nós, retrocedemos?! Quem se conforma com o inexplicável?!

A ciência galopa, esta sim, sem chegar a conclusões maiores, sempre a esbarrar no inexplicável que procura contornar.

Preocupam-se os cientistas, como sempre, com a origem da vida... E  tardam a chegar lá, porque, estacionam onde sempre falta algo mais que lhes rouba a convicção absoluta! E perguntas, sem respostas conclusivas, são adiadas e empurradas, sucessivamente, de uma geração para outra, insubmissas aos ditames da fé.

Em tempos caóticos, não seria bem melhor se as grandes inteligências se unissem com igual empenho, na ajuda à posteridade, para que se esclarecesse, de uma vez por todas, não apenas a origem da vida, mas, e muito principalmente, o real sentido que essa vida tem?!

Gerações se sucedem e estas questões capitais continuam, insolúveis, a indagar: - quem somos? De onde viemos? Para que viemos? Para aonde iremos? – E apesar do contínuo estudo, ainda não há explicações conclusivas, nem respostas plenas, se dissociadas da fé! E a fé, não faz mal a ninguém, apenas quer o bem e ensina como chegar ao bem!
Não há mais tempo para divergências nem para passarmos para o amanhã a responsabilidade dos nossos atos, vazios dessa mesma responsabilidade que nos cabe e descartamos.

         As preocupações mundiais são imediatas! O que dizer das nossas?!

Importantíssimo, seria se nos preocupássemos com o que flui ao nosso redor, sem medir esforços para alcançar propósitos sadios, dignos, imediatos, endereçados à pacificação interior e ao bom relacionamento universal!

Não seria este, por acaso, o atalho mais urgente e louvável? E não seria este, não mais por acaso, o verdadeiro caminho para a PAZ?!

 Paro, antes que minha insensatez tente escrever um texto de protesto... Onde o inexplicável há de seguir, como até aqui, inexplicável.

Carolina Ramos

 
CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES
OS OLHOS DE JESUS CRISTO

Impressionavam-me os olhos despetalados, arroxeados de Cristo na Paixão... O sangue a escorrer, o brilho divino semiescondido pelas pálpebras pesadas de cansaço e sofrimento... Olhava os quadros da Via Sacra e sentia, literalmente, meu coração partir-se (os cientistas já provaram que o coração pode ter fissuras causadas por dores morais, espirituais, sentimentais)... 
Quando eu morava em Bicas do Meio (cidadezinha hoje chamada Wenceslau Brás) e estudava em Itajubá, sul de Minas Gerais, no colégio Sagrado Coração de Jesus, recebia das freirinhas aqueles ensinamentos sobre a redenção da Humanidade por esse sacrifício - e tudo devia se repetir, alegoricamente, na Semana Santa, embora, para que as pessoas não se esquecessem da verdade incontestável: "Ele morreu por nós"... 
Crenças à parte, nas relembranças desta quaresma , vejo as ruas da cidade (chamada hoje Itajubá - Tecnópolis) bordadas com pétalas e folhas - serragem colorida, às vezes, como se usa em certas cidades mineiras, mas lá, eram mais flores que tudo mais...Artistas anônimos, na sua maioria, desenhavam símbolos sacros, rostos de Jesus, de Maria,de anjinhos... Uma lindeza. Dava-me pena pisar toda aquela arte e artesanato, na procissão. Vestíamos, as alunas, o lindo uniforme de gala, com mangas compridas e meias três-quartos e lá nos íamos, a cantar hinos e desfiar o rosário...
Foi então que a paixão irrompeu-me no peito. O rapaz era nissei, irmão de uma colega de sala, e ele seguia, por fora, como bom descendente de orientais, com sua máquina fotográfica, a registrar meus passos. Eu levantava os olhos, sob o véu de cassa e lá estava ele, encarapitado em muros, posicionando-se em degraus, torcendo-se pelo melhor ângulo. Foi por essa época, que a sacralidade da Páscoa se diluiu, pois ela significava agora chance de flertar com o moço Mikio... Mais tarde tivemos muitos episódios encantadores, trocamos muitas cartas, mas ele tinha uma prometida e tudo era muito platônico...
Anos mais tarde, em Juiz de Fora, eu desenhava centenas de faces de Cristo, para vender, para capa de trabalhos, e numa ocasião, para Madalena, uma colega do INAMPS que trabalhava na Dermatologia. Talvez pela força do nome, dizia-me das suas intimidades com Ele, a quem chamava “O MEU Jesus"... Todos os meus desenhos eram colados por ela na porta do seu armário, por dentro, por fora, outros levava para casa, uns queria para presentear. Certa feita, desenhei uma face sofrida do redentor, para ela levar ao então senador Itamar Franco, que mandara para sua casa material necessário à construção de uma gruta onde a figura de Cristo seria devidamente reverenciada... 
No final do curso de normalista, o Colégio dos santos Anjos fez a exposição anual -e além do material didático que criei, participei com um Cristo em Mil Cores- um desenho sobre papel camurça preto... Muitas faces desse Jesus sofrido, feições vindas do meu imaginário de artista... 
 Talvez nem tanto: muitas das vezes, ouvi das pessoas a observação: "Esse seu Jesus tem uns olhos amendoados, como de japonês..." Passei a prestar atenção às espirais do inconsciente e a abrir, em sã consciência, bastante, os olhos pisados do homem-Deus... Somente assim, a face de Cristo deixou de parecer aquele nisseizinho lindo de minha adolescência...


Clevane Pessoa de Araújo Lopes

CIDA MICOSSI
CANSAÇO

O corpo se recusa
Quer cama e descanso
Ao som da mansa chuva
Sensação de paz
Com tudo no lugar
Até a tarde inerte
Contribui pra relaxar

Cida Micossi
   
CONCEIÇÃO HYPPOLITO
Porto Alegre (RS) - Brasil
DESEJO

Escrevo para exorcizar a fome
que se cumpre
por(tanto) desejo de justiça feita
a cada história recontada
com "final feliz"
para não morrer da mesma fome
que nos alimenta
que nos define
que nos definha
a cada dia vivido no mundo
da vida real
com todas suas guerras
de poder
riquezas
de ter sempre e muito mais
do que ser;
- Falta prato cheio para alimentar
tamanha fome
de tanta gente
Para encher os olhos, as bocas,
barrigas
e mentes...

Conceição Hyppolito
 

CEZAR UBALDO
ACOLHIDA

Acolhe-me
em tua matéria,
em tuas entranhas,
em teu corpo sã
e verás meu espírito
em carne,desejando-te,
amando-te
mais do que se fosses anjo,
mais do que toda imensidão!...

Cezar Ubaldo

DALTON LUIZ GANDIN
São José dos Pinhais (PR) – Brasil
  
SÉCULOS DOS SÉCULOS [...]

Deus!
"Jesus Cristo nunca ria".
Mais um acidente (?)
no ocidente cristão
do século XIII até
o século XVIII.
Séculos de culpa.
Séculos de vergonha...
História do pecado e do medo.
Esses olhos de morte e de infernos,
que fitavam homens podres,
sob um deus-corvo.
Esse mau cheiro que acabou
impregnando os espíritos
ocidentais.
A morte, a fome e as guerras
já profetizavam o fim do mundo...
Pânico na Europa!
Pastorais do medo! Padres e pastores...
Grandes mestres em pedagogia da morte.
Morte-mulher.
Morte-tema.
Morte-poder-do-clero. É claro!
E viva Santo Agostinho (entre outros)!
Santo da culpa.
Santo do pecado.
Santo versus sexo-pecados-do-corpo-mulher,
de tantos pecados que a vida se fez
um grande pecado.
Original.
Criança podre...
Inferno demais.
Pouca paz, pouquíssimo céu.
Deus!
Ninguém suportava confessar
tantas faltas sexuais,
e tantas outras (que não me lembro mais!),
como meus versos malfeitos.
Feito que termino dizendo:
apesar das pedras da morte,
do medo...
Da culpa, cimentada
em nossos espíritos,
desses tempos de ferro,
uma herança cultural,
nada igual
para os séculos dos séculos. Amém!

Dalton Luiz Gandin
 
  
DINORÁ COUTO CANÇADO
Taguatinga (DF) - Brasil
 

PERTO DO CÉU

Não há mesmo quem resista
e é bom que repita e insista...
Visitar terras portuguesas
e encantar com suas belezas.
Atravessar o oceano por seis vezes
 sonhando antes  e depois por meses.
Junto com Lisboa, tudo seduz
Fátima, Cascais, Sintra, Queluz
Já outras cidades, mais distantes
Porto, Braga, Vila Verde, cativantes!
A  bela Portalegre em um evento
Passagem por Évora, que momento!
Senti-me perto do céu, em Marvão
Que cidadezinha,  haja coração!
Montemor, Viana do Castelo... Quanto prazer
Em terras portuguesas, o céu parece florescer...

Dinorá Couto Cançado
  
DECIO ROMANO
 
Navega na noite a cantiga
E calma leva consigo
O brilho de cada estrela.

Entoa seu hino prateado
Como um cometa já vago
De realidade e quimera.

Não fosse o poema de agora
A última nota que entoa
Diluiria em silêncio.

E não faria despertar
Sequer os sonhos de amor
Sequer o desejo de amar.

Decio Romano
 
DEOMÍDIO MACÊDO
 

MISSÃO: GERAR VIDA 

Seu corpo modifica ao bel prazer da gravidez;
A alegria transborda o coração materno;
O primogênito ou primogênita chegará em breve ao seio familiar;
Sua missão inicia-se ali na primeira gravidez;
O amor maternal brota dentro de todas as células, e o coração pulsa sangue com mais energia vital, para irrigar o corpo em formação.
Mais um exame médico, pré-natal, é realizado para acompanhar a gestação do bebê;
A notícia não é das melhores;
A mãe se aflige no primeiro momento;
O que fazer?
A missionária tem uma resposta para dar a sociedade:
O seu filho viverá e terá o seu amor, o amor de mãe, de mulher, missionária, que nunca desiste do filho que Deus lhe confiou.
A criança nasce, com a cabeça pequena: Microcefalia provocada pelo mosquito aedes aegypti, que transmite a Zica Vírus;
A mãe não sabe se a criança vai andar ou falar!
Não importa! A missionária vai viver um dia de cada vez. E naquele exato momento, ela embala seu bebê no colo, beija-o, abraça-o, acaricia seus cabelos, numa cena, que só um amor pode interpretar:

O amor materno!

Deomídio Macêdo
DIONI FERNANDES VIRTUOSO
 
AMADO MEU...

Que se beijem nossos lábios, ó amado meu
e que nossos braços fortemente se abracem!
Que seja eu, pois, a tua Julieta e tu, meu Romeu
e nossas almas eternamente se entrelacem!

Que os deuses jamais interfiram
em nosso tão puro e doce amor,
que os nossos corações nunca se firam
no fuso da maldosa e triste dor!

Que o Amor, teu sonho real me eleja,
no livro da vida nossa história reescreva
como paixão que o ódio venceu!

Seremos sementes do amor que floresceu
e entre os espinhos da vida nada temeu.
Pediremos sempre à Força Maior que nos proteja!

Registro Nº: T5925829

Dioni Fernandes Virtuoso
DONZILIA MARTINS
 
BEIJO

Dava-te um beijo
Pedia os teus
Com lábios cerrados
Tocavas os meus.

-“Quero um beijo mole”
Dizia-te eu
Teus lábios de novo
Molhavam os meus.

Um beijar de alma
Um carinho teu
Hoje a paz me acalma
Num beijo pro céu.

¨¨¨¨¨¨

NA MINHA PELE

Na minha pele morde a comichão nas costas
à espera que as coces!
Mas a ansia morre
na espera dos teus dedos.
Na minha pele devastaste montanhas,
alisaste arestas, lavraste a terra
e nela semeaste a tua semente.
A minha pele morre cada dia
esfarelada como areia fina na confusão dos medos.
Na minha pele vivem moléculas mortas.
Vivo, só o teu cheiro, tu inteiro e os teus dedos.

¨¨¨¨¨¨

OITO E MEIA DA MANHÃ

Era uma manhã de esperança
a anunciar o outono que em breve viria.
Na estrada lavada uma chuva miudinha caía
escurecendo a natureza que parecia chorar.
Não eram sete horas da manhã,
ou talvez fossem no teu coração,
pois às oito e meia deixaste de falar.
Roubaram-te o ar tão necessário ao teu único pulmão.
Teu corpo cansado, agora mais exausto,
apanhava da vida o último hausto.
Sem palavras, sem um grito ou gemido quase a sorrir,
a conduzir, partiste no teu posto, de pé, como os heróis
baixando apenas teus lagos azuis, quais faróis
que se apagam, deixando a mais negra escuridão.
Nesse dia, passaram sem bater as sete horas da manhã:
Serenas, escondidas, cada uma soando vã
Apenas deixando no ar ecos de solidão.


Donzilia Martins

DILERCY ADLER
 
AMORES HUMANOS

Amores possíveis
desperdiçados
nunca vividos
por se deixarem imperceptíveis

amores impossíveis
sonhados
nunca concretizados
mas intensa e doloridamente
desejados

amores platônicos
tão intensos em desejos
impregnados de angústia
que brotam do peito
e sangram
sangram
sem esperança ...
de se completar
plena e vorazmente
... no sexo

amores previsíveis
tão claros
-às vezes chatos-
com início
e
fim
doce e amargamente
prognosticados...

amores imprevisíveis
que surpreendem
quando chegam de repente
parecendo surgir
do nada
mas com intensidade
assustadoramente
inexplicável!

amores sofridos
que fazem doer
a dor de senti-los
tirando o prazer
perduram às vezes
na vida de quem os tem
tanto...
tanto tempo!!!

amores tão calmos
pobres de emoção
cheios de pudores
que aborrecem até
os mais tímidos
e desencantados corações!

amores tão tórridos
como o teu
que deixa a minh'alma
ardendo em paixão
jamais tive igual...
... jamais terei igual!!

Dilercy Adler
 
EDA CARNEIRO DA ROCHA
“Poeta Amor"
 
ELA É POESIA...

Ela é Poesia
Nos ares, nos mares,
Em meu coração!

Ela é Poesia
Em forma de canção.
Ela é Poesia na minh'alma cansada
Que espera uma unção...

Uma unção de beijos, abraços
Sacrossanta Poesia
Em forma de emoção!

Ela é tudo o que sonhei
Sai de meu coração
Em letrinhas pra dizer
Do meu Amor por Ela

Por Ela sou feliz
Canto e decanto meus Poemas,
Nas Asas da Imaginação.

Tudo me dá
Sem nada cobrar
É Poesia da Alma
Em forma de Oração!

E a Este Jesus Amado
Agradeço esta Inspiração
Que chegou de mansinho
No meu verdadeiro ninho.


********

UM OLHAR DE ESPERANÇA

Enquanto tiveres olhos, para olhar e não para ver, saberás que a Vida
está aí, para ser vivida!

Olha, com estes lindos olhos que Deus te deu e saberás que não tens
um olhar cansado, desesperançado, pois ainda tens muito para viver.
E, a cada dia, descobrirás, com Alegria, novas coisas
que ainda não tinhas percebido, pelo caminho da Vida,
esta estrada sinuosa, às vezes, complicada, que nos leva à Tristeza,
à Dor e não queres mais enxergá-la.

Não!

Não é assim!

Deves insistir e ver, olhar, enxergar, se perscrutar o que ainda
não fizeste e o que gostarias de fazer.
Este teu olhar me diz tanta coisa...

E eu vejo alguém, que, às vezes, baixa os olhos e sente vontade de chorar.
Mas é um choro de emoção, por tudo de bom que escuta, vê e entrevê,
nas linhas de seu coração.

Não é mais um ser cansado.
É antes, alguém que quer ser feliz, e quer que a Felicidade vá lhe fazer companhia.
E ,ela ,sorrateiramente, vem chegando de mansinho, quer se aninhar em teus braços e aí fazer morada.
É preciso que contribuas com ela e a deixes ficar.

Sou Utópica?


Talvez...


Mas, se não tivermos um pouco de Utopia o que será de nossa Vida?
Vive, Sente, Olha, Ama a tudo e a todos, fazendo da tua vida um
Porto Seguro, onde outros seres te darão a mão.

Então, não estás sozinho (a) como o pensas.
Estás amparado (a) por esta Lei Divina que é a Esperança.

Então: Vê, Olha, Enxerga e Sê Feliz.


*******

Agradeço o Carinho do convite da Antologia do Portal CEN - ”Cá Estamos Nós” e Centro Cultural Maria Beatriz. Há muitos anos, tenho o prazer de escrever neste Portal de literatura Usófona.

Um abraço de gratidão da amiga

Eda Carneiro da Rocha
“Poeta Amor"
 
ELIANA ELLINGER
 
AH! QUANDO ME OLHAS...

No teu olhar refletindo
as ondas verdes do mar,
veio a ternura emergindo
para fazer-me te amar...

Hoje, quando me olhas,
um forte imã me atrai
e deixo-me ir navejando
na onda que vem e vai...

Eliana Ellinger
  
 
ELCIANA GOEDERT (CIÇA)
Curitiba PR) - Brasil
 
RESILIENTE

Sempre sigo em frente, meu bem
A vida assim tem me ensinado
É o que sei fazer de melhor
Ergo a cabeça, nem olho pro lado
Pareço até tratá-lo com desdém.

Mas não, não sou fria! Nem vem...
Aprendi a (sobre) viver sozinha
Minha presença não é imposta
Nem me faço de coitadinha
A dor que sinto é só minha
Essa eu não mostro a ninguém.

¨¨¨¨¨¨

A TERMO

Palavras...
Palavras...
Ao vento...
Ao léu...
Lançadas pela janela
Chegaram ao meu céu.
Mas, eram só palavras...
Sem sentimento...
Palavras apenas...
Sedutoras
Alucinógenas
Convenceram-me
Agora cessaram,
Emudeceram.

Elciana Goedert (Ciça)
 
  
FÁTIMA GONÇALVES
São Gonçalo do Amarante (RN) – Brasil
 
QUEM FUI E QUEM SOU?

Minhas raízes são de herança
Quando nasci e ainda criança
Fui fundamentada no tradicional
Num contexto nacional e internacional

Meu pai me fez e me criou
Para o ensinamento do senhor
Tinha que cumprir uma missão
Educar uma nação com foco na religião

Cumprir, bem ou mal eu fiz
A arte de ensinar bem feliz
Meu pai, ah! Meu pai, mal sabia
Que não só a ele eu pertencia!

Fui crescendo e se desenvolvendo
Fui além da visão de Coménius
Rousseau por mim se interessou
E me transformou na arte de ensinar amor!

Meu pai Coménius, protestante calvinista
Fez da filha uma técnica e idealista
Que usasse a educação de Cristo Jesus
Para tornar o homem mais próximo de Deus!

Final do Sec. XVIII a 1920, fase de consolidação
Das Ciências Modernas e confusão
Pois eu, Didática, não fui aceita como Ciência
A mim só restava ter paciência!

Mas, entre 1920 a 1960, enquanto ideologia
Saí do Tradicional, mas não da Pedagogia
Ainda sou uma disciplina da área pedagógica
A Ciência da Pedagogia me dar sentido e lógica!

Sou autónoma, mas não sou ainda Ciência
Enquanto progressista ou escolanovista tive influência
Do mundo do progresso onde não cabia mais ensino tradicional
Era preciso ensinar "aprender fazendo" como foco fundamental!

Como tudo nesta vida, mudei mais uma vez
Deixei a ideologia humanista de vez
A era industrial não foi o meu mal
Porém, me fez ser tecnicista formal!

Dos anos noventa à atualidade
Sinto na pele os desafios da produtividade
Vejo-me em constante transformação
Preciso ser um processo de articulação

De técnica, ideologia e política
E cada vez mais me identificar
Com o ensino da teoria e prática
Para finalizar vou eu me demarcar

Sou a Didática diferente de metodologia
Não sou educação nem pedagogia
Usufru delas para me fundamentar
Eu simplesmente sou a arte de ensinar!

Fátima Gonçalves
 
   
FATIMA MELLO (FOFINHA)


SOU MULHER, E DAÍ?

Sou mulher, e daí?
Quando precisei ir à luta, eu fui...
Quando precisei ficar acordada,
embalando o filho que chorava, fiquei...
E daí? Sou mulher...
Mas qual a diferença em ser mulher?
Só porque uso vestidos,
calço sapatos altos,
me pinto e sou vaidosa?...
Afinal, ainda sou mulher,
mesmo quando trabalho dia inteiro,
volto pra casa e ainda tenho o que fazer:
lavar, passar, cozinha, ajudar nas lições...
Ainda continuo sendo mulher,
e daí?
Quando tenho que trocar lâmpada,
consertar algo em casa,
ainda assim, sou mulher, e daí?
Fui mulher em todas as horas,
na cama, na rua... E daí?
E continuo sendo mulher!...
Nada me tirou o brilho,
nem o sorriso dos lábios cor carmim...
Se tiver que arregaçar as mangas
e ser o arrimo da casa,
não deixarei de ser mulher,
e daí?...
O que é, mesmo, ser mulher?...

Fátima Mello (Fofinha)
 
   
FRANCISCO FERREIRA
Conceição do Mato Dentro (MG) Brasil
 
PERPETUAÇÃO

Nos desvãos do chão
formiga fincou casa
e ergueu nação.

Nos devaneios da árvore
sabiá fêmea plantou ovos
e raiz de pura cantoria.

No embaixo da pedra
besouro rolou tesouros
e construiu novos escaravelhos.

Nas revoadas de lodo
mandis babam e desbabam
novos cardumes.

O sol desdobra a manhã e estende,
rega a raiz do dia
e da corda no carrossel da vida.

Francisco Ferreira
 
  
GILBERTO CARDOSO DOS SANTOS
Santa Cruz (RN) - Brasil
 
LAMPIÃO

Virgulino Ferreira, Lampião,
Nordestino valente, aventureiro,
Foi herói e poeta, bandoleiro,
Que ganhou na história projeção.

A princípio, era só um artesão
Que alpercatas fazia, costureiro
Muito hábil com o couro, sanfoneiro
De destaque na sua região.

No entanto um soldado, o Benedito
Caiçara, no auge de um conflito
Ao pai dele sem dó assassinou

Tal soldado, metido a justiceiro,
Sem querer deu à luz um cangaceiro
Que lendário com o tempo se tornou.

Gilberto Cardoso dos Santos

GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA
Nazaré (BA) - Brasil
 

NUVENS NORDESTINAS

Hoje é uma linda noite. Um foguete pipocou no ar.
O céu está cheio de nuvens semelhantes a ilhas.
Parece um mapa.
A lua se esconde e tudo escurece,
As nuvens se assemelham
Às terras secas e quebradas
Dos sertões nordestinos.
Agora elas se separam
Cada vez mais e mais.
Vão se desintegrando,
Deixando o domínio para a lua.
Neste momento, o céu é uma paisagem.
A lua clareia o infinito
Que se torna azul escuro,
Azul puro dos oceanos.
O azul do céu que é um oceano,
Vão invadindo as nuvens que são as ilhas.
O bravo e pacífico oceano
Vão destruindo as ilhas que também são resistentes,
Bravas, fortes e pacíficas.
Agora, o oceano afundou algumas ilhas.
As que restaram se uniram
Formando uma grande ilha,
Com a forma de uma baleia.
E a baleia era viva.
E por ser viva, espirrou seu jato d’água
E molhou a terra.
Era chuva para os nordestinos
E eu acompanhei tudo
Do meu posto de observação.

Gilberto Nogueira de Oliveira
18-08-1968
  
GISLAINE CANALES
 
Glosando Flávio Roberto Stefani

(Glosando uma trova sem verbos)

NÓS DOIS...

MOTE:

Meia luz... noite... a vidraça...
A cama... o beijo... e depois...
Um brinde... o champanhe... a taça...
O amor... o sonho... nós dois...

Meia luz... noite... a vidraça...
a lua... o céu... o luar...
o encanto... o vento com graça...
o sereno... a flor... o lar...

O quarto... lençóis... cetim...
A cama... o beijo...e depois...
volúpia... desejo enfim...
eu e você juntos... pois...

Beleza... as flores... a praça...
brisa... seresta... canção...
um brinde... o champanhe... a taça...
Magia... vida... afeição...

O enlace... a paixão... o verso...
hoje... amanhã... o depois...
o infinito... o universo...
O amor... o sonho... nós dois!...

Gislaine Canales
HELOISA CRESPO
 
SER (PENTE)

Gente
Que mente.
Infelizmente,
Maledicente.
Provavelmente
Presente-ausente.
Delinquente
Carente.
Ente
Impunemente
Agente.
Profundamente
Descontente.
Visivelmente
Conivente.
Naturalmente
Insolente.
Escandalosamente
Incoerente.
Socialmente
Doente.
Ser  pente!

Heloisa Crespo
HERALDA VÍCTOR
Florianópolis (SC)- Brasil
 
QUISERA

Trocar as folhas verdes do meu colo
Pelo azul celeste dos teus olhos
Cavalgar na tua pele passo a passo
Embriagar-me em cada onda de suor
Ficar presa no aconchego de um abraço
Degustar o doce dos teus lábios
Colher e saborear o teu melhor.

Quisera possuir na madrugada
Teu gemido satisfeito aos meus apelos
Entrelaçando de beijos meus cabelos.

Quisera num embalo apaixonado
Ao murmúrio da melodia dos amantes
Fazer de ti meu homem ser tua mulher
Amar até o fim de e te fazer adormecer em mim.

Heralda Víctor
 
HUMBERTO RODRIGUES NETO
 
CONTRA-SENSO

Quem dera, oh... Deus, o ser humano fosse
mais fraternal e mais cristão, de sorte
que não herdasse o instinto de Mavorte,
contrário à vida, que é tão bela e doce!

Quanta alma pura fez de Ti o suporte,
e ao mal que nos judia contrapôs-se!
Quanta alma vil, de Ti distante, pôs-se
a criar engenhos de tortura e morte!

Estranha grei de gênios e estafermos,
num conúbio de crentes com pagãos,
eis o que é o homem nos exatos termos!

Sujeito a instintos nobres ou malsãos,
concebe a Ciência pra salvar enfermos
e inventa a Guerra pra matar os sãos!
  
Humberto Rodrigues Neto

 
 
IRAÍ VERDAN
Magé (RJ)
  
PRISÃO

Rondel

Tua prisão pode ser uma sala,
Um quarto, ou um banco de jardim...
Prisão sem grades, tal senzala!
De algemas invisíveis, e solidão sem fim.

Perguntas a todo instante: o que fizeste a mim?
Deixaste-me na cela fria, onde a voz se cala!
Tua prisão pode ser uma sala,
Um quarto, ou um banco de jardim...

Agora, prisioneiro do coração, soltas a fala,
No aconchego da tua sala, entre cortinas de cetim...
A recordar o amor perdido, sem garbo, sem gala.
Entre grades, esquecido, dizer: existe exílio assim?
A tua prisão pode ser uma sala...

Iraí Verdan
  
 
ISMAEL MACHADO
Campo Grande (MS) - Brasil
 

Ah! Por que razão?...

Eu não sei das flores qualquer traição. Eu nem sei sequer por onde elas, depois de mim, ressequidas, se vão...

Eu não sei dos mil flertes os seus descasos, que em instantes desfizeram inteiros romances. Não sei desse amor maltrapilho, aos frangalhos e em relações de portas abertas ao sussurro de quaisquer ventos.

Possíveis amores sem as bodas de papel, nem de algodão, amores fáceis, amores vãos, triturados pelos dias e pelas cruéis rotinas.

Não vigorará a falsidade em lábios torpes, sequer o que se contrapõe ao mais sincero sentimento, corrente em melodia nest'outras veias inocentes.

Ah! De fato, eu não gosto disso, dessa falta de compromisso. O amor em si não é livre, posto que se prende por vontade ao cântico poético e sob a luz da lua em plenilúnio.

Contudo, liquidificado nesses dias maus, o amor escorre aparentemente livre, em decepções, pela máscara do rosto, segue coalhado de confusões e de desilusões concretas depositadas no assoalho dos corações.

Entretanto, eu sei quão bem aquelas belas quanto singelas flores me caem, me cairão, colocadas sobre o madeiro do meu caixão, cujas tábuas foram tombadas com lágrimas.

Ismael Machado
 
IVAN BRAGA
  Taguatinga (DF) - Brasil

LEÃO SOMBRA DO NORTE FONTES

Silêncio
O silêncio absoluto
Anuncia o nome
Do poeta de mão cheia
Verbo que se pronuncia
Sombra que clareia
Palavra que se cria...
Cantiga de amigo
Brotando da fonte leonina
Norteia o verso que abrigo
Na grande nação nordestina
Leão amansa o coração
Que alcança a poesia
Do Riacho Branco da canção
O sonhador de chapéu
De terno azul
Presente da fina ternura do amor
As almas sentem seu calor
Além muito além do Sul
Zenilde sabe muito bem
Da arte do cantor
Sua alegria diamantina
Vem lá da Bahia
É tão bom voar com o nosso condor
Voar Piauí Brasília Brasil
Universo em cantoria
É tão bom cantar
Com o verso do amor.

Ivan Braga
 
IVONE BOECHAT
 

RECLAMAÇÃO
  
Dei de cara com a poesia,
fui logo perguntando:
- por que tanta covardia,
me acordar assim,
noite e dia,
pra escrever coisas
que vem
voando pelo ar,
que nem posso entender ?
A poesia se defendeu,
-se você não entende, nem eu!
é meu destino atrever,
nasci pra inspirar,
sou despertador
de emoções,
toco nos corações,
sou mensageira
do amor.

Ivone Boechat





ISABEL C S VARGAS
Pelotas (RS) - Brasil
 
RECADO DO SOL

Amanheceu e o sol apareceu
Com toda sua intensa beleza
E, sem se fazer de rogado,
Mandou avisar que todos levantassem
Para aproveitar todas as suas benesses.
Seus raios dourados para aquecer os corpos,
Sua luz para enfeitar o planeta,
E as mil outras possibilidades
De ver a vida acontecer:
As sementes crescerem,
Os tons das coisas se destacarem,
A água do mar aquecer
E nos proporcionar a limpeza do corpo
E da alma de toda a negatividade.
O sol os ensina lições.
Todos os dias se doa gratuitamente,
Para todos que dele dispõem
Com sabedoria e sensatez.
Às vezes, se recolhe, atrás das nuvens
Para nos dar a oportunidade de percebermos
Sua grande e eterna importância em nossas vidas.

¨¨¨¨¨¨

Crônica do dia a dia:

Salva-Vida

 Meu dia parecia que não teria nada de excepcional. Só as tarefas rotineiras. Entretanto, quando se tem seis cães em casa, sendo dois ainda bebês não dá para garantir que assim será. Na realidade, tenho cinco, mas estou hospedando uma de minha filha que tem apenas um ano e chama-se Sol. A princípio deixei separada das outras que andam na área da piscina. Depois fiquei com pena e a soltei, deixando-a junto da Brisa e da Nenê, meu encanto sem raça definida, mas de uma formosura sem igual, perfeita, com as cores preto e branco dispostas simetricamente, nas quatro patas e no lombo em forma de coração.
Era anoitecer de sexta – feira quando fui à cozinha e ouvi um barulho de água nos fundos. Abri a porta, rapidamente, e vi a Sol se debatendo perto da escada, Brisa correndo em minha direção e a Nenê correndo em direção da Sol. Gritei para ela esperar que já ia tirá-la de lá, embora ainda tivesse que subir a escada de três degraus do deck.
Só aparecia sua cabeça baia. Quando dela me aproximei ela já estava com a metade do corpo para foram sendo puxada pela coleira pela Nenê. Amei ver o instinto solidário. Puxei-a para fora, de imediato.
A seguir, ambas pularam alegremente em meu peito e até ganhei uns beijos da agradecida Sol.


Isabel C S Vargas




ISABEL FURINI
 
ORIGEM

o vento da vida
transita  sobre os jardins
e agita as cores
de todas as flores

os seres humanos
observam as flores,
mas são aprendizes
e ignoram
que a fraternidade
e a crueldade
dormem nas raízes.

¨¨¨¨¨¨
MONÓLOGO DO FILHO DE PEDRO PÁRAMO

foi minha mãe que me disse para ir a Comala
até personagens temos um passado
de traumas e às vezes de fracassos
o ontem
nunca é completamente abandonado
memórias opacam percepções
(sempre restam entulhos de emoções)
e eu continuo neste povoado empoeirado
de ódio e solidão

prisioneiro do tempo
nas palavras exprimo o ontem
e o amanhã
mas temo o açoite do ódio e dos leitores

esse vento de Comala roça as mortalhas
e se pode perceber o rompimento
das frases e dos ecos
e a carta já foi lacrada
e marcada pelo destino
nada mais falarei - nada
minhas palavras não quebrarão o gélido alento do destino.

Isabel Furini
  
 
IZABEL ERI CAMARGO
 
ÁGUA

Água corre no leito
deitada no mesmo lugar
lava o rosto lava a alma
hidrata o corpo e a mente
energiza o vivente
cura protege
alimenta sem sabor
acalma a vida
tira a dor
sacia a sede com amor
água da hidrosfera
água da atmosfera
água geocêntrica
cristalina sorridente
presente em todo mundo
do Jordão ao Amazonas
fluida abençoada
da saúde é convidada
dá brilho e beleza mil
à riqueza do Brasil!

Izabel Eri Camargo

JACÓ FILHO
 
SANTA POESIA
                           
À luz da poesia Deus me permite,
Trazer de volta teu amor perdido...
E de tanta alegria, tua alma grite,
Mas te silencie um beijo merecido...

Da benção poética, que partilhas,
E para isso, sem nenhum esforço...
A libertação dum angu de caroço,
É a nova senha que na lua, brilha...

Pedidos secretos e céus em juras,
A cada verso dizendo que te ama,
Reafirma ilusões de eterna chama,

Pra tanta tristeza sucumbir à cura...
Mudando atitudes, lençóis e cama,
Nos braços do poeta, que declama...

Jacó Filho
 
JANETE SALES DANY
São Paulo - Brasil
 
CORAÇÃO NA MÃO

Eu vou dormir na solidão
Sonhar com uma paixão
E acordar com o coração na mão!

Eu vou seguir por árduos caminhos
Fingir uma alegria, sorrindo
Vou rir e caçoar do meu destino!

Eu vou subir a mais alta montanha
Lá em cima, eu vou comemorar a minha façanha
Ah...se depois eu não conseguir descer,
eu vou morrer de vergonha!

Eu não vou deixar uma lágrima sequer sair do meu olhar
Vou fazer de tudo para esquecer o meu pesar
Difícil será carregar no meu intimo todo este mar!

Janete Sales Dany


 
  
JANSKE NIEMANN SCHLENKER
 
MÃOS

Tuas mãos
minhas mãos
nossas mãos

Ontem
tuas mãos inquietas
minhas mãos saudosas
nossas mãos ensaiando gestos

Hoje
tuas mãos mais longe
minhas mãos mais frias
nossas mãos desejando um toque

Amanhã
tuas mãos talvez indiferentes
minhas mãos mais desamparadas
nossas mãos para sempre na saudade

Janske Niemann Schlenker
JÚNIO LIBERATO LUZ
Taquaraçu/Piranga (MG) – Brasil
 

SEPULCRO DE SORRISOS

Muitos sorrisos que eu conheço,
Há muito já criaram teia de aranha,
Enferrujados em meio a tristeza,
Trancafiados na imensidão da melancolia,
Verdadeiros reféns desta trama.
Lábios amargurados e atrofiados...
Maltratados, sem mais razões para sorrir...
Pois lá no fundo, sentem vergonha!

Lábios que ainda beijam,
Porém, sem nenhum vestígio de amor,
Que lamentam os pesares,
E expõem a sua dor,
Que se calam, sem querer...
Lábios frios, sem sabor.
Sem valor. Desfigurados.
São lábios tão tristonhos,
Tristinhos, estilhaçados...
Como cacos de vidro quebrado,
Que dá pena, que dá dó!

Lábios avermelhados,
Secos, rachados...
Talhados pelas lembranças amargas,
Traçados por um caminho sem volta,
Perdidos em meio às tantas tragédias,
Sem esperança de boas novas...
Lábios que não sorriem mais,
Que não têm mais motivos para o fazer,
Que talvez, pela falta de amor,
Ou pela fartura de saudade,
Se perderam do real prazer:
De sorrir, de cantar, de falar...
Se afastando da felicidade,
Em função da dura realidade,
Que é a vida de quem já se esqueceu de viver...

 20 de março de 2017

¨¨¨¨¨¨

BADERNA INTERIOR

Entrei em seu coração,
E me surpreendi:
Teias de aranha espalhadas,
Dependuradas pelos cantos das paredes!
Um mal cheiro forte,
E uma bagunça tremenda,
Uma confusão infernal!
Um verdadeiro coração de pedra!
Tão fechado e frio,
E ao mesmo tempo vazio...
Semelhante a uma noite escura,
Ou será um dia sombrio?
Bem, a certeza que tenho,
É que causa em mim tamanho arrepio!

A trilha sonora até que não é tão ruim,
Um solo de metal pesado,
Sinfonia fúnebre aos meus ouvidos,
Melodia auspiciosa?
Talvez...
Seu interior é mesmo uma baderna,
Bem diferente do meu!
Mas nem tanto!
Dentro de mim há uma rebelião gigantesca!
Coleciono lá meus desejos,
Sinto também alguns medos...
Medo de escuro,
Dos espinhos de rosas,
Que perfuram meus dedos,
Sem piedade!
Dos estilhaços espalhados,
Das taças de vinho quebradas,
Dos retalhos ao chão jogados,
Das costuras mal-acabadas do meu destino!
Há um cheiro de álcool,
E também de pólvora!
Xícaras de café cheias,
Do antigo porcelanato de família,
Há fotos, e antigos livros de história!

Às vezes tudo se perde!
Depois acho de novo,
Mas tudo com o mesmo cheiro de velho,
Nunca há novidades por aqui!
E agora, o que me resta fazer?
Acho que farei uma faxina!
Organizar tudo,
Há muita tralha aqui...
Lembranças que não somam,
Saudades que assombram,
Fome de justiça,
Sede, rancor, lágrimas... Suor, saliva...
Mal humor, isenção de amor...
É tudo o que eu tenho!
Mais que você até!
São minhas tralhas,
Meu patrimônio! Meu "tesouro",
É o que me resta!
Já que nada mais me importa...

Júnio Liberato Luz
30 de março de 2017

 
 
JAX
 
A VIDA QUE LEVA

O despertador acordou-o pontualmente para mais um dia. 

A refrescante pasta dental, conjugada com a escova de fios de nylon macios, deixou em sua boca um delicioso sabor de hortelã. 

Foi, então, a vez do chuveiro, que o banhou numa ducha vigorosa.

O fogão a gás esquentou a água para seu café matutino.

O espelho lembrou-lhe, a tempo, de que sua barba estava por fazer. A ação pronta do barbeador elétrico, novidade do gênero, sanou o problema.

A seguir, camisa, terno e gravata vestiram-no elegantemente, com a pronta ajuda dos confortáveis sapatos de cromo alemão. 

Seu automóvel o conduziu ao escritório, onde os papéis do dia já o esperavam.
O microcomputador, recém comprado pela companhia, foi extremamente eficiente na execução do serviço.

O refrigerante bem gelado saciou sua sede durante o almoço, na lanchonete próxima.

Às cinco da tarde, o relógio de ponto avisou-o de que podia retirar-se do trabalho e o fiel automóvel o reconduziu de volta ao lar.

À noite, a televisão cuidou de contar-lhe tudo que ocorrera de interesse ao longo das últimas horas pelo mundo afora, enquanto o ar condicionado minimizava o calor forte que fazia.

A luz apagou-se enfim, para que o colchão ortopédico embalasse seu sono.
E ele pôde então sonhar. Era só o que lhe restava a fazer.

¨¨¨¨¨¨¨¨

MANHÃ DE SOL

Muitos acordaram cedo naquele lindo dia em que os pássaros acompanhavam, com seus trinados, o canto do despertar. O sol, claro e brilhante, mas ameno, convidava os personagens matutinos a ganharem a rua.

O leiteiro corria, a puxar sua carroça com as garrafas a tilintar, e mais parecia flutuar, graças a seus inaudíveis calçados de borracha macia. O velho padeiro murmurava bons dias roucos a seus clientes madrugadores enquanto puxava os pães do grande cesto acoplado à bicicleta.

A poucos metros dali, o carteiro, assustado, esquecia o sagrado lema de sua profissão para fugir do boxer rabugento da casa 41. Empregadinhas riam da cena, do outro lado (seguro) da calçada.

O primeiro choro logo cessou, trocado pelo sorriso da criança ao avistar o gato que corria em direção ao terreno baldio. Sua babá também sorriu, pois seu “gato” caminhava em sua direção, trazendo flores.

O apito do mestre-de-obra apressava os homens que chegavam à construção, ainda a discutir os resultados esportivos do final de semana.

O vaivém das gentes aumentava cada vez mais. Chegou a hora do vendedor ambulante que gritava, ou melhor, cantava: COLcha de CHIINIIIIR! A ele já se somava outro conhecido anunciante: GARRAFEEEEIIIIRO!

Alguns paravam momentaneamente, como a contemplar e avaliar aquele momento, talvez em busca de verdades e conclusões que logo ficariam esquecidas.

Os minutos corriam, virando horas. Horas agradáveis em que o brilho do sol e os rostos ainda descansados da manhã faziam acreditar no esplendor da vida. Tudo tão belo e aprazível que o jornaleiro nem se atreveu a pôr na banca o jornal, cuja manchete denunciava, gritante: “Massacrada toda uma família!”.

Textos extraídos do livro "Traços e Troças",
publicado em 2015 pela editora Lamparina Luminosa (SP)
Texto original de 3/1/72, modificado
Texto original, sem título, de 12/1/74
Título introduzido em junho de 201

Jax
JOÃO COELHO DOS SANTOS
 
NA PENUMBRA DAQUELE BAR

Na penumbra daquele bar,
Versátil, sedutor,
Usa, mais que indiferença, hostilidade.

A fatalidade não é um dom
De combate ao derrotismo.

Na penumbra daquele bar
Não sabe como controlar
Lágrimas, emoções, esperanças,
Hesitações, delírios do coração.

Triunfante, via tocar o eterno fantasma,
Esse incerto ídolo longínquo
De fogosas especulações,
Excessivamente confiante na sua estrela.

Na boca gulosa mantinha um desprezo hostil
Pelo pó do passado e anunciava o futuro
Na penumbra daquele bar.

Não ouvia senão sua própria voz
E frases inacabadas.

Sem tristeza disse adeus
As grotescas esperanças,
À banalidade da existência,
Ao idílio escrito no céu,
Na doçura de crepúsculo
Na penumbra daquele bar.

Cruelmente decepcionado percebeu
Que era falacioso seu álibi.

¨¨¨¨¨¨

SE EU FOSSE

Se eu fosse
Dono desse sorriso travesso,
Se eu fosse
O grito do silêncio em garganta rouca…

Se eu fosse
Poema que não morre e corre ao vento,
A todo o tempo conheceria as idades
De meu corpo e de minha alma.

Se eu fosse
Paisagem alagada de sol,
A cada madrugada sucederia novo dia.

Se eu fosse
Vaporoso fantasma de diáfana palidez,
Apagaria as chamas
Do olhar com que me chamas.

Se eu fosse
Quimera dolorosa,
Sentiria renascer a paixão da mocidade.

Se eu fosse
Só e voasse como pássaro perdido,
Saberia que, depois da perda,
Se escutam vozes que se calaram.

Se eu fosse
Como a borboleta
Que levita de flor em flor…

Se eu fosse
Porto sem barcos sem água
Sem docas nem gaivotas…

Se eu fosse Prometeu
Que ambicionou o fogo do céu…

Se eu fosse
Feiticeiro e alquimista,
Não queria tanta gente a chorar,
Nem que lhe restasse só a solidão.

As lágrimas também padecem.


João Coelho dos Santos
 
 
JOSÉ ERNESTO FERRARESSO
Serra Negra (SP) - Brasil
 

COBRIR-TE COM  BEIJOS!

Na penumbra dum quente anoitecer
quero te aconchegar e te envolver
para ouvir palpitar teu coração,
pleno de anseios e voraz tesão!

Não tenhas medo de eu te abandonar
e permitir possa alguém desfrutar
desse obsceno e sensual prazer
que gostas tanto de me oferecer!

Nesses momentos de eróticas magias
satisfarás em mim tuas fantasias;
pra saciar do teu corpo os desejos
darás em mim os mais proibidos beijos!

Que ocasiões alegres, meu amor,
teremos ambos em total furor,
e então alheios à tristeza ou pasmos,
teremos voluptuosos orgasmos!

José Ernesto Ferraresso
JOSÉ CARLOS DE ARRUDA
 

PÁSCOA

Na correria de todo dia
ninguém imagina a importância
que a data significa.
Crianças a brincar
lambuzando-se de chocolate
cansadas ao fim da tarde
família reunida ao redor da mesa.
Terminou a quaresma
tudo se adaptando novamente,
vida que segue.
Vai acabar o domingo!
Domingo de Páscoa!
Fertilidade, essa a palavra chave.
Nesta data tão importante para a família.
Feliz Páscoa.
Que a fertilidade possa renascer
em cada coração.
Paz para a humanidade.


José Carlos de Arruda
 
 
JOSÉ HILTON ROSA
 

FOGO NAS PATAS DO INIMIGO

Caminhando como cobra
Procurando alimento
Na escuridão do pensamento
Enxergando como dragão
O cheiro ríspido vindo com o vento
A cor da alma lhe convalesce
Reino animal
Fonte de todos os servos
O silêncio lhe faz presa
Falso grito de ódio
Fechando os olhos para atacar
Planta que não dá semente
Fino tato nas presas
Ataca como fogo em mato seco
Fenda inútil do saber
É o inimigo da vida

¨¨¨¨¨¨

ABANDONO DE CIDADÃO

Caminhei, caminhei
nunca cheguei
cansado, chorei
gritei, para ninguém

O sol me queimou
a chuva me molhou
o tempo secou minha roupa
esqueci e caminhei

Sobrevivi com o tempo
gritei, ninguém ouviu
fui barrado, quando queria
meu coração quase parou

Sem força, perguntei para mim mesmo
onde posso chegar?
resolvi caminhar
caminhar sem cansar, não gritar

Perguntei meu pai no céu ou no inferno
não obtive resposta
apenas lembrei seu exemplo
esqueça filho, esqueça

Resolvi parar e deitar
dormi sob o tempo
era claro não vi escurecer
recebi a noite como companheira

Vida faceira
permaneci ali
enquanto o latifundiário deixou
com ameaça me expulsou


José Hilton Rosa

 
 
JOSE LUIZ DA LUZ
 
EU TE DESEJO

Desejo, se ímpios plasmarem tua cruz.
Com exato fardo ao teu suor verter.
Que esmeres bem tua alma ao oferecer.
A certeza do perdão, e tua luz.
Que haja feito na pira do coração.
O fulgor justo de um verdadeiro irmão.

Desejo que tenhas o discernimento.
Que pondera quem desliza, e quem odeia.
Para que a sabedoria que permeia.
Dê ciência, e que exales entendimento.
Que não morra de tua alma esta ternura,
que possa afagar o afã de outra alma impura.

Desejo, se as tuas lágrimas furtarem,
dos teus mistérios o amor do coração.
Que tu interpeles tua própria razão.
Tendo ânimo para teus pés palmilharem.
Que tu ouças a voz que te fala em segredo.
De quanta vida virá após o degredo.

Desejo que sejas jovem no plantar.
Maduro na ceifa, tendo o joio e trigo.
E ancião no atar boa colheita ao abrigo.
Cada idade tem sapiência ao trabalhar.
Que saibas da força que abre uma semente.
Que entre as pedras explode folhas contente.


¨¨¨¨¨¨¨¨

TEMPORAL

Taça transbordante às nuvens alçadas,
que lava o chão, que roça os panteões.
Só não lava as doridas ilusões.
Só não apaga as chagas abrasadas.

Exaure o temporal, mas deixa o frio.
Que mirra as tênues pétalas das flores.
Só não mirra do peito aflito as dores.
Só não gela da alma o fogo bravio.

Vai-se o temporal, fica a aluvião.
Que carrega as flores, agita o mar.
Só não carrega as vagas do pesar.
Só não exime do sangue um tormento.
Mas ficam os nimbos de brisas pálidas,
no plúmbeo céu, escurecendo o mundo.
Vem trazendo agonia ao moribundo,
embebido das cidades inválidas

E da torrente a névoa se levanta.
Faminta sonhando com o arrebol.
Fitando a abóbada, querendo o sol.
Dorme nas nuvens que o vento balança.

Se esconde a estrela, desvairando o céu,
que luzia às chagas do desabrigo.
É senda que esconde o reluz amigo.
Ficou solidão nas sombras do véu.

A aluvião da lagoa incha a campina.
Às flores silvestres, mostra seu lodo.
Lava as pétalas com o seu engodo.
Leva o perfume, e as deixa a ruína.

Nos telhados a chuva é fresquidão,
mas o sono do silêncio descora.
Aos seios nus, o coração devora,
na tremente casa de solidão.

José Luiz da Luz
 
 
JOSÉ ODMAR DE LIMA 
Fortaleza - Brasil
 

O ZUMBIDO DA PAZ

Apreciei receber a paz em vida,
bem amim, por ti encaminhada,
dir-te-ei quão sincera foi sentida,
receber essa paz acalentada

Mesma paz te devolvo embevecida,
com desejos de quem o bem te faz,
pois, o bem traz a paz não esquecida,
esquecimento, em bom coração não jaz.

É assim, nessas épocas natalinas,
todos, ao outro, o bem maior se faz,
depois tudo fica mesmo para traz

Até parece ser tudo traçado pela sina,
porque o homem, em si, não é capaz,
somente pede, agradecer, nunca faz


¨¨¨¨¨¨

O TANSPORTAR DO SONHO

Ainda ontem estive com você,
Foi bom demais, eu não a via,
Quando acordei, catei você na cama,
Era mentira, você não existia.

Adormeci, tentei sonhar de novo
Pra ter certeza que você me queria,
Quanta tristeza, tive a certeza,
Neste retorno, você não me sorria

Agora quero sonhar de novo,
Porque no sonho, você me acaricia
Vem, vem, que eu te louvo,
Tamanho amor, assim virou mania

Ainda ontem estive com você,
Foi bom demais, eu não a via,
Quando acordei, catei você na cama,
Era mentira, você não existia.

José Odmar de Lima
01 de janeiro de 2016
 
LE MELO
 

SAUDADES DE MIM

Saudades...

Dos lugares que não conheci
Das palavras que não ouvi

Saudades...

Dos sonhos que desisti
Das pessoas que nunca mais vi

Saudades...
.
Das lembranças que no tempo perdi
Ando com saudades...
.
De mim...

Le Melo
 
 
LEOMÁRIA MENDES SOBRINHO
 
MALÍCIAS

Ousada e atrevida boca,
Preenche o mundo e expele,
Como chuva que cai na pele,
Gotas de saliva que toca.

Desejos que invadem a alma.
Carícias que distorcem as imperfeições.
Basta o sentido que se acalma,
Corpos e corações.

Em ritmo do vento são carícias,
Peças que conseguem se acoplar.
Conceito de natureza e amar.

Seres que se somam parecidas.
Os gêneros que somem destas vidas,
Unindo o sentimento a gozar.


¨¨¨¨¨¨

INCERTEZA

Viver de beleza
É não ter a certeza
Qual o futuro virá.

Explorar toda a mídia
Em sinal de perfídia
Jamais prevalecerá.

Em nosso tempo limitado.
Que passa livre e destravado,
Somos cobaias que desvanecerá.

Para que tanta besteira,
Passar no amigo a rasteira,
Se sozinho padecerá?

Prejudicar o seu irmão,
É que nem pegar a contra mão,
Pois, em meio ao caminho fenecerá.

 Leomária Mendes Sobrinho
25/03/2017

LILIAN ROSE MARQUES DA ROCHA
Porto Alegre- Brasil
 
RITMO INTERNO

Pulsação de corpos
Enovelados pela moeda da vida
A cada pulsar uma respiração...
A cada inspiração
Um ressoar de sensações...
Eu te olho,
Tu me olhas
E nós trocamos olhares.
A dança começa,
E a cada bailar teu
Meus olhos brilham,
Incendeiam e vibram em ti.
Respondes com um sorriso
E assim... Sinto-me grata,
Por mais uma vez
Encantar-me contigo.

Lilian Rose Marques da Rocha

LUIZ OTÁVIO OLIANI
Rio de Janeiro (RJ) - Brasil
 
O POETA E O OPERÁRIO
  
A MAIAKÓVSKI

o que difere
o poeta do operário?

na maquinaria
o trabalho braçal
dá lugar à escolha
de substantivos
verbos
metáforas

se um carrega cimento
terra areia
o outro esculpe o ser
talha a essência

se um usa espaçador de piso
espátula roldana
o outro opera em silêncio
na construção do poema

 Luiz Otávio Oliani
LUIZ POETA – LUIZ GILBERTO DE BARROS

 
MEU OLHAR DE SONHADOR

Menção Honrosa do Concurso do Jornal SEM FRONTEIRAS em 2016.
Luiz Gilberto de Barros – às 10 h30min do dia 18 de fevereiro de 2015 do Rio de Janeiro

Não tenho tempo de olhar roupas alheias,
Coleciono abstrações e conteúdos,
Carrego sonhos e emoções nas minhas veias;
Não tenho lanças, mas possuo alguns escudos.

Sou um ser vivo e como tal, tenho fraquezas;
É na leveza que construo meu poder,
A cada sombra minhas luzes são acesas
E é assim que busco, enfim, sobreviver.

Vivo meu tempo, ganho mais velocidade,
Quando a ansiedade me renova e energiza,
Amar implica ser feliz com liberdade

E mesmo quando alguém me traz alguma dor,
Minha vontade de amar sempre harmoniza
E suaviza o meu olhar de sonhador.

¨¨¨¨¨¨

JARARACUÇU

Segundo Lugar no Concurso de Crônicas da União Brasileira de Escritores - Prêmio José Olintho – 2016.

Era a década de 70. As ambulâncias não eram UTIs móveis, mas os profissionais de medicina eram muito mais atuantes e, mesmo primitivamente, usando o conteúdo de uma rústica mala de madeira,  com direito a gavetinhas que acomodavam os mais variados tipos de medicações emergenciais e seringas de vidro envoltas em páginas de listas telefônica esterilizadas em dinossáuricos autoclaves, os auxiliares de enfermagem eram franco-atiradores quando se tratava de primeiro atendimento e os médicos, normalmente do oitavo ano de medicina, tinham um eficiente estágio pragmático.
Eram excelentes e tinham a humildade para aceitar conselhos até de um motorista de ambulância, cuja responsabilidade era praticamente a de voar para o ponto zero, que eram as unidades hospitalares, com as quais comunicavam-se através das cabines de rádio, num transmissor do mesmo tipo que o da polícia militar.   
Segundo o paciente em estado semicomatoso, o mesmo havia ido pescar e, no retorno, parou-se com uma jararacuçu, um tipo de réptil que habita principalmente o serrado brasileiro, que pode atingir até três metros de comprimento, possuindo presas de até três centímetros. Seu veneno, sempre em grande quantidade, produz sintomas que vão desde o inchaço no local da picada, até a paralisação neurológica.
Não há estudos que informem sobre a possibilidade de uma ingestão alcoólica antes de algum acidente com esse temível réptil, tornar-se um antídoto natural, porém, milagre ou não, apesar das 12 horas ocorridas entre a picada, o atendimento e a aplicação do soro monovalente, o paciente recuperou-se após uma estada de sete dias na UTI do hospital Carlos Chagas (a propósito, não havia, naquela época, soros polivalentes, isto é, destinados a diversos tipos de ofídios, por isso era preciso – literalmente – capturar e levar a cobra para que o médico soubesse que antiofídico utilizar). E a tal da jararacuçu era enorme!
 Bem, voltemos ao nosso etílico herói:  como os peixes apenas beliscavam, o pseudopescador acabou ingerindo pelo menos uma garrafa e meia de cachaça.
Quando desistiu da pescaria e retornava pela lamacenta estradinha do rio à sua casa, deparou-se com o réptil em questão.
Bem que e ele poderia mudar de caminho, porém, trôpego e sem noção como estava, optou por desafiar o perigoso animal, que foi mais rápido que um raio e  o bote foi certeiro: as oleosas presas  cravaram-se na extensa bota de borracha do atrevido alcoólatra, sem, todavia atingir-lhe a epiderme.
O veneno escorria como um vermífugo daqueles da década de 50 e os apavorantes e odiosos olhos do predador  não se desviavam do desvairado transeunte que ria às gargalhadas, ofendendo-o com também venenosas obscenidades
O bêbado dançava, pulava e divertia-se com aquela cena chocante e ao mesmo tempo esdrúxula, quando a cobra finalmente soltou-se. Ato contínuo, diversos chutes – a maioria deles a esmo – foram desferidos e o viperino posto a nocaute.
Sentindo-se super-herói de si mesmo, o homem  apontou o indicador na direção da cabeça do réptil, que num suposto último estertor, cravou-lhe as presas praticamente sem veneno no dorso da mão direita.
Os palavrões multiplicaram-se, seguidos de mais alguns chutes e a cobra finalmente foi posta, a custo, no embornal que teria peixes como bagagem e encaminhados, ambos, ao hospital mais próximo daquele pedacinho de roça a pelo menos uns cem quilômetros.
Feitos os procedimentos emergenciais, o precocemente anestesiado cidadão foi direto para o Centro de Tratamento Intensivo, onde ficou entre a vida e a morte durante os sete dias supracitados, quando teve alta, livre, leve, solto e pronto para mais um antídoto a base de etanol.
Posteriormente à internação do alcoólatra envenenado, algo inusitado aconteceu no pronto-socorro. A cobra, que era a sensação da emergência estava ali mortinha dentro do embornal, até que um ilustre e novato acadêmico que parecia ter como especialidade a medicina veterinária, resolveu fazer uns testes no mínimo estranhos naquela paciente especial, jogando-lhe desde água oxigenada a soro fisiológico  na escamosa cabecinha.
Ele não conhecia as reações daquele ser e, por fim, não satisfeito com as insensatas e tolas ações que praticara, pingou-lhe  éter sulfúrico e o bicho, num átimo, para estarrecimento geral, levantou-se como uma naja e começou a desferir voadoras em todas as direções.
A sala de emergência virou um pandemônio. Naquele dia, os cardiopatas sobreviventes jamais enfartariam. Correu todo mundo: cirurgiões, enfermeiros, maqueiros, o pessoal do banco de sangue e todo o tipo de pacientes que ali estavam atendidos ou aguardando atendimento: foi uma alta geral sem prescrição médica!
De resto, a pobre jararacuçu finalmente no Edem, sonhando encontrar a jovem Eva para oferecer-lhe – carinhosamente – uma linda maçãzinha. Afinal, foi lá que ela começou a ganhar diabólica e metafórica notoriedade.
  
Luiz Poeta – Luiz Gilberto de Barros

LUCAS ALVARES HAYASHI
Penápolis (SP) - Brasil.
 
POESIA

é o tapa
Na cara
Do cara

Poesia é o que a doença
Sara
Poesia é o que o ferimento
Cura

Poesia é o grito de dor
É o amor que não é amado
como desejado

Poesia é tudo
Poesia é nada
Poesia é um absurdo
Poesia é o grito
Do mudo
Poesia é
O absurdo
Do simples

Lucas Alvares Hayashi
MAURA SOARES
Florianópolis (SC) - Brasil
 
SAUDADE DA PAIXÃO

O tempo gera a saudade
que a gente teima em acalentar
no fundo do coração fica a verdade
daquele amor que não quer sossegar

As coisas do amor
acontecem sempre assim
a paixão se instala
com juras de amor sem fim,
mas por dá cá aquela palha
o tempo da paixão fica ruim

No calor da paixão
juras não devem ser trocadas,
pois ao final de tudo
quando o amor acaba
resta o vazio, mais nada.

Maura Soares
19 de março de 2010
MAURICIO DUARTE (DIVYAM ANURAGI)
 

MÁSCARAS

Tudo é máscara, homem!

Máscara rubra, do falso
e demagógico clamor
pelos mais necessitados...

Distorcido arremedo
de vontade poderosa,
mas sem força, sem caminho...

Máscara blue, muito azul
profundo, que busca a
verdade, inútil hoje.

Metas de justeza que
nunca chegam a contento,
naufragando, alto-mar...

Máscara amarelada,
escrúpulo diligente
que torna velhos, os jovens.

Insensatez travestida
de precaução, retirando
toda espontaneidade...

Tudo é máscara, homem!

Máscara violácea, ainda,
dos que se perdem por trás
de práticas aberrantes.

Góticos umbrais de umas
catedrais mortas a dizer
as mesmas e poucas frases...

Máscara verde, também,
de tantos que querem a
preservação, mas abusam.

Fazem escudo, balela
do discurso da Mãe Terra,
sugam dinheiro com Ongs...

Máscara branca da paz,
várias vezes enfocada,
tão pouco guardada dentro.

Pacíficos mares nunca
navegados e apenas
citados por  hipócritas...

Tudo é máscara, homem!

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Nota: (Este poema foi criado e divulgado na Academia Virtual de Letras António Aleixo, por ocasião do evento Apogeu Poético – Tema: Reflexão, tendo como Patrono, o escritor Paulo Coelho na figura do acadêmico, Mauricio Duarte, eu mesmo, na cadeira 18, da referida Academia.)



MARDILÊ FRIEDRICH FABRE 
 
VITÓRIA DO AMOR


Início do ano letivo. 
Entrei na sala de aula. Primeira série do 2º Grau. Alunos novos. Notei curiosidade nos olhos que me fitavam.
 - Bom dia, cumprimentei-os.
 - Bom dia, professora, responderam em uníssono.
 - Antes de começarmos, vamos nos conhecer. Meu nome é Natália e, como consta no horário que receberam, vou partilhar com vocês meus conhecimentos de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Durante a chamada, à medida que digo o nome de cada um, por favor, diga de que escola veio. Muitos vieram de outras escolas, mas também havia os que estudaram na nossa escola (portanto, me conheciam de nome e de fama). 
Observadora (faz-se necessário na minha profissão), notei que um rapazinho moreno, olhos vivazes, não parava de olhar para uma menina do outro lada da sala. Isso durou o ano inteiro. A menina não parecia interessada nele.
Antônio (esse era seu nome) fazia de tudo para ficar perto de Aline. Descobria com as amigas em que festa iam, no recreio parava de modo que ela pudesse vê-lo, nos grupos formados para trabalho, dava um jeito de participar do mesmo grupo. E ela... Pouco interessada... 
No ano seguinte, de novo, professora da turma de Antônio e Aline. Ela sentava-se no fundo classe, e Antônio, no meio (não havia mais lugar no ”fundão”). Escolheram-me como conselheira da turma (uma espécie de professor responsável).
A queixa dos professores era geral: Antônio não prestava atenção, ficava de costas para o quadro–verde. Só tinha olhos para Aline. E ela... nem aí... Pediram-me para eu tomar uma atitude, porque as notas dele estavam baixas. 
Antes de dar a minha aula seguinte, fiz uma preleção, dizendo que, para melhor aproveitamento deles, eu faria umas modificações de lugares. Coloquei Antônio e Aline na primeira fileira, no meio de “essa, não!” “por que, profe?” “logo eu!”, fui determinando os demais lugares. Se Antônio melhorou? Sim. E Aline? (Não havia como) Também. Afastei-a das conversas com as amigas. No início do segundo semestre, qual não foi minha surpresa: os dois entraram na sala de mãos dadas. Sorridente, ele me disse:
 - O meu amor por ela é tanto que ela não resistiu e finalmente enamorou-se de mim.


Mardilê Friedrich Fabre

 
 
MARÇAL FILHO
Itabira (MG) - Brasil
 

AGONIA

Fiz da beleza do verso
um crepúsculo lilás,
pus na agonia do tempo,
teu cheiro e mais.

Um chafariz desenhei
no jardim da ilusão
e entre acordes e notas
combinei a canção.

Hoje me chamo e talvez
nunca vá encontrar,
o elo do encanto perdido,
que o sonho desfez.

Nossos dizeres é certo
exprimem a razão
e dessa busca contida,
não tenho saída,
senão seu perdão.

Marçal Filho

MARINA GENTILE
São Paulo (SP) - Brasil
 
A PAZ

O anseio de paz deveria se expandir,
tirar a dor das crianças maltratadas,
a fome dos animais abandonados,
o frio de quem não tem um cobertor,
as lágrimas dos injustamente agredidos,
as armas de quem não se coloca no lugar do outro,  sem amor.

A paz que começa em mim tem o desejo de contagiar,
quem vive próximo  ou além-mar, gente de toda crença,
não é justo viver com a maldade, sofrimento,
é  preciso  pessoas com um mínimo de harmonia,
para que tudo  seja agradável, desde o nascer do dia.

A chance de viver tem sua trajetória,
um caminho de realizações,  aprendizados,
a paz  é o vetor para tudo,   na vida,
até que chegue o momento da despedida.


Se a vida é tudo,  a paz um privilégio,
e só a paz permite que a vida valha a pena,
as atitudes não podem ser mesquinhas,
devem ser grandiosas,  nunca pequenas.
  
 
 
MARINA MOREIRA PEREIRA
 

BALADA DA CARIDADE

A caridade aguarda todos nós
desde o momento que aqui aportamos.
Da nossa mãe ouvimos sua voz
e no seu colo nos aconchegamos.

Na escola, seguiu-nos logo após,
na professora, que nós muito amamos.
Com carinho, tirou-nos tantos nós,
pro entendimento, logo despertamos.

Ela cuida da nossa alma ferida,
do desespero, da nossa opressão,
pois alivia o nosso coração.

Vai nos seguir por toda nossa vida
a nos dizer: " Queridos meus amigos,
seque as lágrimas e cale os gemidos! "

Marina Moreira Pereira

 
  
MARIO REZENDE
 

AMOR VERDADEIRO

Arde no peito dos amantes,
Mágica chama que não se apaga,
O fogo que consome em paixão,
Reluz e inflama, atiça, estimula e faz

Venerar, devorando e seduzindo
Em relação mesclada de desejo e ternura.
Realizado desse jeito, cada um é parte do outro,
Dominando no enredo dos pensamentos,
A irresistível vontade de conjunção,
Deleitantes e românticos encontros carregados de emoção.
Enfim, o prazer de amar é coisa de louco e,
Invariavelmente, é prêmio valioso como poucos,
Receber e dar a quem se ama, permitindo
O usufruto de uma vida feliz a dois.

Mario Rezende

 
  
MARIZETH MARIA PEREIRA
 
UM OLHAR SOBRE O TIETÊ

Emocionei-me,
Quando vi com esperança...
O Jardim que o cerca... Trazendo-me a lembrança...
Do Tietê de outrora...
Pois quando aqui cheguei com Aurora...
Passeamos de barco rio afora...
Haviam peixes, que  pulavam...
Festejavam...
Nadar nas águas que confiavam...

Mas hoje, o Tietê esta  sujo triste e deserto...
Nenhum peixe por perto...
Relutei
Quis encontrar...
Alguma vida no rio que desse-me alegria...

Algum pássaro ou animal...
Mas confesso, fiquei mal...
Quando  só avistei...  dentro de um
canal...
Um  homem sujo...
Dormindo  sobre um jornal...
Pobre homem!
Pobre  Rio Tietê!

Marizeth Maria Pereira
 
MORA ALVES
 
AS ESTAÇÕES

Quando caem as folhas de outono
É sinal de que surgirá em breve
Uma doce primavera
Um novo tempo, uma nova estação
São os ciclos da vida, celebrando
O tempo divino da existência
Repara na chegada da primavera
Das flores que desabrocham
Anunciando mais uma etapa da vida
Repara na beleza dos pássaros
Que voam livremente, é o
Tempo de chegada e de partida.
Em cada destino na trajetória de cada existência
Haverá uma certeza no caminho
Foi no tempo em que se propôs
A liberdade de escolher
Viver a tua própria vida.
Uns dizem que é a sina que se
Destina, outros dizem que é
Apenas o livre arbítrio
Porém sendo o tempo
O maior aliado das vitórias
E das derrotas, segue confiante
Pois a caminhada é constante.

Mora Alves

 
 
MARIA MENDES CORRÊA
 
OS IDOSOS

Tem no olhar a sabedoria
De quem já viveu intensamente
Descobre os segredos da vida
Pois caminhou por ela longamente.

Deixa sempre muito amor
Por onde passa e quer encontrar
Pessoas que escutem seus feitos
Porque lindas histórias querem contar.

Seus passos certos e de vitórias
Querem que todos possam trilhar
Passos incertos e desenganos
Procuram com conselhos desviar.

Pena que muitos não têm tempo
De escutar suas maravilhosas histórias
Certamente descobririam com os idosos
Um tesouro oculto, cheio de glórias.
São tão amáveis estas criaturas
Precisam do carinho de quem amou
Pra sentir que são ainda amadas
Apesar dos anos que o tempo levou.

Deus abençoe sempre os idosos
Ilumine a vida , alivia-lhe a dor
Que encontre sempre em sua vida
A família, os amigos e muito amor.

Maria Mendes Corrêa
NADILCE BEATRIZ
 
TALVEZ

 Talvez... É tão talvez que não se pode colorir o dia do mesmo jeito que o dia seguinte.
 Não há meios para se usurpar as cores que a natureza criou, tampouco a luz que o sol derrama, mas há tanta atividade em nosso pensamento que, ninguém quer fazer comparações de si para com as horas, pois elas andam ou voam?
Todos os dias são dias, assim como todas as noites são noites, mas nada, nenhum e ninguém se repetem.
Isto é tão divino! Tão onipresente que faz questionar um ‘talvez’, posto que nada define, só resume.
Ninguém quer viver resumidamente.
Aos que crêem que o mundo é imenso, veja como as estações procedem.  
Tudo é tão rápido! Aos que crêem que o mundo é pequeno, tente então correr para o horizonte.
Irá divagar até descobrir que o Universo está tão perto e tão nosso que, não há necessidade de se olhar para o alto, basta observarmo-nos.
E sim, talvez refletimos as dúvidas alheias, choramos as lágrimas dos outros, sentimos o que nos convém, e talvez negamos a realidade porque a certeza tem um passaporte para a finitude.
Ninguém é feliz sozinho porque a vida é uma morada de passados.
Nem nunca ninguém ficará na solidão, porque neste passado há tantas memórias que, nem todos os ‘talvez’ que existam no mundo conseguem afastá-las.


Nadilce Beatriz
NELSON FONTES CARVALHO
 (Nelfoncar)
 
A BALADA DO TEMPO E AMOR
(António Feijó)

Não tenhamos pressa,
Mas não percamos tempo.
 -José Saramago-

O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido.
-Bertrand Russell-

"O verdadeiro amor é como os fantasmas.
Todos falam nele, mas ainda ninguém o viu. "
- Fide da Roche-

O amor e o desejo são as asas
do espírito das grandes façanhas."
-Goethe-

"O amor é a asa veloz que Deus
deu à alma para que ela voe até o céu."
- Michelangelo Buonarroti-


Recordo “O AMOR E O TEMPO” d’António Feijó,
Em cinco trovas de recheio, fenomenais,
O tempo n’uma cavalgada, dando sinais,
Deixar pra trás o amor, ligeiro sem dó!

O amor dizia: - Devagar, não corras demais
Assim sem minha companhia, vou ficar só…
Porém o tempo não admite qualquer quiproquó,
Deixa tudo pra trás, entre todos os mortais!

Contudo o amor, fugiu co’o tempo irado,
Como é costume quando se vê neste estado,
Voa, procurando outros amigos seus…

Amor e tempo! Tempo e amor, andam paralelos,
O tempo implacável co’os momentos belos,
O amor, com tempo diz a todos: Adeus! Adeus!

Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar)
http://novacalliope.blogs.sapo.pt



NEUSA MARILDA MUCCI
Valinhos (SP) - Brasil
 
SE POETA FOSSE

Ah... Se poeta eu fosse,
quanto e tanto escreveria!
fazendo odes à lua,
            sonetos em melodias           

Ah... Se poeta eu fosse,
a minh'alma rasgaria!
em versos pequeninos, pedaços,
que ao vento soltaria

Ah... Se poeta eu fosse,
ao mundo todo espalharia,
sementes de amor em palavras
plantando muita alegria

Ah... Se poeta eu fosse,
ao meu amor, suspirando diria,
que a minha vida sem você,
nem mais um minuto, teria !

Ah... Se poeta eu fosse,
aqui sem pejo confessaria
esse amor carregado em segredo
preenchendo-me noite e dia

Ah... Se poeta eu fosse
viajaria até uma estrela
e de lá, eternamente,
luziria apenas em poema !


Neusa Marilda Mucci




NEYD MONTINGELLI
 
Curitiba (PR) – Brasil

Abandonado
Jovem, esperto e brincalhão
era amado, encantado, abraçado.
Encontrou a velhice,
perdeu os encantos,
ficou pelos cantos.
Largado foi, lá fora,
abandonado o cão, agora,
esquecidos os dias de outrora.
O velho cão não serve mais.

Neyd Montingelli
 
 
NOELI TARACHUKA
Curitiba (PR) – Brasil
  
QUEM SABE UM DIA
Queria fazer poemas, mas,
poemas não sei fazer,
escrevo estes versos
tentando aprender.

Com palavras que rimam
ou não, escrevo em cada linha
o que sinto no coração.

Alegrias, tristezas, felicidades
e decepções, fazem parte dos
sentimentos inspirando as criações.

Quem sabe um dia escreverei
poesia com maestria!?

Noeli Tarachuka
 
ODENIR FERRO

UNIVERSALIDADE FEITA DE SONHOS E FANTASIAS!

Não, eu creio que não. Não mesmo... Nunca saberei nem exprimir e nem mesmo expressar-me, mediante a – ao menos, pelo menos – tentar descrever em palavras, toda a magnitude dos meus sentidos envolvimentos com os meus caminhos emocionais, os quais vão se aprofundando cada vez mais, dentro das memórias emotivas – concentradas dentro do universo (cada vez mais expansivo) da alma do meu coração...
E, que vai pulsando, pulsando, intensamente... Numa procura ininterrupta, para tentar expressar os teores e os valores emocionais do Amor, e assim, criar condições ideais, para poder exprimir-me, através da Grande Arte, impregnando, plasmando, dentro Dela, as belezas mais expressivas, mais sensíveis, mais espirituais, que se projetam da Divindade da Criação... E que são ou estão, concentradas nos Sonhos – os geradores ininterruptos – desta força intensa, imensa, e, que se faz presente – continuamente – dentro das Fantasias, quando, seja em êxtase ou não, transportamo-nos, todos, dentro dos carismas indefiníveis dos momentos felizes, provenientes das resultantes, acontecendo e sucedendo-se ininterruptamente, através da Comunicação expressada através de todos os gestos de todos os atos, de todos os encantos, de todos os arrebatamentos, gerados através das expressões e atitudes, decorrentes desta Grande Arte...
Produzida ou reproduzida, a partir da concentração do nosso interior, voltado ou voltando-se ou revoltando-se, de corpo e de alma – para a busca e realização incansável – cujos valores incalculáveis, os extraímos destas forças tridimensionais que se concentram dentro destas Universalidades feitas de Sonhos & Fantasias!
E, dentro desta Maravilhosa e Grande Arte, os nossos sonhos e as nossas fantasias, vão intermediando-se e nos infiltrando, dentro do inconsciente coletivo... Onde, cada qual de nós, seres humanos que somos (e porque não dizermos, também, o mesmo se sucedendo com os animais? Creio que isto seja possível...) – e assim sendo, vamos todos atravessando estas belíssimas Pontes que conduzem-nos a todos, para os Portais Metafísicos, os quais, eleva-nos a Todos, através destas projeções artísticas...
Realizadas nas dimensões intercalando-se entre realidades materiais e imateriais, espirituais, mediúnicas, metafísicas, transcendentais, nas quais, ou através das quais, vivemos... E, que são projetadas e produzidas ou reproduzidas, através dos corpos e almas, mentes e espíritos artísticos, aptos a expressarem-se e a demonstrarem-se, através dos seus shows, sendo no qual estilo for, exibindo todas as belezas da Grande Arte produzida no Éter da Criação Eterna, produzidas pelas Mãos do Criador...
E, que são as Expressões resultantes, sempre inéditas, e, inspiradas, assopradas, projetadas, manifestadas para nós, humildes seres humanos que somos, através de todos os  nossos sonhos e fantasias... Provenientes no interior e no viver de cada um de nós, e, os quais, ou através dos quais, todos os aptos artistas, incansáveis artesãos da imitação do Criador, vão gerando as mais diversas, as mais carismáticas e as mais belíssimas e sofisticadas interpretações – sejam elas pessoais, sejam elas de transcendências universais, – a todos nós: através desta Coletânea do Todo deste Tudo Universal!
O qual, está infinitamente sendo, demonstrado através das benevolentes expressões Eternas – através da Grande Arte – produzida e gerada pela sabedoria inquestionável de Deus e de Toda a amplitude da Sua grandiosa e valiosa Criação!
Somos todos semideuses humanos! E, imitadores do nosso Criador que somos, através das mais diversas e sensíveis variações dos nossos sonhos e fantasias; recursos estes, os quais, sendo dons individuais, os usamos como ferramentas pessoais e interpessoais, para expressarmo-nos, através das nossas produções resultantes comunicabilidades com os nossos irmãos humanos, animais, e vegetais... E estas cognições de comunicabilidades interpretativas, nós as extraímos da Grande Arte...!
Seja em qual sentido for, seja por quais Ferramentas Comunicativas (ou tecnológicas, como resultantes de reproduções das veiculações em massa, das nossas produções artísticas) pudermos expressarmo-nos: seja ela, no sentido Literário, seja ela no sentido Teatral, no sentido Plástico, seja no sentido Poético, enfim, seja no qual sentido for – vamos todos nós, voluntários ou involuntários, manifestando e manifestando-nos todos, artesãos intermediadores, através dos nossos mais belos anseios inspirativos: Sendo eles todos, projetados e expressos dentro da alma emotiva oriunda na nossa mais humilde pureza de sentimentos, no sentido de imitarmos, de expressarmos, de aprendermos, de realizarmos, todas as evoluções amorosas infinitivas...
Vindas até a todos nós, através das resultantes das Luzes da Sabedoria Eterna do nosso Criador e Produtor do Tudo e de Todos: O Grande e Inconfundível Maestro, o qual o denominamos de Deus!
Somos as imitações mediúnicas (e caricatas) desta Grande Arte: e, através dos nossos Sonhos, geramos as nossas Fantasias. Para produzirmos um pouco, ao menos um pouco que seja, desta Grande Arte... E assim, deixarmos a nossa marca pessoal na História da Humanidade, expressando-nos através das nossas sensibilidades, das nossas emoções, e, das nossas extremadas vontades, de abraçarmos o nosso próximo, de amarmos o nosso próximo, o nosso irmão, os nossos animais, as nossas plantas, o nosso chão, o nosso Planeta, o nosso Universo... Através destas forças as quais, não podemos – nem ao menos medi-la, e, nem muito menos questioná-la (e sim, aceita-la!) – e então, somente, instintivamente, sabermos projetá-las, no sentido emocional e espiritual mais profundo, no qual nos damos permissividade de podermos passarmos ou repassarmos, os Shows Interpretativos de um Amor Universal e Transcendental, para toda a Humanidade!

Odenir Ferro
 
  
OLGA MARIA DIAS FERREIRA
Pelotas (RS) - Brasil
 

MEUS OITENTA ANOS

Por entre   dias bem ensolarados,
oitenta anos eu vou comemorar,
com alegria pelos tempos passados,
vitoriosa, quero festejar.

Vivi a vida, nos anos dourados
da juventude querendo abarcar
belos desejos tão acalentados,
da minha infância, sempre a relembrar.

Nestes tempos, muitos deles bem risonhos,
concretizei os meus mais belos sonhos,
como uma guerreira, a buscar crescer...

Lindos momentos, em nada tristonhos,
a tornar meus dias, inda que bisonhos
em bela aurora, neste entardecer

Olga Maria Dias Ferreira
ASBL cad. 27 - Mons. Landell de Moura
 
 
PRISCILA DE LOUREIRO COELHO
 

NOSSA FÉ, DE CADA DIA!

Quem caminha pelas ruas de nossa cidade, pode observar as mais diversas paisagens urbanas. Avenidas, praças arborizadas, calçadas, que apresentam peculiaridades pitorescas, como a que vemos na rua do correio... Enfim, uma gama de cenários interessantes, inda que se encontrem, muitas vezes, compostos de elementos que destoam da natureza e maculam a singular beleza que se nos oferece aos olhos, pois a limpeza das ruas anda deixando a desejar...
Em minhas caminhadas matutinas chamou-me a atenção um personagem constante, uma figura que diariamente cruzava meu caminho. Deve andar pela casa dos cinqüenta, porte pequeno, possui a desenvoltura e agilidade característica de quem sabe bem para onde está indo.
Durante meses observei-a perambulando pelas ruas; óculos, boné e roupas apropriadas. Mantinha uma cadência constante, um ritmo quase monótono no caminhar e a cabeça sempre ereta, a postura adequadamente alinhada e um quê de serenidade ao movimentar-se.
Chamou-me a atenção o fato de que na maioria do tempo, andava de olhos fechados. Diversas vezes, ao andar lado a lado, observei este detalhe, e me intrigava sobremaneira este comportamento atípico.
Era uma pessoa atenta, pois jamais deixou de cumprimentar-me quando nossos passos nos colocavam emparelhadas, por alguns minutos, o que ainda mais me intrigava.
Um dia, não resistindo, ao aproximar-me dela, cumprimentei-a e, aproveitando o ensejo, puxei conversa com a intenção clara de indagar-lhe sobre seu comportamento. Em dado momento o fiz, e deixei que a curiosidade me vencesse, perguntando-lhe abertamente, porque, na maioria do tempo, caminhava de olhos fechados.
Não me surpreendi com sua simpatia e espontaneidade ao responder-me, pois tudo nela transmitia autenticidade e franqueza. Assim, com naturalidade disse-me que enquanto caminhava, ia orando e conversando com Deus, e como já conhecia de sobejo o caminho, podia dar-se ao luxo de assim proceder...
Ouvi atenta sua explicação singela e despretensiosa, e me admirei com sua lógica, que de certa forma esbarrava com a minha. Um pouco mais prática e realista...
Continuei observando-a dia após dia, encantando-me com sua inocente presença, que parecia enfeitar o caminho por onde andávamos, e a cada manhã, lembrava-me enternecida da razão de seus olhos se fecharem...
Semana passada, andava eu como sempre, quando avistei a razão de minha admiração matutina, que caminhava a minha frente. De repente, percebi um movimento estranho e em questão de segundos atinei espantada com o que aconteceu. Meu personagem predileto havia colidido de forma abrupta com um poste!...
 Apressei-me ao seu encontro para ajudar e quando estava a poucos passos de meu destino, parei ao observar a cena que se desenrolava a minha frente e ouvi surpresa minha amiga.
Enquanto pegava o boné, que havia caído, e recolhia os pedaços dos óculos estraçalhados, ouvi quando ela dizia em voz indignada:
Puxa vida Senhor! Estava a falar contigo, o que custava avisar-me sobre o poste!
 Vejam vocês!

Priscila (cill)
  
 
RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
Pitanga - Brasil
 

MATÉRIA PRIMA DE QUEM FALA E ESCREVE

Eu amo a língua portuguesa mais,
Muito mais, do que dela aprender pude,
Sou o seu apaixonado que não faz
O que ela quer de mim, somente ilude.

Ela é rica e perfeita e a mim me faz
Um bem enorme só de vê-la amiúde
Na palavra dos grandes que me apraz,
E até na minha, este estudante rude.

Matéria prima de quem fala e escreve,
Generosa demais ao dar de si,
Vai lapidando o texto grande ou breve.

Merece ser tratada com cuidado,
Façam dela bom uso, aqui e ali,
Pois ela foi nosso maior legado.

Raymundo de Salles Brasil
18/03/2017 – 20h08min



REGINA BERTOCCELLI
 
ATRAVÉS DA VIDRAÇA

Através da vidraça vejo o céu nublado,
E os respingos da chuva na calçada.
Sozinha, penso no meu amado,
Com a alma triste e angustiada.

Em breve virá à madrugada,
E muito já terei chorado.
Através da vidraça vejo o céu nublado,
E os respingos da chuva na calçada.

Sopra um vento forte e gelado,
Que estremece a janela molhada.
Com o coração triste e encarcerado,
Repouso minh'alma extenuada.
Através da vidraça vejo o céu nublado...

 Regina Bertoccelli
REJANE MACHADO

O DOCE DE ABÓBORA
(crônica)

(fait-divers)

 Era janeiro, e o tempo estava bastante fresco. À noite, bem entendido; durante o dia fazia calor. Não este forno do Rio, com o qual nunca me acostumo, apesar de ter nascido nele; eles, porém, reclamavam o tempo todo. Naquela zona montanhosa das Gerais a gente usa um cobertorzinho nos meses em que à beira-mar se precisa ligar o ar condicionado, ou ventilador, e tem horas que nada nos alivia.
Havia chovido e a tarde se aproximava do fim. Seu Juca, sentado num toco- uma árvore que fora cortada, deixando um assento muito original, espécie de trono destinado ao dono da fazenda, comandava uma operação de colheita de legumes, que se destinariam à nutrição do gado e outras criações. O carreiro- para nós, o chofer do carro de bois, manobrou com eficiência e despejou uma grande carga de belíssimas abóboras, imensas. Meu olho brilhou. Perguntei o que iam fazer com tantas cucurbitáceas.  Naturalmente, para alimentar os porcos, Seu Juca me respondeu, penalizado da minha ignorância das coisas da roça. E ironicamente devolveu minha pergunta, a seu ver, ingênua:- E para que mais serviriam?
Acostumada a fazer feira toda semana, e nem sempre encontrando tão boa mercadoria, eu lhe passei a minha perplexidade: que desperdício! Uma coisa tão boa, para os porcos? Foi a piada melhor do dia, a turma me gozou.
Bondosamente ele me esclareceu: aipins, batatas doces, abóboras e algumas frutas se destinavam à engorda dos animais. A bem da verdade, a mandioca e a batata até que são bem aproveitadas, comestíveis, mas abóboras!... Então lhe pedi de presente uma daquelas, e nem precisava ser das maiores.   Ele quis saber porque cargas d`água queria eu “ uma abóbora”? Ao saber que: para fazer um doce- ele riu, compreensivo, e me esclareceu:- Isto não serve para comer, minha filha! Amanhã vou colher uns figos para você fazer o seu doce.
Nessa altura, o público abafava risadas. (Esse povo da cidade é bobo, mesmo, imaginem só, dar  tanta importância a “um trem” tão sem graça! Só mesmo porcos podem  comer uma porcaria dessas).Argumentei com ele, é um vegetal rico em fibras, vitaminas, etc e tal, e muito saboroso, servindo a variados pratos da culinária brasileira. Ninguém acreditou. E quando mencionei o preço que se costuma pagar por ela, nos meses de entre-safra, além da dificuldade de se encontrar um artigo daquela qualidade, o público rolou de rir (o publico eram os empregados da fazenda e alguns familiares). E as gozações cresceram. Acho que poucas vezes terão ouvido piada mais engraçada: alguém comer comida de porco, e ainda pagar uma fortuna por ela. Ah, esse povo do Rio é muito pateta. Imagine comer esse trem. Uma droga dessas!
Acho até que duvidaram da minha sanidade mental. Como já estava ficando tarde, anunciei que no dia seguinte eles teriam uma sobremesa de fechar o comércio. Teve gente que se engasgou de tanto rir.
A partir daí fui vigiada por muitos pares de olhos. Mas pedi e obtive. Conseguiria também uma desconfiada ajuda, e uma baita expectativa por conta da minha esquisitice. Dia seguinte, após o café, pedi que trouxessem a minha abóbora, que lá ficara no sereno, junto a uma boa dúzia que seria levada para os animais à proporção que as fossem devorando.  Nem deixaram que a coitada entrasse dentro de casa. Tinha mais é que ficar do lado de fora, como um traste sem valor. Escolhi uma bonitona, amarelinha por dentro, de grã muito macia, e casca muito dura. Consegui ajuda para descascá-la. Guardei as sementes, nova leva de risadas.  Quem seria o maluco que ia querer estragar terra plantando aquilo? Elas nascem por si, espalham-se por enorme extensão, os pássaros as comem, e também os tatus e outros bichos que a gente não conhece e nem vê.
Minha sogra me forneceu um tacho de cobre, que, lavado com limão e sal brilhava lindamente. Ali coloquei os pedaços da dita cuja, açúcar por cima e uma boa porção de cravo e canela, e fogo na canjica! Peguei a colher de pau, coloquei lenha no “caminhão”, e fiz plantão ao lado do tacho. Com pouco tempo o cheiro agradável varava os espaços e provocava curiosidade. E perguntavam, uns aos outros: o que é que ela está fazendo aí? Trem cheiroso pra danar!
 Mas ninguém queria se afastar. Até que o doce ficou pronto. Lindo, cremoso, e a receita da minha mãe sempre me fazia colocar, ao tirar do fogo, uma colherada de manteiga fresca. Quase afirmo que as bocas se encheram d´água.
Sempre vigiada pela curiosidade do povo de casa, empregados e alguns curiosos que frequentavam o terreiro, coloquei o doce, depois de esfriado, em belas e antigas compoteiras que me foram franqueadas, solenemente, Eu deveria agradecer a distinção, porque somente no Natal aquelas compoteiras saiam do “guarda-comidas”. Alguém comentou a impropriedade, parecia até um sacrilégio, cruz! Usar peças tão bonitas, antigas, supimpas! Diminuindo a importância delas  com uma coisa que...
O jantar decorreu em paz, alegremente, mas eu podia perceber nas rugas da testa de cada um a expectativa: e o doce? O cheiro contaminava toda a cozinha.  
Então, servi em primeiro lugar ao meu pai, que me acompanhava na visita que fazíamos à família do meu noivo, para conhecê-los; em segundo para ele, que freqüentador da cozinha da minha mãe, e morador da cidade, já conhecia a famosa iguaria, e em terceiro lugar para meu irmão menor que ficaria uns dias lá conosco, um enjoado “de galocha” que gostava mais de doces que de comidas de sal.Todos nos observavam atentamente em suas menores reações. E me sentei para saborear aquela obra prima. Estava divino!  
Notei que precisariam de babador, tal a gula que os fazia, a todos, salivarem.  E, maldosamente, coloquei uma colher, -somente uma colherinha de sobremesa- de doce num pratinho e o passei ao patriarca. Prove, seu Juca!  Fazendo de contas que ele me faria um favor, ao provar, a dignidade dele estava salva. Então ele esnobou. Fez que não queria, já sabia que aquilo não podia prestar. Mas, para me agradar, disse ele, provaria, para que eu não ficasse magoada. Só um pouquinho, minha filha (mais tarde me confessou que  morreu de vontade de me dizer: não acredito no seu doce! Isso é comida de porco! – mas não disse nada.)  Caprichei negativamente na quantidade: uma colher mal cheia, de sobremesa. Magnanimamente, e com estoicismo, ele se dignou provar o doce. Todos os olhares o acompanharam, e alguns se moveram, chegando mais para perto para testemunhar sua ojeriza, seu horror ao provar “um trem tão ruim”.
Ao primeiro bocado, que durou séculos, ele ficou muito sério, com uma expressão pensativa. O silêncio pesou, podia se ouvir um besouro. Afinal resmungou: É. Não é mau! E ficou olhando para o prato vazio, doido de vontade de repetir. É até agradável! – nunca vi um adjetivo desses para um doce de abóbora. (Agradável? Aquilo era uma delícia!).  Fiquei firme, fiz de conta que estava encerrada à hora da sobremesa, desconhecendo cunhada, sogra, empregados. Então alguém lhe perguntou: E aí, pai? , Que tal? Presta?
E ele, raspando o prato, não agüentou: Ainda nem senti o gosto... Essa menina é tão sumítica!– E olhando para mim: Você botou tão pouquinho!...
 Serrei de cima:
-Ah, Seu Juca, isto não serve para comer. É comida de porco.
 Ele resolveu soltar a franga, e me estendeu o prato: - Bota mais um pouco, minha filha!  Não! Enche mais a colher! Que pão-durismo é este?
A cara dele, de felicidade, me pagou de todas as “humilhações”.
 E foi aumentando aos pouquinhos, à medida que repetia o doce: é gostoso, deveras! Muito bom! Quem diria, hem? Uma coisa tão sem importância! Vivendo e aprendendo! Ponha mais, ponha mais!
Foi à deixa para o avanço geral. Todos se aproximaram da mesa onde jazia a compoteira pela metade. Encheram pratos fundos, comeram até fartar-se, os empregados queriam levar um bocadinho para a mulher provar, porque se contassem, elas não iriam acreditar. Dali em diante instituiu-se solenemente o doce de abóbora no cardápio. E quando eu prometi que na próxima vez misturaria coco ralado, - como aconteceu, mais tarde, - ninguém queria parar de comer.
Aí eu anunciei que amanhã faria uma sopa-creme de abóbora.  Nova leva de ironias, de gozações, de piadinhas. O patriarca mesmo sentenciou que: doce, tudo bem, vá lá, porque leva açúcar, qualquer coisa que leve açúcar é bom ( Vê lá!)- mas sopa!? Comida de sal!?  Não, não dá.
E precisavam ver a cara daquele povo, numa noite fria e gostosa, tomando uma linda sopa cremosa, que levou um fio de azeite e um pouco de salsa e cebolinha cortadinha de fresco! Um dos rapazes colocou umas gotas de pimenta, e aí, descobriram a pólvora. Bão pra danar!
 Em breve teriam que comprar ração para os animais, espantar os gambás, tatus, aves, sei lá que mais, e começaram a guardar as sementes, aprendendo a plantar abóboras, e cuidando da  plantação das preciosas cucurbitáceas.


Rejane Machado
 
  
RITA DE CÁSSIA CÔGO
Guaçuí (ES)
.
O MISTÉRIO DA VIDA

Uma árvore tem o poder de mudar a sua folhagem a cada nova estação, mas não tem o poder de mudar o seu próprio fruto.
Assim somos nós diante da vida, podemos mudar os nossos pensamentos, nossas atitudes, nossos sentimentos; mas não temos o poder de mudar o fruto do nosso próprio viver, pois, afinal, o mistério da vida se faz presente nele.

- Extraído do livro O Voo da Águia -

Rita de Cássia Côgo

ROZELENE FURTADO DE LIMA
Teresópolis (RJ) - Brasil
 
REFÚGIO

Saudade é refúgio dos sofredores
Herança dos fortes e grandes amores
Só sente saudades quem já amou
 Viveu sem medidas e se entregou
Navegou nas águas da paixão
Voou no paraíso com os pés no chão
Construiu sonhos e fez castelos no ar
Tem uma música que faz lembrar
Guardou papéis de bala que viraram pó
Teve o coração afinado numa nota só
Se recordar ainda dói, com certeza é ela
O amor vai embora, a saudade é sequela
Para ter saudade tem que ter chorado
Tem que ter sofrido por muito ter amado
Saudade é a única sobrevivente da guerra
A esperança morre e a saudade a enterra

Rozelene Furtado de Lima

  
 
RONALDO VIEIRA
 
POETINHA

E em face de teu enorme encanto
A vida rende-se apaixonada.
Mais uma conquista – Sem espanto, olhos vedados,
Boca eterna e paixão por ti poeta.

Homem de rimas certas e eterna paixão.
Entrando por teu coração brando,
Por teu olhar inspirado em pulsante canção,

Inovaste o tão conjugado verbo amar.
Foram atos, canções e confissões latentes,
Amigos, wisques e porres monumentais...
Foi à vida acima de tudo e sob a força de amar

Das deusas venerando tua presença desejada,
Da amizade muda e o constante parceirinho,
Que ao contrário do que pensavas,
Morria de dó, mas não de ti, dele mesmo,
De privar-se, de privar-nos a vida de ti...

Então entra Vinícius, entra o poema!
Canta, gira e eterniza o verso sob meu olhar!
Verso feito imperfeito, a ti distante
E com desejo boêmio de, quem sabe um dia,
Aprender contigo mestre, a forma correta de realmente amar...

Ronaldo Vieira


SÉRGIO DINIZ BARROS GUEDES
 
ENAMORADOS PARA SEMPRE

Nasce uma flor,
linda, sorridente,
a tudo encanta,
esse é o amor!
Entre beijos e abraços
a raiz se espalha,
é como o pegar fogo
em um telhado de palha.
Expande-se na felicidade total,
tudo é lindo, nada faz mal,
é o anjo homem
e o anjo mulher,
soltos, bem juntos,
fazendo o que quer.
O amor saboreia a vida,
a vida presenteia o viver,
o viver na máxima emoção
a emoção junta o corpo,
a alma e o coração
na sinfonia do amar...

Sérgio Diniz Barros Guedes
 
  
SIDNEY FERREIRA DE CASTRO
 Taguatinga (DF) - Brasil

PROFESSORA ILDÉRICA

Vai, vai ficar na História
Esse dia feliz
Esse tempo de vitória
Esse tempo é tudo de bom
Que eu sempre quis
Que eu sempre sonhei...
Professora Ildérica, muito obrigado
Eu acordei com sua nobreza
Acordei com sua grandeza
Acordei com seu chamado
Muito obrigado, muito obrigado
Por sua calma, por sua paciência
Em todas as aulas
Seu esforço faz toda diferença!
Só quem ama a profissão
Quem ama as pessoas
Quem ama a Terra
Trata a educação
Com tanto cuidado, com tanta atenção!
Professora Ildérica, muito obrigado
Fiquei triste, só de ouvir
Que vai se aposentar
Sinto um vazio, aqui
No seu lugar, no nosso lugar
Só um cego entende minha falação
Minha situação, agora
Eu sei do valor da Professora
Eu sinto muito mais amor
Porque sou baixa-visão
Eu lembro de minha infância
Do ensino no Brasil, do destino do povo
Do índio na floresta, da África que não desistiu
Me lembro muito bem
Da primeira Professora falando do português
Que descobriu o Brasil, nosso grande Brasil!
Professora Ildérica, muito obrigado
Seu nome de Professora Amiga
Vai continuar na Dorina Nowill
Vai continuar pelo Brasil amado
Muito obrigado!

Sidney Ferreira de Castro
  
 
SIDNEI PIEDADE
 
Você foi a primeira eu também o amor entrando em minha vida, és encanto, magia e prazer, tudo que pedi a Deus. Você é a parte de mim que não posso deixar ir embora... Que seja eterno nosso amor. Você é a lua eu o sol, juntos vamos refletindo nosso amor além do horizonte, muito mais do que alguém possa imaginar. Estrelas brilham e vaga-lumes dançam ao nosso redor onde as ondas vem e vão com ciúmes do nosso bailar e na primeira luz do dia o sol a brilhar. O amor que sinto por você vai além das palavras, me encanta e me fascina... Pois somos idênticos em pensamentos e sentimentos, um completando o outro... Caça e caçador. Você é tudo em mim onde meus pensamentos são teus, é desejo eu paixão. Quero passar toda minha vida ao seu lado... Pois você é o melhor presente que a vida me deu.


Sidnei Piedade

 
 
SÍLVIA MELLO
 

ENSINA-ME A VOAR

Está amanhecendo!
Já consigo definir ao longe os primeiros raios de sol
Está amanhecendo!
Ainda não elaborei minha rota, meu plano de voo
Está amanhecendo!
Vislumbro a linha do horizonte a convidar-me
Está amanhecendo!
Olho para ti em desespero
Uma das minhas asas está quebrada e não sei como voar assim!
Está amanhecendo!
Toca-me, por favor, uma vez que tu tens o dom da cura...
Só tu podes me curar!
Está amanhecendo!
Já há muito não voava
E fitando os céus convidativos, descobri que não quero seguir sem ti
Está amanhecendo!
Toca minha asa esquerda e corre a estender as tuas
A imensidão de azul nos espera
Se dor eu sentir, cura-me ao longo da nossa jornada
Se tu cansares, desceremos n' algum vilarejo
Lá te amarei até que seja madrugada
Até que amanheça outra vez
Partiremos quando tu quiseres
Sempre juntos
Lembra-te de curar-me a asa esquerda... Ensina-me a voar outra vez!

Sílvia Mello
 
  
SILVINO POTÊNCIO
 
QUANDO EU NASCI CÁ NO CEN!

Quando eu nasci cá no CEN...
Logo um exame me foi feito.
Antes eu não era ninguém,
E agora?!... eu estou cá do mesmo jeito. 

Aqui me abriram o meu coração,
Para ver o que lá dentro eu tinha?...
Era sangue azul?!.. “omessa”! não era não.
Tinha só a Lingua Lusa que é esta Al’maminha!

Pois foi assim, eu ali de faca no peito, 
E o meu fluido a escorrer pelas veias,
Que eu fiquei por muito tempo no leito
Até que o “Ribeiro” se encheu com as cheias!

E do “Carlos” e das graças ali recebidas,
Das suas Amigas, todas!... sempre tão queridas,
Recebi muitas flores alegres garridas.
Rosas perfumadas e até “Margaridas”!

(in: "POESIAS SOLTAS")

 Silvino Potêncio
 Delegado CEN - Natal/Brasil
Emigrante Transmontano - O Homem de Caravelas - Mirandela

 
  
SONIA ANDREA MAZZA
 
AMIGAS
  
Sei que existem os anjos porque já tratei com eles. Caminham pela Terra e passaram por minha casa. Os quânticos falam que somos feitos de partículas e de ondas. 
Chegou à sua casa naquela tarde dentro de um carro de aluguel, trazia na cabeça um lenço floreado, enfeitado com passamanaria, com o qual eu a havia presenteado no dia do amigo. Notei-a um pouco mais pálida que da última vez, quando tive que a ajudar para descer do carro, no entanto, seu sorriso parecia mais esplendoroso que de costume e seu olhar mais doce, porque assim era você, pura doçura, e enquanto as partículas de seu corpo se deterioravam irremediavelmente, a energia que irradiava era magnificente, como as grandes estrelas com seus explosivos finais.
Passamos a tarde lembrando-nos de nossa adolescência, dos rapazes que nos paqueravam, dos primeiros amores, dos livros que líamos, dos sonhos que tínhamos, das canções de moda e das cartas que nós escrevíamos enfeitadas com flores e corações que diziam:“amigas for ever”. 
Passamos a tarde decifrando como foi que havíamos ficado em nos ver “um dia destes” e nos perdemos na vida durante vinte anos. Agradecendo que você tenha entrado naquela tarde por pura casualidade para comprar no local onde eu trabalhava, porque era perto do consultório de seu médico e queria levar alguma lembrancinha para as recepcionistas, que sempre acomodavam os horários, e foi estranho que alguém me chamasse pelo nome e que me reconhecesse com vinte anos e vinte quilos a mais, com o cabelo vermelho.
E passamos a tarde contando sobre nossas vidas, os naufrágios, os sonhos reciclados, as coisas que nos faziam rir, as coisas que nos indignavam. Eu acho que você veio para se despedir...
Já faz um ano que você foi embora, levantou sua âncora de dor e marchou para outro plano de existência. Ontem encontrei no armário um pacotinho de açúcar especial, desses que preparava para me dar, e o colibri continua vindo à minha janela para me cumprimentar. 

Sonia Andrea Mazza
 
  
SONIA NOGUEIRA
 

RENOVAÇÃO É A PALAVRA CHAVE

 Estamos numa confraternização, amigos reunidos, idades variadas, sorrisos largos, abraços fraternos, como se naquele momento tudo fosse vitória, a vida navegasse num mar tranquilo e o barco deslizasse sem tormentas.
Observando o grupo pensei: em cada coração estará oculto, minúsculos ou grandes problemas para serem resolvidos de maneira, às vezes, corriqueira ou sem solução. Há inúmeras entradas com portas largas oferecendo grátis, propostas duvidosas que as pessoas se embrenham num segundo e para saírem o caminho é longo e penoso. Problemas com vícios os mais variados, conflitos familiares, escolhas enganosas, cura de enfermidade e por aí se vai...
Mas, é de praxe nos costumes dos povos, desde o mais rudimentar grupo o encontro para comemorar quaisquer eventos, rituais, os mais variados, aniversários, casamentos, batizados, término de cursos etc. etc.
Enquanto as datas de aniversário comemoram o nascimento e a vida futura, o aniversário do nascimento de Jesus comemora os anos percorridos de uma existência que se foi. É como um marco eterno para que os cristãos não apaguem da memória a história do cristianismo, ano um, a partir do nascimento, 2007 anos dessa história, Jesus. Para outras religiões, islamismo, judaísmo o calendário é diverso do nosso.
O clima Natalino, no entanto, estava nos cartões distribuídos, com palavras de amor, saúde, paz renovação.
Renovação é a palavra chave, renascer, que deveria ser diário em cada deslize que damos a cada fraqueza e fracassos, em cada momento que precisasse de conserto. Mas é neste momento que as preces se voltam num recolhimento de oração, para uma virada de ano mais promissora e promessas feitas de arrependimento, reinício e restauração...
E somos nós os próprios transformadores do nosso destino. Está em nossas mãos o xeque mate...

Sonia Nogueira
 
 
SOCORRO CAVALCANTI
 
O RIO...

O rio da minha infância agia de forma profunda,
exibindo seus contrastes de beleza e medo!
Ele trazia tudo... Parecia querer virar o mundo,
cantando, assobiando com a voz linda e fecunda!
Oriundo do rochedo, ele trazia um segredo,
enfrentando o arvoredo, como se fosse um brinquedo,
derrubando barreiras para lavar o lajedo,
espumando, gritando, só para mostrar seu enredo.

Ele manifestava ao mundo, num segundo,
o medo do arrastão para a lama, o nada, o fundo!
Imponente, descortinava as paisagens
do sol e da chuva, refletindo nas suas margens,
na correnteza da água, em direção ao mar celestial.

Altivo, anunciava para todos, necessidade do sobrenadar,
para ver a beleza da terra molhada,
trabalhar e colher os frutos que ela poderia dar.

O rio da minha infância demonstrava, a quantos queriam ver,
a existência do belo e do feio, do bem e do mal,
para ver com qual desses caminhos, valeria a pena conviver!

Socorro Cavalcanti
SUELY SABINO
 
NA CASA AO LADO

Estão festejando algo
Algo que não sei
Sei que o barulho vem
Vem da casa ao lado,

Lado direito do peito bate
Bate sem conter o ritmo
Ritmo que faz festa
Festa no meu coração,
 

Coração anda confuso
Confuso com tanta festa
Festa que nos envolve
Envolve sem nos abraçar,

Abraçar eu quero
Quero sim uma festa
Festa para meu coração
Coração bate,

Bate na casa ao lado
Lado bom parece festa
Festa que vem
Vem pedindo lugar,

Lugar para ficar
Ficar sempre em festa
Festa devo continuar?
Continuar inventando algo?


¨¨¨¨¨¨

BALADA PARA UM VERSO

Desde o começo sou
Sou a melodia
Melodia que ele canta
Canta enaltecendo a vida,

Vida simples ganha
Ganha versos e harmonia
Harmonia eu sou
Sou o complemento,

Complemento da voz
Voz que sei sibilar
Sibilar versos sei
Sei suavizar o tema,

Tema sou
Sou sua musa
Musa que ele canta
Canta com versos,

Versos perfeitos sou
Sou seu amor
Amor desde sempre
Sempre  sua sou.

Suely Sabino
SUELI DO ESPÍRITO SANTO
 
AS HORAS

Na escuridão noturna
As horas passam
Às vezes tão lentamente
Outras vezes, tão rapidamente
Perdida nesse vazio imenso
Sinto meu coração tenso

As horas passam
Mas não levam a saudade
De um passado vivido
No presente sem sentido
Sem nenhuma vontade
Eu fico assim, taciturna.

Sueli do Espírito Santo
TAMIRYS MORAIS
Conceição do Mato Dentro (MG) - Brasil
 
TROVAS

Do momento em que te olhei,
meu coração se alegrou,
senti que me apaixonei,
e nosso amor prosperou.

Hoje admito que mudei,
esperava este momento,
pois desde quando te olhei,
não me sai do pensamento.

Se brilham tanto ao me ver,
são olhos de apaixonado,
meu pensamento a querer,
ter você sempre ao meu lado.

A saudade é engraçada,
por mais que nós a matemos,
não perece, a desgraçada,
com mais vida ainda a temos.

E só o calor de meus braços
pra esquentar seu coração
e dar fim, com meus abraços,
em tamanha solidão.

Tamirys Morais

  
TÂNIA TONELLI

APENAS UM SONHO

Um dos grandes desafios das pessoas principalmente dos mais jovens é ser aprovado no vestibular. Assim poderão entrar na universidade e fazer o curso dos seus sonhos. Infelizmente muitos não são aprovados porque a limites na quantidade de vagas. Alguns argumentam que os alunos deveriam ter estudado mais. Outros comentam para irem estudar em faculdades particulares. Mas a maioria não tem dinheiro para pagar as mensalidades. Na universidade os estudantes devem se comprometerem com os estudos e aprendizado porque serão profissionais exemplares depois de formados.
Inúmeros autores e poetas estão divulgando as suas obras. Parte deles não tem dinheiro para fazerem publicidade. Ainda mais se não descrevem cenas de sexo e violência. Os leitores já possuem os seus heróis, a maioria deles enfrentam os seus problemas com competição e violência.
A competitividade faz parte do mundo atual, exemplos: arrumar empregos, conseguir vagas em universidades e ser aprovado em concursos. Aliada ao individualismo muitas pessoas estão se tornando frias, indiferentes aos problemas e sofrimentos dos outros. Impulsionadas pela ambição gostam de vestir roupas da moda e dirigirem automóveis do ano. Mas a sua vaidade sempre será maior e nunca ficará satisfeita com os elogios. Pois, o dinheiro e poder jamais preencherão o vazio do seu interior.
As pessoas precisam sonhar e lutarem para realizarem os seus sonhos. Devem estar conscientes que a vida real não é como filmes e novelas. Onde os malvados são punidos, a moça conquista o príncipe encantado e obtem sucesso nos seus planos.
No mundo existe fome, miséria e violência. Construiremos uma sociedade mais justa se usarmos a importante arma chamada amor. A alegria esta nas pequenas boas ações dos nossos dias. Incluindo o respeito às diferenças e ao diferente. O aprendizado nos traz a oportunidade de aprendermos algo novo, principalmente se for utilizado ao bem comum. Os nossos sonhos destinados em ajudar o próximo é que dão sentido a nossa vida.


Tânia Tonelli

THAIS ARRIGHI
São Paulo-Brasil
 
COISAS QUE EU SEI

Coisas que eu sei...
É que Deus existe
Mesmo dentro de um coração triste!
Coisas que eu sei...
É ter que lutar para conquistar
O meu despertar nesta vida
Um dia... Ainda com você
Coisas que eu sei
É o poder mágico
Que possui a natureza
Com seus rios, mares e cascatas
Abrigando nas matas
Os animais e os pássaros
Que com suas cores e cantos
Levam-me ate onde quero ir
Com meus sonhos e devaneios
Com todo esse encanto!
Coisas que eu sei...
É amar... É querer...
É deixar a vida me levar
Ate onde seus segredos me encontrar!
Coisas que eu sei... É acreditar
Que Jesus
Veio para nos salvar
Morrer na cruz...
Ressuscitar... E na Páscoa
Entre nós... Ficar... E... Lembrar
Que o amor se faz necessário
Para um mundo de PAZ!
Feliz Páscoa 2017

Thais Arrighi
 
  
TEREZA CRISTINA GONÇALVES MENDES CASTRO
(TÉKA CASTRO)
 
Ofereço aos profissionais da Educação e Saúde que estão sendo massacrados pelas ideologias políticas atuais.

ACONTECENDO

O mundo perdeu valores, somos seres inferiores.
Somos seres que apesar da semelhança com o Criador,
Queremos ser autores dos atos mais vinis.
Somos senis.
Extrapolamos nossa liberdade, somos conduzidos pela maldade.
Fazendo nosso irmão sofrer.
Perdemos a decência, queremos ostentar sem ter.
O mundo se perdeu as guerrilhas,
E os valores de outrora nada valem.
Somos mesquinhos em nossos lugares.
Queremos a perfeição escravizando nosso irmão.
Igrejas lotadas, pastores de toda espécie,
Muitos demandam a politicagem local,
E, nosso irmão mais humilde fere-se por ganância dos demais.
Pedimos a Paz e provocamos guerras.
A Terra sendo uma escola expiatória,
E, nós ainda sem aprendermos a amar verdadeiramente.
Somos deleite da frustração,
E, no coração do Criador
Lágrimas sangrentas.
Filhos que não respeitam e amam seus pais,
Mães que abortam em vida seus filhos.
E, nos trilhos de tudo
O mundo parece diferente do original.
Afinal, somos seres humanos,
Mas, nossas atitudes se resumem a de um animal.
  
Tereza Cristina Gonçalves Mendes Castro

 
 
TRISTÃO ALENCAR PEREIRA OLEIRO
Pelotas (RS) - Brasil
 
A  VIDA

Estive pensando na vida
Efêmera, mas sempre feliz.
Nunca armazenei rancores
Dos momentos difíceis e nas dores.
Só colecionei amores,
Lembranças dos amigos que fiz.
Vida boa que se leva
Ao longo de muitos anos,
Sei muito bem o tanto,
Mas a quantidade de amigos,
Nem sei quantos...
Quero enganar o tempo
Para que ele não me engane
Pois a vida viaja no tempo,
Nós viajamos pela vida
Construindo o retrato do que somos.

Tristão Alencar Pereira Oleiro
 
VALDIRA FERREIRA
 Taguatinga (DF) - Brasil


MULHER MARCADA PELO AMOR

Encantou-me com a maneira de falar
E com seu jeito de ser
Encantou-me com tamanho transparecer!

Soou como algo intrínseco na veia de homem
que desejou apenas  amar e ser amado!
E na conjugação de tal verbo
O amor também
Foi parte integrante desse ser amado!

Deixou evidências no tom de voz
Sentidos, desejos e momentos
E assim permaneci lânguida por dentro

E com tal fitar permanente
E dentro do meu silêncio de  mulher querida e amada
Fiquei num diálogo comigo mesma
E de forma incandescente

Desejá-lo em mim foi  o que me fez  viver esse amor!
Fez de mim um ser manipulável
A ponto de querer permanecer grudada
Nesses tamanhos braços!

E ficar coberta de leveza
Adormecida como se fosse uma princesa
No abraço desse herói e que fez de mim
Uma mulher com interior de rara beleza

Sua presença aqueceu e floriu minha vida
Lágrimas de amor derramei na sua partida
E louvo ao Senhor onde estiver
Louvo pela tua vida e pelo que  exaltou em mim
nesses momentos de  amor & despedida!

Sabe, penso que o ser humano é responsável
Por aquilo que cativa
Por ser instrumento de renovação e crescimento
E, para mim,  representou o que pude sentir aqui dentro

Despertou algo que pensei estar falecido
 Ou mesmo esquecido
E  levantou algo que aqueceu meu próprio infinito
Tua marca de amor
Com ternura e encanto
Foi como uma real  afinidade.

Valdira Ferreira
 
VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO 
Salvador (BA) - Brasil
 
OLGA AMAZONA

Ela é fascinante
parece a outra Olga
e de improviso
lá vai defendendo
por mistérios outras
mulheres, em tempos
lambuza sua telinha
entre os dedinhos
palavras certeiras
piruetas faz pra valer
ligeira e inteligente
se mostra calminha
sendo um vulcão
faz da profissão sua lida
segura cabeças pontudas
muitas quadradas
umas fora de órbitas
outro talento possui
uma poeta brilhante
o seu corpo em riscos
cresceu formoso
continua pequenina
dentro do meu coração
minha querida sobrinha.

Varenka de Fátima Araújo

VERA LÚCIA JACINTHO
Londrina(PR) - Brasil
 

DESPERTAR DO SER

O despertar do Ser inicia
Trazendo a psicossomática.
Buscamos em Dr. Groddeck e Dr. Costardi
A essência do Ser que contagia.

Coloquei meus verbos em ação!
Construí versos diversos, contidos
Na emoção do meu Ser, que despertou
Para o prazer em ler e escrever.

Na reflexão despojei meus desejos,
E na arte me fiz poeta.
Assim, descobri meu potencial criador!

Não importa se o que escrevo é amor ou desejo!
O que importa, é que na poesia me vejo
Um novo Ser em busca de mim mesmo.

Mesmo que seja em metáforas...
Meus verbos pulsam! E nos símbolos
Dou asas à imaginação!
Converso com Seres animados e inanimados,
E o Universo me responde trazendo minhas indagações.

Refleti buscando a razão de minhas dores.
Caminhei pela praia, peguei conchas e,
Percebi a flexibilidade das ondas
E de toda a natureza.

E assim fui ao longe conversando com meu Eu.
Cheguei ao encontro do rio com o mar,
E ali adentrei, fechei meus olhos
Para sentir cada molécula, cada átomo
Do meu corpo e a energia contida entre eu e o Universo.

Meus pés se afundaram, e percebi a flexibilidade da areia
Se adequando ao meu peso corporal.
E assim tive a resposta através dos símbolos.

Se a onda se faz de acordo com o vento,
A areia se move ao meu pisar...
Porque eu tão minúscula diante do Universo
Não me adapto na vida para tornar meu corpo mais flexível?

E as vozes do Universo entoaram:

A rocha é dura, mas com o tempo dissolve-se tornando areia.
A concha é hidrato de carbono, rígida, quase inquebrável.
Mistura do mar e rio, água doce e salgada,
Resulta em soro fisiológico, onde a maior quantidade é o açúcar.
Portanto, equilíbrio.

É isto que você precisa equilíbrio e flexibilidade!
Suas dores são geradas pela sua inflexibilidade.
Seja doce e flexível e será feliz!
Se adapte!

Resta-me modificar meu modo de agir.

Grande és Tu Dr. Costardi!
Que nos ensinou fazer a leitura
Do próprio eu e do outro através dos símbolos.

Assim escrevo em prosa a emoção do sentir e do querer!
Da Luz do Além que me tocou sem saber
Despertando-me para uma nova visão;
Iluminado agora está meu novo Ser.

Vera Lúcia Jacintho
 
  
VERA MARIA CÂNDIDO SANGIORGI
 
MALENA

3h da madrugada, gelada, o telefone berra na sala. Aparelho do meu quarto pifado há meses e toda vez que o som invade a sala, relembro- me que, ainda, não comprei o substituto. Há muito não faz tanto frio, como nos últimos três dias.

Fico mais lerda do que usualmente sou, custa-me chegar até a sala. Telefonema há essa hora, certamente, não é para me avisar que sou a feliz ganhadora do liquidificador, rifa que comprei dez números, para ajudar, nem me lembro o que...

Alô ouço a voz de Malena, audivelmente alcoolizada, aos prantos.
----Oi Malena tô aqui, han, han, han, é horrivel, sim..Você está agasalhada? Não se esqueça da pneumonia do mês passado... han, han, han... Não é facill , sim, sim, deixe- me falar...

Em quarenta minutos estarei aí. Deite- se, bem aquecida. Sim, sim, você me deu a chave... é , é , imagino, me dê um tempinho que chego aí...Vou desligar, oi, oi, estou desligando...

Essa mania que tenho de morar, tendo a natureza como vizinha, passarinhos cantando, corujinhas, miquinhos, dá nisso. Moro afastada de todos os meus caros. Enfrentarei mini estrada, marginal e outros quetais...

Estou um espantalho, olhando- me no espelho, mas, sem batom, não saio de casa. Dou um jeito na cara que permanece péssima, calço tênis, casacão, chaves do carro e de casa, na bolsa, cachorros latindo, entro no carro e me mando...

No silêncio escuro, dou graças, graças, porque o cigarro saiu da minha vida.

Não só o cigarro, mas deixa pra lá...

Malena, tão lindinha, mignon, franja, sempre bem aparada, farta cabeleira chanel, continua menina. Estamos na mesma estrada há séculos... Crianças vizinhas, juntas no colégio e faculdade. Todos os meninos babavam por ela e mesmo, agora, quando em bom estado, é encantadora.

Está em frangalhos, situação devastadora, adoecendo e se quebrando a toa...
É só mais uma vítima, como quase todas nós já o fomos.
Casada há trinta anos, filhos fora de casa e o ex-marido se manda com uma garota trinta anos mais jovem...

Êpa, atenção, bêbados atravessando a marginal a pé. Esqueci-me, é terça, último dia de carnaval...

Breco o carro, quase num cavalo de pau, freio na mão, cachorro atônito cego pelos faróis. Saio espaventada e graças, graças, não atingi o pequenino, onde enxergo costelas sem carne, quase sem vida... Coloco-o, entre o casacão e meu corpo. Ele, ou ela tirita de frio. Volto acompanhada para o carro, meu companheiro está desnutrido, machucado, necessitando emergencialmente de um veterinário

Onde encontrar, na madrugada da terça gorda de carnaval, local para ser atendido. Lembro- me do PS na República do Libano, naquela escuridão, não tarda a mão de Deus, encontro caminho para chegar lá.

Há luz acesa e saio do carro com meu novo amigo colado em mim.
A campainha não funciona e grito: doutor, doutor, doutor, ajudem- me...

Rapaz bonito abre a porta, não sei se ele entende a quem deve atender: ao espectro de mulher ou ao cachorro. Explico a situação... Com muito carinho, aplica soro no Bob, já nomeado, examina-o inteiro, RX, medicamento nos machucados, facha numa das patas e Bob já é outro. Aguardamos o final da aplicação do soro, conversando. O dr está fazendo seu PHD e não lhe é sacrifício passar as noites na clinica, atendendo e estudando...

Iche... Malena me esperando, sofrendo porque assistiu na tv, o ex e a atual desfilando numa escola de samba, no Rio de Janeiro...

Agradeço a eficiência do dr, e ao pegar o talão de cheque, na minha bolsa só está a chave de casa, porque é fixa nela. Esqueci-me de pegar a chave da porta da Malena. Preciso comprar ração para Bob . Há supermercado sobrevivente 24 horas, perto da minha casa, longe, longe...

Celular para Malena... Não atende... Com certeza adormeceu babada em lágrimas...

Não estou cometendo nada que desagrade minha consciência.

Quantas não estivemos, estamos e estaremos na situação dela
Apesar de estar cercada de amigas, nenhuma apareceu na minha casa em madrugada fria para me consolar. Ajudaram-me muito, ouvindo a mesma estória, zilhões de vezes. Cuidaram-me, levaram-me a cabeleireiro, esteticista, igrejas diversas, centro espírita.

Rolou de tudo no enorme suporte que recebi.

Estou ótima, devo muito do carinho recebido, terapeuta recomendado e espiritual bem trabalhado. Amanhã irei até Malena, ouvirei a mesma estória, com novo adendo. Casal na pista, trajados de índios e aquela descarada, seminu...

Chegando em casa, apresento Bob a seus nove irmãos.Inteirei 10!!!!!
Será uma farra brincar com todos eles, amanhã!!!!!

Ôbaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!

No meu texto é inverno durante o carnaval

¨¨¨¨¨¨

A MELHOR MESTRA

Vida, mestra antiga, milênios de janela, platéia que não aplaude, ensina que nos desapeguemos dos inimigos, reinventemos o principal, desatemos dúvidas, esqueçamos o sucesso, tão passageiro, cortemos errados atados, livremo-nos dos arrependimentos, cultivemos a rotina da delicadeza e solidariedade, a curiosidade pelo novo, comuniquemo-nos pelo falar e não: sim, jamais, quem sabe, talvez... E porque vivemos em comunidade, mimemos os animais, os nenéns e amigos, o que nos faz muito bem!!!


Vera Maria Cândido Sangiorgi

 
  
VERA PASSOS
AH! SE EU PUDESSE...

Se eu pudesse...
Mergulhar no vento e varrer a dor
Viajar como as folhas secas no outono
Seguir as passarelas da Terra nas alvoradas
Dobrar esquinas em linha curva
Sem impedimentos, sem espinhos
Visitar a mais tenra idade desse paraíso
Se fosse preciso, refazer as linhas das estradas
Seguir as correntezas de um rio ainda menino
Onde pudesse levar vida ao semi-árido
Escalar montanhas nos desertos
Sem rumo certo fugir na luz
Na velocidade do tempo
Voejar nos campos Elísios nas madrugadas
Semear vidas onde a morte chega cedo
Deletar o medo dos bosques, salvar os duendes
Onde a fantasia pudesse hibernar na infância
Voltasse à coerência dos sítios, a pasmaceira
Onde o Brasil de novo, fosse à terra da PAZ
Se eu pudesse... Construir um cais tranquilo à beira mar
Voar como as águias aos píncaros dos montes.
Lá no alto sobrevoar as nuvens, em novos horizontes
Derreter os corações ímpios, com o rio dos olhos
Embriagados de esperança, um sonho de criança,
Eu sei que as turbulências ainda não tragaram.
Criaria pontes onde houvesse lacunas
Sobre as dunas dos meus sonhos, emergir feliz


¨¨¨¨¨¨

APENAS UM RIO

Nasce aqui dentro do peito um rio
Antes disparava buscando a vida e abria caminhos
Hoje segue o silêncio da caminhada observando a brisa
Se embriaga polindo pedras  rudes
Encanta-se com os peixinhos brincando de corre - corre
Esse rio trouxe a infância e hoje deságua no coração
Muitas vezes atravessou desertos, caatingas e subsolo
Fugiu da intempestiva maldade humana
O meu rio já não tem pressa de avançar
Segue coerente no seu viajar
A ansiedade de outrora fez sua história
Nos dias de hoje meu rio traz as flores
Que um dia semeei nas margens
Como aquele ingazeiro que abraçava as águas
Na correnteza do rio como serpente.
E eu no meu desvario, tentei me agarrar, para sempre.
E minha Vó me dizia: não queira ser semente...
Semente é só.

Vera Passos

 
WASHINGTON LUIS LANFREDI DIAS DOS SANTOS
 
HISTORIA DE AMOR SEM FIM

Numa cidade pequena sem rima
Onde vivi por toda a vida
Nada acontecia comigo
Até que estive contigo;

Minha vida teve sentido
Conheci um ombro amigo
Que me deu carinho
E me deixava sorrindo;

Comecei a trabalhar
E a vida começou a rimar
Nada me faltava
Então pensei em casar;

Casamos em um dia especial
Que nunca esquecerei o luar
Pois após esta data querida
Fui seu por toda a vida;

Os anos passaram muito rápido
Mas sempre estive do seu lado
Em momentos felizes
E até dias infelizes;

Nunca esquecerei seu melhor presente
Nossos filhos contentes
Que animavam a vida
E a rotina da gente;

Eles cresceram felizes e fortes
E nós tivemos muita sorte
E nossa historia assim
Poderia chegar ao fim;

Mas nunca faltou amor
Que sempre nos acompanhou
Sempre com ternura
E muito fervor;

E o fim enfim chegou
Sem nenhuma dor
Pois tínhamos muito amor
E assim encontramos o Senhor;

Nosso amor continuou
Por toda a imaginação
Que possa ter numa simples canção
Obrigado por essa emoção.

Washington Luis Lanfredi Dias dos Santos
 
  
WENDERSON CARDOSO
Contagem (MG)
 
RODA DO TEMPO
  
Da janela de minha vida sinto o oxigênio fluir e a luz do sol acariciar ardentemente a minha pele enrugada.
Do silêncio emanado da viela, de movimento parado e lento...
Vejo o mundo ligeiramente devagar girando em ruídos silenciosos do avançar da roda do tempo.

Vejo na pequena praça com poucos bancos de pedra e algumas árvores estrondosas...
Dois enamorados com mãos entrelaçadas em íntimas juras falsas de amor.
Que saudades do meu tempo de mocidade!
Gira ligeiramente devagar em ruídos silenciosos a roda do tempo!

Vejo de olhos fechados cada instante se passar...
Os peraltas de calças curtas soltar pipas feitas com bambus surrupiados...
Que saudades do meu tempo de mocidade!
Mas a roda do tempo insiste girar em ruídos silenciosos.

Vejo ainda com os olhos cerrados tudo e muito mais daquele tempo bucólico...
Vejo ainda com os olhos cerrados tudo e muito mais daquela época de mocidade...
Sinto o oxigênio fluir e a luz do sol acariciar ardentemente a minha pele enrugada.
Vejo o mundo ligeiramente devagar passando em ruídos silenciosos...
Da roda do tempo, implacável e pujante a girar.

Hoje, em meio às lamúrias e limitações dos meus ossos, músculos e carne...
Sinto ainda a brisa de minha janela que a tudo permitia eu ver e nada enxergar.
Que saudades do meu tempo de mocidade!
A roda do tempo, implacável e pujante, continua sempre e sempre a girar.

Quero chamar os peraltas das pipas coloridas de outrora
Quero sentir minha pele sendo queimada refrescantemente pelo sol...
Quero, novamente, ouvir o ranger das fechaduras e girar novamente a taramela para a vida...
Que saudades do meu tempo de mocidade...
Que a roda do tempo insistentemente deixa... Deixa... E deixa para trás.


Wenderson Cardoso
02 de abril de 2017
 
WILSON DE OLIVEIRA JASA
 
MOVIMENTO POÉTICO EM SÃO PAULO

O Movimento Poético
em São Paulo já nasceu,
como uma grande entidade,
e bem rápido cresceu;
é conhecido no mundo,
muitas batalhas venceu.

Teve reconhecimento,
no Brasil e mundo afora;
mostrando nos seus Poemas,
a beleza que vigora;
com seu passado de glórias,
e que perdura no agora.

Movimento bem Seleto,
que na vida só nos traz;
momento-felicidade,
e nossas forças refaz;
pois nos serve de alimento,
e também nos traz a Paz.

Poesia é como a Rosa,
deixa a vida perfumada;
mostrando em Versos beleza,
deixando a alma aveludada;
sendo o Poema o jardim,
da canção apaixonada.

Sintonizando palavras,
na cadência dos seus Versos;
segue o Movimento assim,
com seus temas mais diversos;
deixando sábias mensagens,
em todos os Universos.

Décadas já se passaram,
prevalece a Poesia;
o Movimento assim cresce,
com muito encanto e magia;
e ilumina corações,
com tanto Amor que irradia.   
   
Wilson de Oliveira Jasa
    (01-07-2014)
 
 
YNA BETA
 
DUVIDAS?

Olhando as chamas da nossa lareira
O fogo espelha a ardente maneira
Do calor que crepita em meu coração...

Duvidas?
Relembre aquele amor constante
Que dizias para nós ser bastante.
Que jamais iria eu sentir solidão...

Duvidas?
Jamais olvides daquele meu amor
Que te entreguei com tanto ardor
Mas duvidaste e afoguei-me em paixão...

Yna Beta
 
 
ZzCOUTO®
 
PÁSCOA!
Luz do Amor e da Paz!

Celebrar a Páscoa é celebrar na fé
a certeza da vitória, a certeza de que
temos um destino: a eternidade com
Deus, porque o Amor D'Ele por nós é
mais forte do que os nossos pecados.
Seu gesto foi de Luz, salvou toda a
humanidade da condenação eterna.
Fomos libertados das "algemas" do
pecado, porque Ele aceitou e fez a
vontade do Pai, nos convidando a fazer
a experiência de passar da escuridão
à Luz, por amor ao próximo.
A Paz de reconhecer que Cristo veio
até nós, morreu por nós e ressuscitou
para abrir as portas do Paraíso para
todos aqueles que o seguirem, nos
ajuda a enfrentar quaisquer obstáculos
que se interponham entre nós e a verdade.
E a Paz de Cristo tomará conta
do nosso ser e nada poderá abalar nossa
caminhada rumo à morada junto a
 Deus Pai.

Feliz Páscoa!

ZzCouto®