sábado, 26 de dezembro de 2015

ANTOLOGIA VIRTUAL DE NATAL 2015 - PORTAL CEN - "CÁ ESTAMOS NÓS"






ANTOLOGIA VIRTUAL DE NATAL CEN 2015

XV EDIÇÃO – ESPECIAL DE NATAL

FELIZ ANO NOVO!




Aos Escritores do Portal CEN – “Cá Estamos Nós”, colaboradores e leitores votos de um BOM e FELIZ ANO NOVO, com muita Saúde, Alegria e muito CALOR HUMANO! São os sinceros votos do Portal CEN – “Cá Estamos Nós” Centro Cultural Maria Beatriz e seus Assessores.



Autores e Colaboradores CEN


Selo de participação



Antologia Virtual CEN organizada por
Maria Beatriz Silva (Flor de Esperança)
Assessora do Intercâmbio Cultural CEN
Brasil/Portugal
Idealizador Carlos Leite Ribeiro , Presidente do Portal CEN - Portugal

Apoio: Centro Cultural Maria Beatriz - Laje do Muriaé (RJ) - Brasil



AUGUSTO CABRAL

FELIZ NATAL PRA VOCÊ

(Letra de música do Autor: José Augusto Cabral)

É Natal! E as estrelas, no Céu, brilham mais;
Porque a Grande Estrela da Paz deu ao mundo o Seu Coração...
É Natal! E a magia que envolve este dia,
Transformando tristeza em alegria, cobre a Terra em qualquer direção.

Vêm dos Céus, muita luz e canções, com um coro Angelical.
E aqui, outras luzes sobem aos céus nesta Noite de Natal...
Lá no Céu, pra Jesus, homenagens e canções Angelicais.
E na Terra, muita Paz, enfeitando este Dia de Natal.

Sobre as nuvens, neste Dia, com muita emoção,
Muitos Anjos, em coro, cantando, interpretam essa nossa canção...
E hoje eu sei que, na vida, o mais importante
É que o Aniversariante mora dentro do meu coração...

Lá no Céu, muita luz e canções, com um coro Angelical.
E aqui, muita Paz... Pelo menos neste Dia de Natal.
Lá no Céu, pra Jesus, homenagens e canções Angelicais.
E na Terra, muitas luzes enfeitando esta Noite de Natal.

Em Vídeo




AGAMENON ALMEIDA DE SOUZA
Salvador-Brasil

NATAL
                   
Se o menino Jesus de novo voltasse
Debaixo da ponte ele nasceria
Sem reis, sem ouro, incenso ou mirra
Porque ninguém hoje o reconheceria

Se uma estrela cadente cortasse o céu
E até mesmo parasse num canto qualquer
Bem pouca gente por certo a veria
Porque as teorias estão matando a fé

E nas ruas desertas em suposta paz
Gente sem pão, perdidos, desnudos
Filhos sem mães, pais desvalidos
Procuram sentido para tanto absurdo

E aquele menino na sua manjedoura
Envolto em tristeza por certo choraria
Vendo tanta gente querendo comprar
Esperança e a paz nas mercadorias

Entre tantos presentes e muitos abraços
Se bebe e se come quase em delírio
Enquanto o menino, o dono da festa
Só enfeita o presépio num canto esquecido

É preciso que o amor de novo floresça
Que não se esqueça do poder da oração
Só a fraterna mensagem de esperança e paz
Se transforma em Natal dentro do coração.

Agamenon Almeida de Souza


 

ALFREDO BARBIERI

NATAL

Natal, expectativa
Natal, princípio
Natal, alegria
Natal, vida nova
Natal, esperança
Natal, doação
Natal, sorriso
Natal, congraçamento
Natal, criança
Natal, família
Natal, solidariedade
Natal, plenitude dos tempos
Natal, JESUS ENTRE NÓS.
ET VERBUM CARO FACTUM EST !

Alfredo Barbieri

 


ADRIANO COELHO PEIXOTO
Laje do Muriaé (RJ) – Brasil

"VIVER O TEMPO"

Quando o tempo é precioso
Vejo a vida por outros olhares
Um olhar minucioso
Que me leva a outros ares

Cada instante é singular
Cada ser humano também
Se eu posso te amar
Deixe-lhe fazer o bem.

Um instante em seu olhar
Me diz tudo que nunca ouvi
Uma vírgula, pausa para descansar
E prosseguir, andar onde nunca vi.

Um desejo a alcançar
Um refúgio dentro de mim
Quero da vida o não calar
Para viver feliz enfim.

 Adriano Coelho Peixoto

 

ANDRÉ ANLUB

MANHÃ DE QUASE NATAL   

Veemência ao máximo, mas a corda ruída; troca-se a música erudita por um funk pesado. Na beira do abismo com o pensamento equivocado, constrói-se o equilíbrio conforme a necessidade. E atravessa-se o vale: agora se vê cedros secos e regadores lotados d’água; ave cinza voando ao redor de arco-íris. Foca-se a íris em bocas que com todos falem, palavras inexatas – incoerências em dialéticas. E retorna-se à corda, não se sossega o facho: acorda os olhos, pois agora é real perigo; nostálgico tempo, vento e desabrigo. Pede-se o ofuscamento, pois coragem em andamento... O sangue corre quente e rente à corda balança a mente (troca-se o funk alto por Ron Carter e seu contrabaixo). E acorda-se do sonho, agora voa-se baixo: céu encoberto, nuvens à vera, ventos fortes de leste varrendo a estação; o sol quente que preste, a cachoeira à espera, nos poemas – quimeras; para as feras, oração (fica Ron Carter e seu contrabaixo). Vulcões estouram, à realidade da lâmina do vento, entre diversos contratempos: melancolia e saudade. Seguimos espertos nos mares, nos maremotos cabreiros. Nos peixes-espadas guerreiros e ingestão de ornamentos. O tempo agora é amigo – parceiro, sombra e herdeiro; delicado, bem-humorado, sorri a mim com sarcasmo. É meu ouvinte esse tempo, o grito que ensurdece os receios, segredos e vivencias e abrigos – antigos pensamentos são recentes. Barba enorme e o cabelo que não cresce, prece disfarçada de poesia. Todo dia um bom-dia à “reprise” e o “vixe” que procuro nas nuvens. Damos sempre “viva” aos mortos, e tem aquele que se faz evidente; cantam descrentes e crentes à sorte; cantam ao norte na hipocrisia da vida. Enquanto o sol beija meu corpo na fria manhã dessa quarta, a folhinha com os dias marcados parece caçoar da minha cara. Veio tranquilidade, mas logo a má notícia; veio no dia à perícia, para dar certeza ao estrago. Mas ponho forte o cordão – São Jorge pendurado –, e faço o branco pendão, a paz em imaginário reinado. Rigor na minha sábia decisão, mudanças nos planos da festa; há pudor, mas há tiro na testa, se houver algum ligeiro mau humor. 
Tudo são fogos com o foco armado, embriagado de fortuna e sorriso;

Tudo são figas nas mãos dos amados, e com torcida não há mais perigo
Ouço pássaros chamando meu nome, pela varanda novo dia de conceitos e afins;

Ouço músicas que me remetem ao sono/sonho profundo, talvez nostalgia.
Há a obscuridade de lembranças, mas há a claridade das promessas e esperanças; há um tempo muito novo – talvez amanhã ou daqui a uns anos; há um tempo antigo – talvez minha infância ou seis meses atrás. Na adolescência o tempo era farto, mas aos nossos olhos tornava-se escasso; com a maturidade o tempo torna-se escasso e não há espaço para colocarmos as farturas.
O Natal bate à porta, entorta e revive as letras já tortas e mortas; o novo dia chega chegando, breve e erudito, compromissado compromisso de haver algo novo e harmonia. Beijo meu anel de São Jorge; ato falho, desnecessário... Pois na fé sempre me agarro! Coloco as chinelas que trouxe, de couro velho e sola de pneu de carro; coloco o pijama bem leve e para o frio de Itaipava me preparo. Um “drops” e um drope no copo de café... Virá com cara de cinza mais um dia – nada de sol, só de só (mas sobrevivo). A névoa que não se espalha traz um pedaço de bom dia, traz a fleuma, bela visão do horizonte, inspiração e todo o restante montante... E, à revelia, me impute felicidade. Enfim, o frio não veio; no velho que passa pela rua com frio, vejo seu pensar distante e seu andar sereno. Na criança do vizinho, sinto o dom da juventude. No pássaro que canta no voo, ouço o som da liberdade... Hoje sou o mesmo Eu, mas mais suave; sou velho, menino... e sou ave. Outro dia flagrei-me lembrando de certa véspera de Natal, lá pelos idos de 1992, quando encontrei nas areias finas da praia de Grumari, um grande amigo de infância; foi realmente uma enorme coincidência, já que estou falando de uma praia que se encontra numa reserva ambiental, que conta com a presença de poucos “points” e que é brindada com ondas em quase toda sua extensão (2,5 km). O encontro: estava na praia num dia ensolarado, dando minha corrida pela areia e esquecendo-me da advertência do médico a respeito do meu joelho bichado... Advertência esta que eu não deveria correr nem pela areia mais dura, perto do mar, muito menos pela areia fofa... De repente vi aquela prancha fincada na areia, ao lado de uma cadeira vazia e um guarda sol com estampa de cerveja. Reconheci a prancha e já voltei meus olhos ao mar. Lá estava o “brother”, surfando de jacaré, bem ao estilo de nossa meninice... Sentei-me na cadeira, meu joelho “sorriu”, olhei novamente para o mar e assobiei... Trocamos acenos e me ofereci à poesia. Ele, morador do Bairro Peixoto em Copacabana, era meu vizinho de bairro, andávamos na mesma turma e dividíamos as mesmas praias e namoradas... Ele, que sempre após a ceia na casa dele passava na minha para comer mais um pouco e beber mais um vinho, já avisou que naquele ano não seria diferente, deixando-me extremamente feliz. Nesse dia, nessa cena congelada na hora, e agora se congela na memória, começou meu mergulho no mundo poético, uma de minhas razões de viver. Um poema nasceu, amadureceu e se concretizou anos depois; o poema melhor lapidado e com respingos dos Natais que passamos juntos, sorrisos que dividimos e das opiniões e namoradas que trocamos... 

Um poema de saudade, de falta e da sensação que deveria ter ficado mais datas ao seu lado... Grande amigo.



O poema:

Acordei com uma lágrima;
No sonho bem claro o rosto,
De pronto sorriso me olhava;
Amigo de praias e farras
Que o vento levou sem aviso;
Deixando a doce lembrança,
Momentos que não amarelam,
E regam o verde singelo
Desse jardim da saudade.

André Anlub





ARY FRANCO (O POETA DESCALÇO)


CONTAGEM REGRESSIVA

Sinto meu coração pulsando mais rápido.
O amanhã está chegando, a alegria vai aumentando.
Procuro rima para meus versos, não acho,
mas quero escrever, dividir minha ansiedade.
É o 2015º aniversário do nascimento de nosso
Amado JESUS CRISTO.

Deus observa esta desvairada humanidade
com irmãos lutando entre si por valores materiais.
Mas, pelo menos no Natal, uma parte deles
se irmana, se confraterniza para comemorar
o dia do nascimentos do Seu Filho Maior.
Triste, ELE sabe que tudo voltará ao que era
e as guerras continuarão com uns insanos
matando em Seu Nome,hereges negando Sua Existência.

Abraços, beijos e presentes trocados,
A comemoração dura poucas horas.
Tudo volta ao que era. DEUS CHORA!

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NOITE DE NATAL

Escuto na casa ao lado
Manifestações festivas
Sinto-me só e isolado
Estou sem alternativas

Procuro dormir já sonolento
Logo ao deitar chamam-me à porta
Levanto-me devagar, meio lento
Quem será? Pouco importa!

Pergunto ao inesperado visitante
Por que tocara a campainha
Respondeu-me no mesmo instante
Vim te fazer companhia

Curioso, achei interessante
Indaguei sobre seu nome
Respondeu-me ser o aniversariante
Perguntei se estava com fome

Não, respondeu-me com bondade
Meu nome é Jesus Cristo
Alimento-me de tua felicidade
Fiquei estupefato com o imprevisto

Na casa ao lado todos comemoram
E festejam meu aniversário
Todos bebem e me ignoraram
Ficarei contigo no imaginário

Acordo de súbito assustado
Improviso rápido uma ceia
Pode voltar Meu Convidado
Nesta linda noite de lua cheia!

Ary Franco (O Poeta Descalço)


AGUINALDO LOYO BECHELLI

PARABÉNS, JESUS CRISTO, PELO SEU ANIVERSÁRIO!
2015 ANOS – 25 de Dezembro

Sim. Jesus 33 era forte.
De corpo também.
Naquele tempo
não tinha serra elétrica.
Ele ajudava o pai,
Zé, São, carpinteiro.
Tinha que serrar no muque.
Quem carregaria aquela cruz?
Sozinho! – O Homem.
Cada baita tora!
Enxotou mercenários.
Encarou Pilatos.
Cristo, não cristo, peitudo.
Não sei porque
nunca o mostraram assim

Sim. Ungido. ligado. Desligado.
Coragem e simplicidade.
Há de chegar o momento
de tempo para bobear,
jogar fora os elásticos,
gravatas, cismas,
o peso dos ingratos.
Enfim, o escalão: amor.
Viver tudo de nada.
Jesus não veio pronto.
Sem negar luzes,
bem parido, a criatura
se fez filho do Criador.
Não sei porque
nunca o mostraram assim.

Em Caná, no casório,
chegou, já tinham
emborcado tonéis.
Tanto! Acabou o vinho.
Fosse Ele um chato,
aborrecido, panariço,
vento encanado,

não faria o que fez:
pediu seis talhas de água,
transformou-as em tinto.
Novo embelezador.
Sim. Jesus era alegre.
Ria.
Não sei porque
nunca o mostraram assim.

Aguinaldo Loyo Bechelli



ARIOVALDO CAVARZAN


O CORDEIRO E O PUNHAL
18/11/2009


Dava para ouvir, ao longe, um triste canto de ave noturna, no quase escuro da noite, que começava a chegar.
A biquinha ficava na parte mais baixa da gleba, chamada pastinho, e seu olho d'água escorria de um cano fincado em pequena parede, fazendo transbordar um tanque e seguindo serpenteando, em gravidade, em direção à rua de terra batida.
Uma pequena horta circundava a nascente e era toda cercada, para impedir eventuais incursões das poedeiras, carijós e vermelhas, e de outros bichos criados soltos entre arvoredos, terreiros e primitivas construções, sobre um tapete de folhas caídas.
Entre o pastinho e o chiqueiro, quase tocava o céu um enorme jaracatiá, de tronco grosso e recoberto de espinhos, enfeitado lá em cima por cachos desabrochados de uma espécie de paina, cuja alvura lhe outorgava ares encanecidos de espécime anciã.
Para a manhã seguinte daquele meio de semana, o patriarca havia programado sacrificar um cordeiro, seguindo à risca antigo ritual, semelhante a execução consumada em requintes de crueldade.
O brilho intenso das estrelas espalhava manchas brancas no céu, contrastando com o negrume da noite postada, convocando vagalumes e grilos para um balé coreografado entre árvores, ao embalo de coaxares e cricrilares, que compunham o cenário e a trilha sonora do sono, que já se impunha aos corpos cansados.
Logo ao amanhecer, o cordeiro escolhido foi emboscado, tendo as patas traseiras firmemente amarradas, para facilitar que fosse dependurado num galho, de ponta cabeça, até a hora do martírio final.
Após a caneca de café com leite, o pedaço de pão amanhecido e a fatia de polenta, assada em chapa de fogão a lenha, o patriarca afiou numa pedra guardada a fina lâmina de um punhal, arregaçou as mangas da camisa, ajeitou o chapéu, cuspiu para o lado o toco de cigarro de palha, que fazia rolar de um canto ao outro da boca e se aproximou decisivo, da presa, que se agitava em esgares de estertor e pavor, pressentindo o instante fatal.
Pequena e curiosa plateia aguardava o esguicho do sangue, pela fenda a ser aberta na jugular.
Foi quando dos olhos do pobre cordeiro escorreram lágrimas de desespero, fazendo frustrar a consumação da degola.
Por um átimo, o patriarca estancou, afagou com a mão a cabeça do condenado, olhou para o céu de um sol recém apontado, e ordenou a sua soltura, ensejando a que desabasse de encontro ao chão e, aos pulos, desaparecesse por entre a vegetação.
Bem próximo dali, ouviam-se grunhidos entrecortando a respiração escandalosa de porcos, segregados no chiqueiro da pequena propriedade, ex-sentenciados ao mesmo fim.
A partir desse dia, nunca mais se viu função alguma ser
outorgada à lâmina fina e afiada daquele punhal.
Estava chegando mais um Dia de Natal.


SEJA BEM VINDO, SENHOR!
20/12/2011


Lampejos de paz e de felicidade
iluminam a noite da humanidade,
feito mimos de reis Magos,
depositados aos pés do Salvador.

Inocentes acodem, em curiosidade,
alheios ao quanto nosso pobre orbe
dele irá precisar.

A grande metamorfose já vem,
sem poder e ostentação,
transmudando soberba em bem,
em humildade, perdão, carinho e devoção,
seguindo o despojado sinal da manjedoura,
em Belém. 

- Quem é ele? - de onde vem?
Indagam os pequeninos.
Ele é o Cristo, o filho de Deus,
o enviado do Céu, o menino,
aportado na estrebaria,
para ser rei entre os homens.

Ele é, em expressão verdadeira,
o arauto das boas novas,
a ensinar-nos que o amor e a paz
devem nascer da simplicidade,
da igualdade, da sincera caridade,
enfeites d'alma a nos fazer crescer,
pela vida inteira.

Hosanas e Glórias a Jesus!
O rei, o menino,
o verbo, o homem,
o espírito de luz!

Seja bem vindo!
Em casebres, palácios, mansões,
favelas, calçadas, espigões,
debaixo de pontes, taperas,
há muito anseio e esperas,
sobretudo em corações.

Seja bem vindo, Senhor!

Que os lampejos de paz e felicidade,
deitando luz por sobre a manjedoura,
nosso coração façam vibrar,
em felicidade duradoura.

E que não apenas em cada Natal,
mas em todo o nosso caminhar,
possamos vivenciar,
em felicidade e em dor,
o supremo ideal
do seu infinito
amor!


Ariovaldo Cavarzan


ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO
Lisboa - Portugal

PAPA FRANCISCO

Papa Francisco é o Pastor
Deste rebanho global,
Todos trata com amor
E carinho sem igual.

Do rebanho, sou ovelha,
A Jesus que é meu Padrinho,
Com fervor, eu ajoelho,
Pelo Pastor rezo baixinho,

Tu tocas o coração,
Com tua simplicidade,
Abominas a vaidade,

Intercede pois, então,
Por mim com muito fervor,
Junto a Deus Nosso Senhor…

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GLOSA EM QUADRA

MOTE
Celebremos a amizade
Em paz e santa união
Neste Natal de saudade
Que preenche o coração!

(Maria José Fraqueza)

Neste mundo de porfia,
De orgulho e de vaidade,
Com amor e cortesia
Celebremos a amizade.

Que esse valor conseguido
Com carinho e emoção,
Deverá, pois ser vivido
Em paz e santa união.

Nessa noite há dois mil anos,
Noite de santa verdade,
Em que Deus se fez humano,
Neste Natal da saudade.

Vivamos com simpatia,
Com amor e compaixão,
Amizade é alegria
Que preenche o coração!

¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨ 

SONHO DE NATAL…

Esta noite tive um sonho,
Sonho lindo, ao começar…
Sonhei um Mundo risonho
De beleza sem ter par…

Voei às nuvens suponho,
Voei tanto até cansar,
Porém em local medonho
Sem querer, eu fui pousar…

Era só destruição,
Tudo e tanto arrasado,
Qual raio…, qual trovão…,
Estava tudo consumado!!!

Foram grandes as catástrofes,
Guerras…, pestes e degelo…,
Hiroshima e Nagasaki,
E não só…, de meter medo!!!

Bati à porta do Céu
Pedindo misericórdia,
Que o Homem ensandeceu,
Perdoai a nossa História…

Assim, pois eu fui orar
Por toda a Humanidade,
E o Deus eu vi a chorar…
Por ver tanta infelicidade…

E em nossa direcção
Dirigiu o Seu olhar
Estendendo a Sua mão
Para a Terra abençoar…

E um Anjo então voou
A Maria anunciar:
“Deus o Seu Filho mandou
Em Ti se vai consumar…”

E à Terra o Deus desceu
Para com o Bem vencer o Mal…
E assim se abriu o Céu
Nessa noite de Natal…

Foi Seu Filho pequenino,
Que por nós morreu na cruz,
Para salvar nosso Destino,
Veio à Terra…, foi JESUS…

António Boavida Pinheiro


ANTONIO PAIVA RODRIGUES

FESTA DE NATAL

No calvário, martírio e sofrimento, na vida dores e lamento. Na canga jugo e opressão. Na árdua luta do dia a dia equivocadas alegrias. Convivemos com indolências e autoridades iníquas. Como iremos partilhar mesas fartas, enquanto existir no mundo crianças famintas. Como vamos partilhar o peru se crianças morrem de fome e ficam as espreitas dos urubus. O tribunal dos antigos condenam os novos e os novos tribunais condenam os mais antigos. A ociosidade do brasileiro se transforma em fome e miséria e esses vieses, em violência. Como comemorar um natal com esperança e um ano melhor, se os políticos desonestos, através da justiça injusta conseguem manobrar o errado e transformá-lo em correto.
Que pegureiro consegue criar suas ovelhas em paz e seja um pastor de ovelhas lucilentes. Ovelhas amestradas que só tragam felicidades a gente. A improdutividade, a preguiça mental e as corrupções são chagas dolorosas que impulsionam atos e fatos deletérios ao ser humano. Não sejamos estéreis e sim produtivos. Devemos antever prever ou prognosticar atos feéricos que engrandeçam nossos corações.  Se o menino Jesus veio ao orbe terrestre na mais pura pobreza, porque as religiões primam em arrecadar bilhões em vil metal. Isso é absurdo ou natural? Devemos praticar o bem e exterminar o mal de nossas vidas.
Na festa de natal o mundo se colore, mas a vida dos mais fracos, oprimidos e estropiados se opaca. É uma desgraça que ninguém consegue resolver. É o homem explorando o mundo fazendo tudo ao contrário de como Jesus nos ensinou. A charrua do mal caminha e destrói as esperanças das crianças brasilianas. O que fazer? Não sabemos, mas os homens de boa vontade saberão. Devemos neste natal conhecer o íntimo do nosso personalismo. Reiteradas vezes usamos a proposição hercúlea de ver a alegria estampada no rosto das crianças abandonadas.
Pensamos em Papai Noel, mas ele já não é papai virou padrasto, visto que algumas crianças ganham presentes e a maioria fica só na esperança. Vamos nos espelhar, nos retratar e tomar como modelo qual herói brasileiro? Já que estamos carentes de líderes vamos reavaliar, reapreciar e reanalisar os atos insanos de nossas vidas. O desculpismo exagerado nos adoece e nos faz sofrer. Natal não é data de tristeza e sim de alegrias. Já que o natal de Jesus te emociona, elevando-te o psiquismo aos ideais reformistas de si mesmo no transpores, com o coração cheio de renovadas esperanças, o pórtico feérico do Ano Novo, aproveita o ensejo para reflexionar se cumpriste, no quando e no tanto que te foi possível, o programa redentor que elaboraste para esta etapa vivencial.
Como se desenvolve sua etapa vivencial? Tens praticado o bem sem olhar a quem? Esperamos que sim. Como dizia o irmão Reynaldo o bem eleva o homem, o mal deteriora o espírito. Vamos meditar neste natal e amealhar todas as energias positivas e doá-las as pessoas carentes. Jesus querido irmão, que o homem passe a respeitar seu semelhante, que ame mais a vida e mantenha o amor no coração. Enquanto a criança na sua intensa energia propícia à felicidade nós rejeitamos e agimos pelo instinto e pelo mal.
Querido Jesus protege-nos, coloca-nos no palmilhar do bem e que possamos ver o semelhante como irmão. Devemos fazer uma criança sorrir nessa magna data. Faça sempre como nos ensinou o Salvador: "Deixai vir a mim as criancinhas, pois elas herdarão o Reino dos Céus". Infelizmente nossas crianças estão expostas as pragas da rua e se não tomarmos providências urgentes elas serão nossos algozes no futuro. "Conserva a simplicidade, observa onde te põe, a ambição domina os homens em todas as direções". Que tenhamos um natal feliz, de paz, de prosperidade, de amor, onde o vetor principal seja o próximo, nossos queridos irmãos. Que Deus seja louvado!

Antonio Paiva Rodrigues


ANA LUCILA MARANHÃO
 Recife – Brasil

NOITE DO NATAL!

 Já estamos em clima natalino, começamos a arrumar o nosso
 lar; cuidamos da decoração, árvore de Natal, presentes,
 jantar, confraternização, e, também a missa do Galo, ou
 culto; é noite de festa!
 Mas, atenção não esqueçamos do Aniversariante:
O Menino Jesus.
 Vamos aproveitar a linda noite de Natal, feliz e em paz para
 pedir perdão e perdoar.
 Roguemos ao Deus Menino e a Sagrada Família que nos
 abençoe e conceda muita fé, perseverança, força e
 aceitação das novas situações, desafios e missões que
 estão por vir.
 É a época em que fazemos uma avaliação das coisas boas,
 alegres, tristes, sucesso e realizações que aconteceram na
 nossa vida, durante este ano que vai acabando...
 Vamos manter viva a Esperança em dias melhores virão no
 ano que vai chegando...
 Agradeçamos, portanto a Deus por tudo que conseguimos,
 conquistamos e realizamos em 2015.
 Ansiamos por surpresas boas e bons acontecimentos que virão
 e, ficarão marcados em nosso coração.
 Com o passar do tempo aprendemos o que realmente tem
 importância e valor na vida:
 família, paz, amor e saúde. 

 Desejo a todos do Portal CEN: Um feliz Natal e Ano Novo! 

 Seja  Bem-vindo 2016!

 Ana Lucila Maranhão

 


ANAMARIA NASCIMENTO
 Aracoiaba (CE) – Brasil

FRATERNIZANDO...

Natal sempre nos traz luz
e também grande certeza,
que somente o amor conduz
ao caminho da nobreza.

Os lares iluminados
não representam de fato,
sentimentos irmanados
entre um circulo sensato.

Carecemos com urgência
conclamar o coração
para suprir a carência
de nosso pequeno irmão.

Pois todo ser grandioso,
que respeita ao Salvador,
deve agir sempre bondoso
na construção do labor.

E seguindo confiante
no poder do Pai Divino,
a festa vai ser brilhante
no período natalino.

Anamaria Nascimento


 


CARLOS LEITE RIBEIRO
Marinha Grande / Portugal

O CONTADOR DE HISTÓRIAS  DE CARLOS LEITE RIBEIRO

Estava frio e cá fora até nevava. A ceia da Consoada estava no fim e era o tempo das pessoas formarem grupos em volta da lareira. Os mais novos admiravam (mais uma vez) as prendas que tinham recebido; as mulheres juntaram-se para combinar o almoço do dia de Natal e, também (presumivelmente) darem umas "alfinetadas" nas vizinhas ou amigas; os homens, mais afastados da lareira. davam mostras de já estarem cansados de estarem ali tantas horas.
O Agostinho, era o que dava mais mostras de estar possuído por um nervoso "miudinho".  Para desanuviar o ambiente, levantou-se dizendo para os colegas:
-  Meus amigos, para o tempo passar mais depressa, vou contar-vos uma história da minha vivência....
O Luís,  ao ouvir o Agostinho, desenhou com os lábios um sorriso zombeteiro, levantou as sobrancelhas e com graça perguntou-lhe:
- Olha lá amigo, você, por acaso, já não nos contou todas as histórias da sua "vivência" ?
Apanhado de surpresa com aquela observação, o Agostinho hesitou,  mas logo se recompôs; ignorando o que o Luís tinha insinuado, e continuou: 
- Eu ainda não vos contei aquela minha façanha de ter construído um avião? Não? ...
A gargalhada foi geral ! Mas o Agostinho, sem se "desmanchar", começou a contar a sua "vivência":
- O que vos vou contar, meus amigos é pura verdade. Certa vez na minha juventude, construí uma avião... (está a rir de quê ?...) bom, não seria bem um avião, mas sim uma avioneta, que por sinal me deu bastante trabalho. Depois de ter a avioneta pronta, fiz um plano de voo, apanhei vento de feição, e lá fui eu por esses ares fora. A princípio, era tudo muito lindo. Podia ver lá do alto as nudistas na praia, as hortas, os pomares, as florestas, e até as vacas a pastar ! Tudo corria bem, até que, às duas por três (ainda hoje não sei o que aconteceu), acordei de um maravilhoso e excitante sono, mas cheio de dores por todo o corpo, principalmente na cabeça, onde senti um enorme "galo". Quando abri os olhos, muitas pessoas estavam debruçadas sobre mim, mas todas pareciam desfocadas.
Uma das pessoas que reconheci, foi a Linda (uma princesa prometida), que me perguntou-me se eu me sentia bem. Respondi-lhe que estava ótimo, ou melhor, pensava que estava bem. Com certo custo e ajudado pela tal Linda, levantei-me e então vi que tinha aterrado mesmo em cima de um monte de estrume, o que provavelmente me tinha salvado a vida. 
Notei então que estava fedorento demais, mas depois de um higiénico banho, fiquei como novo...
Todos estavam presos e curiosos como o Agostinho ia acabar a sua história. E este também notou a expectativa dos seus amigos. Depois de pensar uns breves segundos, sorrindo, recomeçou:
- O único efeito daquele meu voo (ou façanha), foi o facto das vacas, depois da "aterragem",  passarem várias semanas alimentando-se muito mal, pois estavam ficaram muito  nervosas e sempre com as cabeças no ar. Isto com grande arrelia dos donos, que viam os animais cada dia a perder peso...
- Muito bem amigo Agostinho – disse-lhe o Luís,  que continuou: 
- Espero que seja esta a sua última história da sua "vivência"...
- Olhe que não, olhe que não, amigo Luís. A próxima "vivência" será aquela, quando eu construí um submarino...


A gargalhada foi geral.

Carlos Leite Ribeiro



CLAUDIO PRÍNCIPE DOS POETAS
Ibitinga (SP) - Brasil

NASCE O ANJO MENINO.

No soar do sino,
emoção e revelação.
Nasce o anjo menino,
trazendo somente amor
no seu coração .

A terra em graça,
da mais pura festa.
Recebe amor, por onde passa,
e a salvação, nos revela.

O menino nos ensinando,
o valor da solidariedade.
Vai aos poucos multiplicando,
por amor, a caridade.

Neste Natal, vamos acreditar,
em tudo que ele nos ensinou ,
No nosso coração vamos semear
e distribuir, o bem, a paz, o amor.

Neste Natal, vamos nos dar a mão,
Reescrevendo, nossa própria historia.
Vamos olhar a todos, com igualdade
como se fossem, de fato nossos irmãos,
assim, o amor terá em fim, a vitoria.

Menino, nascido, Salvador,
que possa continuar a sua lição.
Que o Natal, seja carregado de amor,
e que jamais, deixe nosso coração.

Feliz Natal, abençoado Ano Novo.
que os sonhos do Menino, se realizem,
Crescendo, Jesus Cristo, Pai todo Poderoso,
teu amor , em nós, se enraízem.

Abraços anjos amigos, e um muito Feliz Natal,
um maravilhoso Ano Novo, a todos, obrigado pela oportunidade
e honra, de fazer parte desta família abençoada

Claudio Príncipe dos Poetas

 

CARLOS LÚCIO GONTIJO
Santo Antônio do Monte (MG) - Brasil

ANO-NOVO

Não me importa a frase feita
Se a mulher amada não me vem
Não me importa nenhuma seita
Se a fé diz-me amém
Não me importa o termo
Se todos os ermos me acham
Não me importam os fenestrados
Se as portas não me encaixam
Não me importam os enlatados
Se a toda fome me abro
Não me importa o velho quadro
Se já pendurei-me um novo olhar.

Carlos Lúcio Gontijo
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_c/Carlos_Lucio_Gontijo.htm

 

CAROLINA RAMOS
 Santos (SP) - Brasil

DÚVIDA SANTA

Algo no ar... Tão sublime... Tão estranho...
Algo transcendental e sem tamanho,
naquela Noite de esplendor intenso!
Noite azul que insinuava uma Esperança...
Noite misteriosa... Noite mansa...
Noite macia e de um silêncio denso!

Algo no ar... A impregnar-se de virtude.
Algo a arrastar, com terna mansuetude,
seres, os mais diversos, rumo a um ponto.
Fulgia o firmamento! E a Estrela Guia,
reis,  pastores e ovelhas conduzia
como simples irmãos e sem confronto!

A gruta pequenina, toda encanto,
era o berço do Amor! Era acalanto
o balido discreto dos cordeiros.
Junto, um coral de arcanjos divinais,
a abrir nas nuvens plácidos portais,
faziam-se, do evento, alvissareiros!

O Menino chegara!... Na humildade,
nascia a Redenção da Humanidade!
A Paz o seio aconchegante abria.
José, todo desvelos, com ternura,
cercava de ternura a esposa pura
e o Deus-Menino, que ao chegar... Sorria!

Tênue sombra, contudo, revelava
que a dor da angústia já fazia escrava
a jovem Mãe, submissa, mas inquieta.
Através do esplendor da Estrela-Guia,
Uma Cruz negra, ameaçadora, havia
Marcando no horizonte o fim da meta!

Uma lágrima quente e dolorida
rolou de manso e foi regar a vida
de seu Filho, nascido para doar-se!
Da Mãe, dúvida amarga  fez-se plena:
“- Perdão, Senhor, será que vale a pena?!”
... E o pranto correu livre... Sem disfarce!...

¨¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨¨¨ 

SONHO DE UMA NOITE DE NATAL

Natal!... Noite estrelada...
No rosto meigo da criança triste, a lágrima rolou
como se fosse gota de orvalho a resvalar num botão de rosa.
Mas, a noite se foi e o dia se fez hoje.

O novo milênio caminhava, a abrir os longos braços
a espalhar ao redor sementes de esperanças.
O sol brilhou no céu, secando prantos
e um sorriso iluminou as faces das crianças!

O mundo ficou melhor... Tão melhor!... Mais brando e mais bonito,
porque os folguedos voltaram às calçadas!
E uma ciranda de paz uniu as mãos pequenas...
tão pequeninas...  mas, donas do amanhã!

As bênçãos desceram dos céus... Em cascatas,
abrandando a violência e acalmando os lares.
Pais e filhos olharam-se de frente, sem rebeldias e sem punições...
- no olhar do filho, o orgulho de ser gente!
- no olhar do pai, o orgulho de ser pai!

...Senhor, bem sabe, que tudo o que foi dito...
é  apenas sonho... Igual a outros,  dispersos...
sonhos que tentei segurar nas teias dos meus versos,
como se acaso fossem mais que uma quimera!...

Mas, quem sabe, Senhor, se no amanhã, sem prantos,
sem mágoas, sem tristezas,  desencantos, este sonho talvez não mais iluda!
E assim,  há de ter fim essa tão longa  espera,
o verão será brando... O inverno e a primavera
unidos entre flores sem espinhos,
enfeitarão as margens dos caminhos!

Se pudermos contar, Senhor, com Teu perdão,
se o Teu Amor  for o nosso guardião,
nessa luta cruel de egos contra  egos,
a luz não  faltará aos nossos olhos cegos,
nem haverá ilusão que nos iluda,
se jamais... Jamais, Senhor,
nos faltar Teu Amor e a Tua ajuda!


Carolina Ramos

 


CANDYSAAD

NESSE NATAL

Que possamos lembrar dos que vivem em guerra,
e fazer por eles uma prece de paz.
Que  possamos lembrar dos que odeiam,
e fazer por eles uma prece de amor.
Que  possamos perdoar
a todos que nos magoaram,
e fazer por eles uma prece de perdão.
Que possamos lembrar dos desesperados,
e fazer por eles uma prece de esperança.
Que possamos esquecer as tristezas do ano que termina,
e fazer uma prece de alegria.
Que  possamos acreditar que o mundo
ainda pode ser melhor,
e fazer por ele uma prece de fé.

Feliz Natal!
Código do texto: T1331114

CandySaad

 


CEZAR UBALDO

NATAL, NATAL

Disseram-me que o Natal é como a criança nascida,
água pura da fonte da eternidade.
Disseram-me também que o Natal é como o último
dos bêbados nos bares da vida:está sempre presente.
Disseram-me ainda que o Natal é o Cristo Vivo
descendo de uma estrela branca anunciando a paz,
trazendo Consigo uma multidão de beatos,
um carrossel de mendigos,
uma procissão de mulheres,
todos decididos  a um novo fruto colher.
Disseram-me que o Natal tem Espírito
de Senhor do mundo,tecendo entre os homens
o amor,a igualdade,o sentido de fraternidade
e se faz o mel da existência.
Sim, disseram-me muito sobre o Natal
e então perguntei se o amor só tem valor em um dia?
Se a igualdade só tem a força de um dia?
Se a fraternidade só tem a beleza de um dia?
Perguntei ainda, se o coração do homem é só festa
quando se diz que hoje é Natal?!
Depois, compreendi que não haverá verdadeiro Natal
no coração dos homens enquanto não se conhecer
o valor da alma e da água,
enquanto não houver calma no seio da madrugada,
enquanto não sepultarmos o desejo de massacrar
o outro,como símbolo de vitória!...
E,antes que seja tarde,mais tarde do que nunca,
busquemos na mensagem do Amor-Maior a alegria
que nos resta ainda,mas,não apenas em um dia
e,sim,no nosso eternizar a vida como luz da razão,
antes que seja tarde,homens do Natal nosso
de cada dia; homens de boa vontade...Irmãos!...

Cezar Ubaldo

 

CIDA MICOSSI
 Santos (SP) – Brasil


NATAL

Vamos todos poetar
Para o menino Deus saudar
Vamos todos poetar
E o espírito de Natal vivenciar

Esqueçamos o consumo
Das comidas em profusão
Deixemos de lado os presentes
Pensemos em nossos irmãos

É preciso refletir
Praticar a paz e o amor
Pensar no que nos ensinou o Salvador.

Cida Micossi


 


CYNARA NOVAES
Teixeira de Freitas (BA) - Brasil

NATAL

Junta os meninos e as mulheres
e anda a aprontar o presépio.
Vai, minha filha! Procura o menino Jesus!
Meu Deus! Como Ele tá velho!
Não fala isso, menina!
Corre! Vai colher a flor do Urucum
e o canto do Anum!
Cata as pedrinhas do córrego e
o som do vento nas árvores,
prepara o pão e sua trança,
a forma do bolo e a blusa branca,
o biscoito avoador e a fita para o cabelo,
aproveita o ensejo e, com muito jeito,
enfeita o coração da vizinhança

Faz o cartão com a cartolina vermelha
e a mensagem faz, mesmo assim, de lápis.
Decalca a Santa e busca a luz certa na visagem.
Anda! Que o tempo corre!
Busca o selo no pote e pega o correio aberto!
Lá se foi à carta de tia Rosa e o cartão de vó Maria...

E a areia do presépio?
O corante e o tom da cor?
O papel madeira lá em cima da cadeira
no meio do corredor!
O galho bem do alto da roseira,
a folha seca e a flor da Gameleira.
Vai buscar o doce que comadre Fia preparou!
É suspiro, papo de anjo e quindim.
E a reza?
Aquela cumprida, desfiada no rosário,
apregoada pelo vigário da Capela do Sem Fim.

A alpercata é para a janela,
a galinha é para a panela e
o jarro de Dálias é só pra ela.

Tira as cadeiras da sala,
leva a mesa para a varanda.
Anda! Que Dona Ana chegou!
A armação do presépio já tem cor:
azul anil, amarelo ouro,
prata e purpurina do armarinho de Seu Nô.
Tá um brinco!
Nossa Senhora! Como tá lindo!
Só falta agora o menino Jesus!
Meu Deus! Como Ele tá velho!
Menina, não fala mais isso do filho de Nosso Senhor!

Cynara Novaes


 


CONCEIÇÃO HYPPOLITO
Porto Alegre(RS) - Brasil
  
NATAL

Nasceu o Menino
Tão pequenino
Coberto de luz
Mais que presentes
Trouxe lindas mensagens
E já faz tanto tempo...
- Mas está escrito
Seu nome é bendito!
Suas mensagens são de amor e paz
Seu caminho, de luz
Seu nome, já conhecem
Escrito com amor
Seu nome, JESUS!
E o presente que lhe deram
Todos souberam:
Foi sua redenção
...na cruz!

Conceição Hyppolito

DONZILIA MARTINS

DUPLICADO NATAL

 Natal! Nascimento, alegria, vida, paz harmonia, família, solidariedade.
 Natal! União, caridade fraternidade, comunhão com o divino.
 Natal cada vez mais pequenino, cada vez menos menino inventando um pai natal para apenas promover uma utopia irreal! Trazer um saco de prendas.
 Que desperdício de amor!
Estes meninos de agora desconhecem o natal. É tempo de recordar.
Há cada vez mais silencio nas casas onde houve natal.
 Natal de nascer, de viver, de amar, de cantar, de repartir o amor, natal da comunidade, do espírito e da mensagem de natal que traz um filho no ventre, do exemplo de um Jesus nascido em pobre presépio, do verde musgo apanhado nas veredas dos caminhos.
Paredes cobertas de sombra em noites escuras de breu, mas que tanta aleluia pelo universo espalhava.
Natal das famílias longas em que a noite era sem fim!
Agora abrem-se as prendas e todos fogem de mim. Depois das prendas abertas, acabou-se o natal. Não há festa! Os mais velhos vão para a discoteca e os pequenos vão dormir. Os velhos, sós e cansados que fazem ali sozinhos? Vão deitar-se e recordar os natais  de  quando  eram meninos.
Nesses natais de famílias grandes, juntavam-se avós, pais filhos, netos, vizinho, amigos, afilhados e mesmo qualquer pedinte vagueando pela rua, tinha ceia de natal como a gente lá de cada. Havia sempre lugar, abrigo, tempo para um minuto de silêncio, onde se aquecia a alma pelos entes que partiram.
Cada vez se nasce menos, por isso o natal nos foge.
Natividade onde moras?
Nos jovens que vão partindo, nas ruelas sem ninguém, nas aldeias despovoadas onde os velhos secam ao sol pelas esquinas das portas?
Olhamos, com um olhar disfarçado por vergonha da pobreza, por esta crise que mata e do qua alguns gastam a mais.
 Nem um bom dia se dá! E dizem os inteligentes que todos os dias devia ser natal! Destes?!
Passamos pelas esquinas, pelas ruas quase desertas e o que vemos é miséria, e, creiam, não é somente da crise, é falta de instrução, de cultura, de ensinamentos, de políticas que estimulem as artes, a cultura os valores democráticos, a economia, o distinguir prioridades, em resumo, saber, conhecimento, abertura de mentalidades, pois essa seria a maior riqueza do povo e dum país.
Antes era a neve branca, esbanjava-se em flocos oferecidos, agora é negra de espinhos cada vez que vêm contas para pagar e não temos rendimentos nem empregos compatíveis. Os que têm vão repartindo o que podem.
Em dezembro floriam rosas nas bordas da escadaria ou salpicadas no jardim, agora o tempo mudou. E não conhece estação, ora mata sem piedade e o fumo já não se vê a sair pela chaminé. Passa o vento de rajada e tudo leva no ar.
Há catástrofes que arrastam inocentes que vêm à procura que se lhe faça natal, há ondas de emigrantes deixando um mar de lágrimas na sua terra natal para virem sepultar-se noutro mar onde procuravam natal.
Aventuram-se na morte para fugir ao lugar onde já foi natal de amor, arte, beleza, progresso, luz, amor, natal, mas agora há guerra, fome, ódio, miséria e perseguição por utopias malvadas que o demo lhes pôs na alma.
E aqueles que vivem natal nem se apercebem que a dor e a saudade é mais forte no natal!
Apenas um pequeno episódio que já contei, mas nunca é demais lembrar. Um dia após o natal fui ao Porto numa rua principal que desemboca no Marquês. Os depósitos do lixo e o chão tinham tantos bolos reis, tanto bolo só dentado, tanta delicia estragada, tanto pudim e demais iguarias que fiquei estarrecida. Nunca mais na minha vida esquecerei essa imagem de desperdício no chão! E, creiam, eu nem sequer tive um bolo porque todo o dinheiro era para livros e para estudar!
 No meu tempo de menina era um tempo mais feliz. Todo o ano se sonhava com a neve nos telhados com a ceia melhorada com a muita gente que vinha com a paz e com o amor.
Nem sequer havia prenda nem sapatinho à lareira. Quem é que tinha sapatos?
Havia socos com tachas e duravam muito tempo e muitas meias de lá fabricadas noite inteira.
A festa e a união da família era o momento mais crido e querido. Havia a lareira acesa com o melhor tronco do castanheiro, na noite que não tinha fim.
Jogava-se ao pinhão, ao rapa, as amêndoas, aos confetes, e, até a nada. O que interessava era a alegria, a união, o sorriso e a noite mais bela que o ano e o inverno trazia.
Hoje o natal é diferente. É negócio sem amor. São prendas sem sentimento, são idas ao restaurante e a família esquecida sozinha lá pela aldeia ou num hospital doente ou num lar abandonada.
É a febre c do consumo, do dar para receber, tudo atos de ambição sem qualquer gesto de amor, um sorriso, uma canção de natal para alegrar a saudade e encher o coração.
Um dia passa aquele monstro que agarra na nossa mão e nos arrasta para o fim!
 Nascemos, houve natal agora tristeza, vazio, solidão.
 Li há dias numa revista: ”Natal é com Glamour e luxo, diz Michael kors: relógios, colares de marca acompanham a caixa da maquiagem que promete maravilhas (…)”
 Que bom que ao menos no natal todos pudessem ter um dia de fartura a guardar para a semana…
 Interessa é ser feliz cada dia viver um natal divino com AMOR dentro de nós


ESTE NATAL

Este natal cai cada vez mais triste nos meus olhos!
O vento que era brisa, em vez de música vai trazendo tempestade.
Olho os cantos da casa solitária! Não vem ninguém! Só abrolhos
No escuro da noite, todos faltando à chamada! Que triste a realidade!

Criança que fui um dia e lembro ainda tão bem!
Havia mimo, ceia melhorada, alegria, muita gente e luz acesa
Vinham todos! Uns à lareira, outros no escano! Até a mãe
Se atarefava, ria, brincava, servindo os filhos à volta da mesa.

Cada sonho, cada sorriso, cada mão, cada olhar cheio de graça
Eram o pão da santa noite! E, só a luz serena da madrugada
Nos dizia que era dia de natal, havia missa cantada
No fim todos reunidos ouvindo a banda da música na praça.

Gota a gota todo o natal puro e verdadeiro se perdeu
Nem pai, nem agora a mãe, nem avós! Somente vive a esperança
De poder um dia ser natal na luminosidade das estrelas viventes no céu
E eu, junto dos meus, ser amada e voltar a ter o meu natal de criança.

Neste mar de lume agora apagado, quero a lareira acender,
Nas mil estrelas da noite encharcar os olhos em natais de luz,
Cantar a família! Os netos: Tito, Catarina, Mariana, Alice para lhes dizer
Dos natais perdidos, do presépio, da lamparina acesa no olhar divino do Menino Jesus.


Donzilia Martins



DULCE RODRIGUES

Vento Norte, Neve e Vento Sul

Num país lá muito, muito longe, viviam o Vento Norte, a Neve e o Vento Sul. Embora fossem todos irmãos, eram bastante diferentes uns dos outros.
O Vento Norte era frio e violento e, às vezes, gostava mesmo de fazer mal às pessoas. A Neve também não era lá muito boazinha, pois divertia-se a pregar partidas a muita gente. Nem sequer pensava nos pobres que não tinham agasalhos para se proteger dos enormes flocos de neve que ela deixava cair; ou que não tinham um canto confortável junto da lareira para se aquecer.
Só o Vento Sul era bonzinho, tentando sempre remediar o mal que os irmãos faziam. Soprava devagarinho, e o seu sopro era quente e agradável. Raramente se zangava e, mesmo quando assim acontecia, não era por muito tempo, pois detestava ver sofrer as pessoas.
“Maninha”, disse um dia o Vento Norte à sua irmã Neve, “anda comigo dar uma volta pelo mundo. Estou farto de viver sempre aqui, quero conhecer novas terras e novas gentes.”
“E onde é que queres ir?”, perguntou a Neve.
 “Não  sei, mas assim que começarmos a viagem, logo veremos.  Ouço sempre as pessoas dizerem que todos os caminhos vão dar a Roma… Decerto que nós também havemos de chegar a algum sítio.”
 “Então, está bem”, disse a Neve, “vou contigo”.
“Verás que não te vais arrepender, vamos divertir-nos à grande.”
“Não queres dizer ao Vento Sul para vir connosco?”, perguntou ainda a Neve ao Vento Norte.
“Claro que não”, respondeu este, “o nosso irmão Vento Sul não alinha nas nossas brincadeiras, está sempre a dar-nos lições de moral. Vamos só nós os dois.”
E se bem o disseram, melhor o fizeram. Lá se puseram os dois a caminho, sem bem saberem aonde esse caminho os levaria.
Algum tempo depois, chegaram a uma praia de areia branca e fina, banhada por um mar azul onde se reflectia o céu. Ao longe, avistavam-se os barcos dos pescadores, carregados de peixe fresquinho.
“Que gente corajosa!”, disse a Neve. “Não é fácil enfrentar os perigos do mar. Não era eu, não!”
“Já vais ver o que lhes vai acontecer! Vou mostrar a esta gente que nada nem ninguém é mais forte do que o Vento Norte”, disse este.
E o Vento Norte começou a soprar com uma tal fúria, que daí a pouco tempo se levantaram ondas tão altas e fortes, que todos os barcos foram engolidos pelo mar.
Mas, ainda não satisfeito com as maldades que acabava de fazer, o Vento Norte soprou sobre as cidades, derrubando na sua passagem muros e árvores, casas e palácios, indiferente à dor e sofrimento que causava ao passar.
“Chega, agora é a minha vez! ”, disse a Neve ao irmão. “Não sejas egoísta, eu também quero divertir-me.”
“Vamos então para outro lugar”, disse o Vento Norte. “Aqui já está tudo destruído.”
E de novo se puseram a caminho, voando para longe, para um lugar maravilhoso, um campo lindo, coberto de searas amarelas que ondulavam suavemente ao ritmo da brisa da tarde.
“Olha, que lindo campo de trigo!”, disse o Vento Norte.
“Vais ver em que instante tudo isto fica reduzido a nada!”, disse a Neve.
“Duvido que consigas fazer mais estragos do que aqueles que eu acabei de fazer”, respondeu-lhe o Vento Norte.
“Veremos!”, retorquiu a Neve.
Então começaram a cair flocos e flocos de neve, cada vez maiores, cada vez mais pesados. Em breve tudo estava coberto de uma espessa camada branca, e no sítio onde momentos antes existiam aquelas lindas searas de trigo, nada mais restava do que estrago e desolação.
As pessoas gritavam, desesperadas e surpreendidas. Corriam para se meter em casa, ao abrigo de tal intempérie, mas muitas delas, sobretudo os velhos e as crianças, caíam e ali ficavam à mercê do frio e da neve.
Foi então que o Sol, cansado das maldades da Neve e do Vento Norte, decidiu castigá-los.
“Vocês deviam ter vergonha, têm-se portado demasiado mal, sem qualquer Amor nem compaixão pelos outros. Merecem por isso ser castigados severamente.”
“Nós pedimos-te perdão, ó Sol. Prometemos não voltar a ser maus”, disseram o Vento Norte e a sua irmã Neve, receosos do castigo que o Sol lhes iria dar.
“Não posso perdoar-vos enquanto não me provarem que estão de facto arrependidos. Até lá, não quero mais ouvir falar de vocês”.
E o Sol imediatamente desapareceu, deixando os dois irmãos lavados em lágrimas e sem saberem o que haviam de fazer para merecerem o seu perdão.
Foi nesse momento que apareceu o Vento Sul e lhes disse:
“Não chorem, eu vou ajudá-los. Mas, primeiro, quero que saibam que parte do mal que fizeram foi remediado, por isso nem tudo está perdido.”
“Conta-nos, irmão. Depressa”.
“Pois bem. Como eu sei que vocês às vezes são um pouco mauzinhos, decidi seguir-vos.”
E o Vento Sul contou-lhes, então, como presenciara os estragos que eles tinham feito e como tinha conseguido salvar pessoas e haveres.
Depois, meteram-se todos os três a caminho de um lugar onde pudessem ser úteis e praticar uma boa acção. Tal ocasião surgiu ao fim de alguns dias, quando chegaram a uma terra chamada Palestina.
Nessa terra, vivia um rei chamado Herodes, a quem tinha sido dito que, em breve, nasceria um menino que seria rei. Receoso de que esse menino viesse a destroná-lo para tomar o seu lugar, Herodes mandou matar todos os bebés do sexo masculino que nascessem entretanto.
Nessa terra, vivia também uma mulher de nome Maria que, temendo pela vida do seu filho que acabava de nascer, resolveu fugir, acompanhada do marido, José.
  Ao sobrevoarem essa terra da Palestina, o Vento Sul, a Neve e o Vento Norte ouviram contar a história do rei Herodes e souberam que ele tinha enviado soldados para apanharem Maria e José.
A Neve e o Vento Norte compreenderam, então, que esse era o momento esperado para fazerem uma boa acção e obterem o perdão do Sol. Correram atrás dos soldados e viram que estes estavam já quase a alcançar os fugitivos. Era preciso evitar que isso acontecesse.
“Boa sorte”, desejou-lhes o Vento Sul.
“Obrigados”, responderam em coro os irmãos, que partiram que nem setas.
 Então, o Vento Norte começou a soprar com tal força, que até ele próprio ficou surpreendido. As areias do deserto rodopiavam no ar como se fossem movidas por um furacão; os cavalos e os soldados caíam no chão e aí permaneciam, impossibilitados de se levantar. Os soldados já não podiam perseguir os fugitivos.
Neste entretanto, José e Maria continuaram a caminhar e chegaram, em breve, a um palheiro onde puderam descansar e pernoitar.
Apesar de cansado pelo esforço que fizera, o Vento Norte sentia-se leve como uma pena. Estava feliz como nunca estivera antes. Até parecia que o coração lhe rebentava de tanta alegria. E pela primeira vez na sua vida, dormiu um sono calmo e profundo.
Só a Neve continuava triste, esperando a ocasião de poder também praticar o bem.  Por isso, mal nasceu o dia, resolveu ir dar uma volta.
Foi então que viu na areia as pegadas deixadas por Maria e José. Que melhor pista para os soldados! E ao olhar ao longe, ficou horrorizada: restabelecidos dos estragos da véspera, os soldados de Herodes, seguiam o rasto dos fugitivos.
A Neve não pensou duas vezes. Era preciso agir depressa. Os flocos brancos e espessos começaram a cair com uma intensidade nunca antes vista. E rapidamente cobriram as pegadas.  Era a primeira vez que os soldados viam neve, julgaram que era obra dos demónios e fugiram para longe. Maria e José nada mais tinham a recear.
Tal como o Vento Norte, a Neve sentiu-se imensamente feliz e voltou ao palheiro para dar a boa notícia ao irmão. Ao aproximar-se, ouviu um leve gemido de bebé. Deitado em palhinhas, dormia um menino lindo e rosado. Mas estava tanto frio!
Foi então que o bom Vento Sul apareceu e, com o seu sopro quente e agradável, deu calor ao menino. O menino abriu os olhos e sorriu.
No céu, o Sol brilhou mais intensamente do que nunca, depois disse:
“Bom Natal e Paz na Terra, pois nasceu o Menino Jesus!”

Dulce Rodrigues



DINORÁ COUTO CANÇADO

SINTONIA NATALINA

Já chegando o Natal
E todos se preparam
Sentimentos afloram
Uma celebração especial
Sintonia de mentes natalinas...

Cuidada por todos, essa data
Rumo ao nascimento de Jesus
Irmandade sempre presente
Símbolo de mudanças, sempre
Todos a comemorar o Natal
O antes e o depois, também!

Dinorá Couto Cançado

 


EDUARDO DE ALMEIDA FARIAS

NOITE DE NATAL
   
          Fora da porta dava para escutar o crepitar do fogo na lareira.
          Ele, o filho pródigo, seria apenas um vulto perdido num pensamento, que um vento vindo de muito longe para ali transplantou. Agora, ele ali estava protegido pelas sombras da noite ainda que as estrelas teimosamente cintilassem lá no céu muito azul. Só o frio daquela noite se fazia igual às outras noites de inverno, cuja aragem lhe regelava até os pensamentos mais recônditos trespassados por um misto de dor e alegria que se entrecruzavam na sua pobre alma penitente.

     Ele a ave de arribação ali ficou por um longo tempo, imaginando a cena lá dentro: dois pobres velhos se aquecendo ao lume na lareira, remoendo velhas lembranças na sua memória já esfumada pelos anos. Do que falariam? Será que falavam dos filhos distantes, nos Natais de antigamente, na partilha da alegria, das ceias melhoradas da noite de Natal, no prato de bacalhau, das rabanadas, da aletria, ou nos bilharacos cobertos de mel? Do que falariam, pois, aquelas santas almas, se todas as palavras já estavam gastas e descoloridas por tantas vezes repetidas?

     -Ó homem vamos dormir que amanhã temos de levantar mais cedo para assistir à missa do Menino Jesus. 

     -... Natal, Natal sem crianças não é Natal, sem crianças não há Natal repetia a pobre mãe...

    A noite era silente como o seria outrora a noite lá nos campos de Belém, quando um coro de anjos irrompeu no céu anunciando aos pastores a Boa Nova. O silêncio daquela noite de Domanvile era quebrado apenas pelo gri gri dum grilo que ali morava assim como o gato asmático, sonhando e arfando de desejos do pisco no telhado da casa grande e, porque era muito friorento por ali pernoitava todas as noites para se esquentar ao calor daquele braseiro que durava até alta madrugada. Eram de há muito tempo a sua única companhia costumeira.  .

      Em toda a Domanvile havia um silêncio consentido, um silêncio de pedra. Suas velhas casas lembravam um grande presépio que, o Menino Jesus desde tempos imemoriais escolhera para ali continuar a renascer. Mas ali, em vez dos hinos celestiais eram lobos e as raposas, cantadores noctívagos e vagabundos seresteiros que, lá do cimo de Domanvile naquela Noite Santa cantavam alegremente.  

      Domanvile era uma terra muito remota e escondida por muitos e altos montes, talvez por esse motivo longe do alcance da vista e do conhecimento do tal velhinho a que chamam de Pai Natal ou papai Noel. Talvez por isso as crianças não costumavam receber brinquedos de presente nesse dia de Natal.. Mas os meninos na missa do dia de Natal ostentavam garbosamente camisas branquinhas como a neve daquelas noites, e de colarinhos engomados, e, também se calhava, calças novas; as meninas, lindos e coloridos vestidos; e todos prosas cantavam a todo folgo com os adultos ao Menino Jesus, deitado sobre palhinhas doiradas, lá na sua betusta igrejinha.

      -Nada melhor do que a noite, pensava, para poder perscrutar o silêncio da alma das coisas: sentir os segredos que emanam da terra, a dureza das pedras que pisamos, os gemidos das árvores açoitadas pelo vento, o choro de uma daquelas casas em ruínas, ou as lembranças daqueles que as habitaram, e um eco longínquo misturado ao vento pronunciando nosso nome, ó fulaaano...     
     -Glória in excelsis deo e, paz na terra aos caminheiros do mundo na procura do reencontro dos tempos-meninos que adocicam lembranças e, que nos faz voltar a ser outra vez criança.

         De manhã, ao acordar ele ainda podia sentir os farrapos de neve que repousavam em seus cabelos, e nos ouvidos ainda perduravam as doces melodias dos cânticos lá na sua velha igrejinha de Domanvile, que naquela noite mais resplandecia toda banhada de luar.


Eduardo de Almeida Farias



EMANUEL LIMA

NATAL

É noite de chuva
O fogo na lareira
Na sala muitas frutas
Todas sobre a mesa

Um vinho importado
E tu a meu lado
Tudo bem, nada mal
É noite de Natal.

Emanuel Lima

 
  

FRANCISCO DE PAULA

NATAL

Natal é do Senhor
Na gruta do amor
Surge o presépio
A família Sagrada
Jesus Maria e José
Com muita fé
Une a humanidade
Em plena fraternidade...
Anjos, pastores e reis
São atraídos a visitar
A chegada do menino
Sua missão é nos salvar
O Rei da humanidade
Veio nos resgatar
Para com Ele reinar.

Francisco de Paula

 
  

GERARDO CARVALHO (PROF. PARDAL)

NATAL É RENOVAÇÃO

 Natal é renovação,
Perece o homem acabado;
Ranasce o novo cristão
Para viver renovado!

Natal é renovação,
Deixo de ser egoísta
Para encontrar no irmão,
Razões pra ser altruísta.

Natal é renovação,
Não só troca de presente;
Se não houver doação
Cristo continua ausente.

Natal é renovação,
Não só barulho ou festinha;
Não havendo compreensão,
A animação é mesquinha!

Natal é renovação,
Não só é rua enfeitada;
Se me nego ao meu irmão,
Tal brilho não vale nada

Natal é renovação,
Não é só “missa do galo”;
Pois sem fé no coração,
Nosso Natal perde o embalo!

Natal é renovação,
Não é só dar “boas festas”;
Não sabendo amar o irmão,
São saudações indigestas!

Natal é renovação,
Não só ir ao favelado;
Não mudando a situação,
É mais um Natal frustrado...

Natal é renovação,
Não só uma noite que passa;
Se não houver conversão,
Mais um Natal se disfarça!

Natal é renovação,
Diga um basta ao deletério;
Não deixe este “mundo-cão”
Ser um vasto cemitério...

Natal é renovação
Não é ter mesa farta
Para ser um Natal Cristão
Precisa que se reparta!

Gerardo Carvalho (Prof. Pardal)




GERCI OLIVEIRA GODOY
Porto Alegre

NATAL

Que bom, meu Deus
que as crianças ainda sorriem
as folhas balançam
ao sopro do amor

as luzes enganam a fome
os anjos não dizem amém

Que bom, meu Deus
que a espera na fé
é irmã da esperança

O gosto de sal
tempero
do pão do amanhã

Vem, meu Menino
desfaz as agruras

brinca de roda, canta a ciranda
ensina pra gente
um jeito diferente
de um novo nascer

Gerci Oliveira Godoy

 


HILDA PERSIANI

NATAL

O Natal está chegando,
Enfeitando a cidade de luz,
Estamos todos esperando
O nascimento de Jesus!

A criançada inocente
Espera um presente.
Papai Noel, seja bonzinho,
Não esqueça do pobrezinho.

Também faço o meu pedido
E quero vê-lo atendido:
Atente ao que estou lhe pedindo,

Papai Noel, quero de presente
Ver todo adulto contente
E toda criança sorrindo!...

Hilda Persiani

 


IZABEL ERI CAMARGO
Porto Alegre - Brasil

NATAL DE PAZ

Que a festa seja de amor
Que o dia seja de PAZ
Que o coração enxergue
o grande presente
na voz do aniversariante

É Jesus o convidado
para a vida alegrar
cada renascimento
na harmonia do lar

Que a alma da humanidade
viva a solidariedade
na consciência de toda idade

Oração, reflexão
nesta festa mundial
Nossas maiores homenagens
ao convidado especial...

Izabel Eri Camargo




ISABEL FOMM DE VASCONCELLOS

O ANIVERSARIANTE 

Caminhava pelas avenidas decoradas para o Natal, pensando que aquela festa, que ainda movimentava tanto a economia desse país (que fora até recentemente o maior país católico do mundo), que fazia sorrir os comerciantes e muitas crianças, que mobilizava grupos interessados em levar presentes e comemorações a quem não os podia ter, que reunia muitas e muitas pessoas na tradicional Missa do Galo e gerava tantas manifestações de amor e solidariedade, também fazia brotar sentimentos de raiva, inveja, intolerância, desamor, competição desleal, etc.

Bah! Sabia muito bem que nada escapava da dualidade existente dentro do ser humano. Era sempre a mesma batida luta entre o bem e o mal, sendo que o que era bem para uns, poderia ser mal para outros e vice versa.
Riu, ante o pensamento, lembrando-se que, na sua juventude, na Academia, falar em mal e bem era considerado um tremendo mau gosto, uma simplicidade indigna de um intelectual. Agora, depois de tantos e tantos anos, já deveriam saber que a simplicidade não implica falta de profundidade e que os lugares comuns muitas vezes são fruto da sabedoria popular e que esta, por sua vez, pode ser, também muitas vezes, mais sábia que a mais sábia das vozes da ciência.

Marilda, sua velha amiga, dizia que a ciência não era a forma completa de ver o mundo. Era preciso, segundo ela, a sua amiga, ver o mundo também com os sentimentos, desde a emoção até o que ela chamava de “Sentimentos Intuitivos”, ou seja, gerados pela intuição. O mundo da ciência, para Marilda, era o árido e testosterônico mundo masculino, pertencia à racionalidade absoluta e qualquer mulher, sobre a face da terra, sabia muito bem que a razão nem sempre é a melhor conselheira. É preciso pensar também com a voz do coração”, afirmava.

Agora o seu próprio coração estava a dizer-lhe agora que o natal era muito mais uma farsa do que outra coisa, do que deveria ser.
Para os que professam a fé cristã, o nascimento do filho de Deus estava sendo comemorado. Para os ateus, no máximo, o nascimento de um mito que se perpetua por mais de dois milênios. Para os esotéricos, o nascimento de mais um avatar. Mas ninguém sabia dizer ao certo quem fora aquele sujeito que vivera apenas 33 anos na terra e vivia há 2 milênios sendo citado tanto para o bem como para o mal.

Sim, em nome dele, raciocinava, na Idade Média, durante seis séculos, os padres queimaram, nas famosas fogueiras da inquisição, sábios, magos, magas e qualquer um que não se encaixasse em sua religião, ou mesmo em sua sede política.

Em nome dele, guerrearam à vontade nas Cruzadas e em muitas outras ocasiões na história da humanidade.

Em nome dele, inventaram barbaridades que iam da tortura à discriminação das mulheres, dos índios e dos negros; as primeiras, consideradas depositárias de todo o pecado e os dois últimos, seres sem alma...

Em nome dele, quanto conhecimento de outras culturas e de outras sociedades, se perdera para sempre... Riu de novo. Ainda segundo a sua amiga Marilda, nada se perdia para sempre porque os pensamentos e o conhecimento estavam todos depositados nos “registros acásicos”, como diziam os Rosacruzes, ou na grande energia que permeava todo o Cosmos, as tais “cordas”, como diziam os físicos quânticos.

Conhecera, há algumas décadas, um padre católico, desses que eram politicamente mais de esquerda do que de direita, desses que acabariam por fomular e engrossar a teoria da libertação, que dizia ser necessário – e urgente— limpar o cristianismo de toda a lama que cobria o verdadeiro cristal de sua filosofia; era preciso enxergar os evangelhos, despindo-os de toda a interpretação preconceituosa e desumana que a própria igreja fizera deles, segundo a sua conveniência, em cada momento histórico. Jogada fora a lama, sobraria a verdadeira essência dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Agora, quase meio século depois dessas palavras do Padre Tom, lá estava um Papa revolucionário (revolucionário, pelo menos, diante da rigidez do Vaticano), que se intulara Francisco, como o santo que entendera que toda a vida, nesse planeta, era irmã de si mesma, que a solidariedade, a divisão equalitária de todas as riquezas produzidas pela humanidade, era o único caminho possível para a paz. Esse papa era tão diferente – concluiu – que ousava até entender que nenhuma forma de amor poderia constituir pecado. A guerra, sim, em qualquer das suas maifestações, desde as bélicas até as verbais, era o único pecado.

Pensando nisso, pensou também no famoso médico psiquiatra, já falecido, José Ângelo Gaiarsa: ele sempre lembrava que, em dez mil anos de História, jamais houvera um único dia nesse Planeta em que, em algum lugar, não existisse uma guerra. Riu de novo, pensando que os padres abençoavam os exércitos, de ambos os lados da trincheira...

Bom, mas já fizera sua parte. Tinha ensinado, por metáforas, por milagres e até explicitamente, como no Sermão da Montanha, como se deveria agir para alcançar não apenas a paz, mas também a prosperidade, o amor e a consequente alegria de viver. Fizera isso há dois milênios passados e, como todo aquele que ousa procurar a verdade em seus próprios pensamentos, fora crucificado.

Riu novamente... Imagine o que não fariam agora, em 2015, se ousasse sair por aí fazendo milagres, angariando discípulos e pregando uma filosofia de amor e despojamento... Nas redes sociais, ririam dele, o chamariam de fanático, de mitificador e coisas piores. Na mídia, seria ridicularizado. Na política, simplesmente ignorado.

Por isso, viveria mais um Natal sem se revelar a esses humanos ingratos. Por isso estava subindo a pé a Serra da Cantareira para de lá, sob o céu estrelado e no mais alto monte, mandar sua mensagem em código e esperar que, de novo, o pai o ascendesse ao firmamento.

Isabel Fomm de Vasconcellos


ISABEL PAKES
Cerquilho (SP) - Brasil

LEMBRANÇA DE UMA ÁRVORE DE NATAL

Morávamos à beira-linha
e a nossa porta de entrada,
grande e escancarada,
deixava ver lá de fora
a nossa Árvore de Natal,
um galho enorme de cedrinho
“plantado” a um canto da sala -
- o ponteiro quase tocando o teto,
enfeitado de pingentes coloridos
e flocos de algodão,
e mais as luzinhas pisca-piscando
projetando nas paredes
uma linda sombra rendada
em cores que se alternavam,
e, em nós, ternura e fascinação.
Arte e esmero do nosso pai.
Saudade!

Naquela noite, lembro-me bem, revivo...
Com os olhos da memória
vejo o trem parando diante da nossa casa
e os passageiros se apinhando
nas janelas de um vagão;
e ouço as vozes de espanto em eufórica exclamação:
Vejam! Vejam lá, a Árvore de Natal!
Vejam, que linda! Que linda!
Surpresa, admiração, alegria!
Adultos, jovens e crianças,
pessoas desconhecidas
vindo, sabe-se lá de onde,
indo, sabe-se lá para onde,
ali, nos rejubilando!
Breves instantes de intensa emoção!
Mas, quando o trem deu a partida,
já éramos amigos fraternos
trocando acenos de despedida
e votos esfuziantes
de um Bom e Feliz Natal!

E vieram outros Natais
e mais outros e mais outros,
E é de novo... E eu não esqueço.
O trem da vida passando
e as luzinhas pisca-piscando
remetem-me sempre à lembrança
daquela Árvore de Natal.

Isabel Pakes



ISABEL C S VARGAS
Pelotas (RS) - Brasil


NATAL: RENOVAÇÃO E PERDÃO

           O tempo voa e o Natal se aproxima. Incrível que no afã
diário não percebemos o tempo passar em meio às coisas do dia a dia
que nos preocupam ou nos dão prazer. Assim é a vida. Temos a sensação
de que não vivemos em plenitude, não gravamos com detalhes e em
definitivo no coração e na memória os acontecimentos que decorrem. Por
outro lado isso é bom, senão, nosso cérebro não teria como armazenar
as coisas verdadeiramente importantes: as emoções, os sentimentos.

É natural que surja uma aparente nostalgia, pois ao encerrar o ano,

costumamos fazer um balanço das vivências. É um fechar de ciclo.

Outros dizem que é tudo continuidade, que nós inventamos as

separações. É uma organização efetiva e emocional. Sempre desejamos

coisas melhores para nós, familiares e amigos. Propusemos-nos a

corrigir erros, programar novas atitudes que poderão nos beneficiar. E

aos outros também. Mudanças de postura. Novos projetos de vida. Enfim,

queremos mudar e está certo. Quem faz sempre a mesma coisa, obtém o

mesmo resultado e se desejarmos viver melhor temos que fazer melhor.

Nem que seja amar melhor, ficar mais disponível para quem amamos,

dizer que amamos, abraçar mais, nos despojarmos de preconceitos, de
sentimentos ruins ou não deixar que energias negativas exaladas de
outrem nos atinjam e prejudiquem nossos projetos, nossos sentimentos,
relações e deixe nosso cotidiano pesado.


       Desejo que todos tenham oportunidade de conviver mais com os

que amam, que deem valor ao que realmente tenha valor, que terminem o

ano com saldo de sentimentos positivos, com esperança, fé, alegria,

saúde; que projetem seus sonhos para frente, que não desanimem, que

tenham em mente que sonhos são para serem realizados e nos tornarem

melhor, mais felizes e que consigamos com eles motivar outros para

realizarem os seus.

        Que tenham tempo de olhar o outro nos olhos, que façam

caridade, não para divulgar ou para que o outro te julgue bonzinho

faça o que estiver ao seu alcance que o deixe feliz e repleto de força

para empreender outros atos.


          Que o Natal seja um momento de partilha de sentimentos, de

vivência fraterna e reconfortante, que as pessoas estejam juntas pelo

prazer da companhia celebrando o amor que é a energia melhor do mundo

e celebrando o renascimento da criança sagrada em nossos corações. É o

momento de perdoar e pedir perdão com o coração aberto para recomeçar

o ano com o coração limpo de qualquer sentimento ruim.




           FELIZ NATAL! PAZ NO CORAÇÃO DOS HOMENS DE BOA VONTADE...



NATAL É AMOR

Natal é festa de amor
Renovação dos melhores sentimentos
Que brotam no coração humano.
No Natal deveria haver muito abraço,
Muitos sorrisos, muita alegria.
Não seriam necessários objetos caros.
Muita afeição, muito carinho,
Tolerância e respeito.
Tempo para dedicar ao outro.
A principal motivação do Natal
É o nascimento de Jesus
Que trouxe muito amor,
A salvação, o perdão
E a ressurreição após a morte.
Jesus nos mostrou com seu exemplo
Que vida não acaba na morte.
Assim como ele viveu
Isto também será a nós dado.
E que importante na vida
É amar e perdoar sem restrições.
Saibamos fazer o mesmo
Mas, com muita humildade.

Isabel C S Vargas


 


IVONE BOECHAT

NATAL COM DORES

Daqui a pouco,
em plena noite de Natal,
haverá milhares de crianças
sozinhas, sofrendo
nas ruas, em casa, nos hospitais,
pela ausência dos pais...
A população encarcerada,
compactada,
faminta e doente,
suplica afeto,
clemência,
atendimento e perdão
por optar pelo caminho do mal,
quem vai escutar seus ais?
Famílias choram
a ausência de seus filhos,
vítimas da violência!
A sociedade triste
paga caríssimo
pelo atendimento
social que não
existe,
mas lhe apertam a mão,
prometem inclusão,
fingem que atendem
o clamor de segurança
legal;
conquistam confiança,
tomam posse do poder,
distribuem em migalhas
o que tomaram do povo,
como se fosse um favor,
e, afinal,
o povo paga a conta
dos cartões desejando
a eles

Feliz Natal!


O NATAL EXISTE!
                                                 
          Vamos supor que nada do que os homens acreditam sobre o Natal fosse verdade?

          Que tudo aquilo que os profetas disseram sobre o nascimento de Jesus, indicando até o local, era somente uma historinha pra nenhum boi dormir na estrebaria mais bonita do mundo. Que o coral de anjos nos céus de Belém, cantando a sinfonia maravilhosa, cuja letra a humanidade inteira sabe cantar (quem não canta é porque não quer, mas sabe) era somente para assustar e desmaiar pastores no campo...

          Vamos supor que os reis magos, vindo de muito longe, do oriente, talvez de Bagdá, carregando presentes caríssimos, era uma propina e que esses cientistas pesquisadores queriam somente passear, usurpando verbas, em jurisdição alheia, nas barbas de outro rei.

          Vamos supor que a fuga da família para o Egito era somente uma excursão para gastar as milhas acumuladas no lombo do burrinho de Nazaré a Jerusalém. Ou que Herodes decretou a matança das crianças só para agradar os aliados da base do seu governo.

          Vamos supor que a Escola que Jesus fundou na Galiléia com educação presencial e virtual, com módulos para o ensino à distância, escrito pelos alunos ou que a sua preocupação ao mostrar a importância do uso correto da rede (web) ensinando a acessar, convidando a Pedro Tiago e João para o seu twiter (segue-me...) ensinando a Pedro a se ligar ao provedor, dando-lhe a senha (Tudo o que ligares na terra...) foi só uma coincidência com a linguagem virtual de hoje.

          Vamos supor que o sermão do monte era uma tese de doutorado, nada mais, e que os valores ensinados eram somente a oportunidade para implantar a merenda escolar, a cesta básica, o vale refeição, o exercício do Pai Nosso supervisionado.

          Vamos supor que as curas maravilhosas, que não foram o foco principal do ministério de Jesus, mas sim o Seu plano de salvação, serviram somente para atiçar a inveja dos políticos milagreiros e que a cruz foi a sentença por um crime político de traição ao poder dos governantes. Se tudo isso fosse uma metáfora, se vivêssemos só esperando a felicidade e a recompensa na Terra, se não pudéssemos comemorar o Natal, porque Jesus não é o Salvador prometido, é um filósofo famoso, com jornada acadêmica encerrada, então poderíamos  parafrasear o Apóstolo Paulo:

           “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. I Coríntios 15:9


Ivone Boechat




JANETE SALES DANY
São Paulo – Brasil

QUANTO VALE UM BEIJO, UM SORRISO E UM ABRAÇO?

O fim de ano é um manifesto de consumismo
Não se perca em presentes; mais vale um sorriso
Não é dando ou ganhando que se obtém o paraíso!

Não se acanhe caso lhe falte o dinheiro
Quem te ama vai te amar do mesmo jeito
Do contrário não é amor verdadeiro!

Muitas mães não tem um presente para dar
Na noite de Natal é só cantar uma canção de ninar
É por gestos que se ensina aos filhos a palavra amar!

Não é pelo valor do presente que se mede um amor
Uma pequenina estrela no céu tem muito resplendor
Agradeça sorridente até se receber uma simples flor!

Os brilhos das vitrines costumam nos hipnotizar
Olhos que analisam tudo e ali vão se aventurar
A desatenção de que a felicidade não se pode comprar!

Quanto vale um beijo, um sorriso e um abraço?
É assim que se firma o amor num abrigo de aço!
Presentes tão puros e hoje tão escassos!

O amor ao próximo não pode ser só uma vez por ano
A força das ondas persiste para sempre no oceano
Nunca deixe a eficiência do amor ficar em segundo plano!

Janete Sales Dany




JACÓ FILHO

EGRÉGORA DO BEM

Replicamos na terra, do céu, as estrelas;
Trocamos presentes, e nos solidarizamos...
Fazemos caridade e pelos justos, oramos...
Esquecemos-nos de leis, pra desobedecê-las...

Amamos o próximo se por nós escolhidos...
Só cumpre o desígnio quem sempre o faz...
Apesar destas falhas o Natal sempre trás,
À luz as memórias de um Jesus renascido...

A egrégora do bem na época se expande,
Por bons pensamentos e feitos generosos...
Além das orações dos crentes fervorosos...

Aumentamos nas luzes tudo que encante,
Em casa e nas ruas, que ficam majestosas...
Até lembramos Cristo de forma venturosa...

Desejo aos amigos, leitores e a quem por aqui
passar, um magnífico Natal e um feliz "2016"...

¨¨¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨ 

HUMILDADE DE DEUS

O natal revira almas e o mundo ganha cores,
A poesia se manifesta na alegria que respira...
O amor transcende tudo e a tristeza se retira,
Pra recebermos a luz que salva os pecadores...

Intransigências antigas impedem a igualdade,
Que Cristo afirma ser, de herança, um direito.
Os presépios reproduzem o exemplo perfeito,
Quando Deus encarna a completa humildade...

Separemos das festas, o excesso de consumo,
E celebremos o salvador usando fraternidade...
Seguindo seu exemplo, com amor e bondade...

É dando que recebemos, diz a lei, em resumo...
Façamos o ano inteiro, pra termos facilidades,
Se voltarmos outra vez, não viver de caridade...

Desejo a todos um NATAL aconchegante e fraterno
Com muita saúde e alegria, e um 2016 confiante na
Continuidade do planeta, da espécie, da vida e com
Mais AMOR...


Jacó Filho



JANSKE NIEMANN SCHLENKER
 Curitiba (PR) - Brasil


A CRIANÇA DO NATAL

Há tempos, quando eu era uma criança,
queria ser de tudo no Natal:
queria ser a estrela mais brilhante,
queria ser a estrela sem igual.

Queria ser Maria, casta e mansa,
sentada humildemente no capim
ou ter toda a riqueza dos Reis Magos
apenas inteirinha para mim.

E quando em minha igreja, lá na torre,
os sinos começavam a tocar,
queria ser um sino, e me surgia
uma pequena lágrima no olhar...

Agora, tantos anos já passados,
não tenho mais vontade de ser sino
e nem sequer a estrela mais brilhante
por sobre a manjedoura do Menino...

Não quero mais todo o ouro dos Reis Magos
nem quero ser Maria, casta e mansa;
queria ser - meu Deus, como é difícil! -
queria ser apenas a criança...

Janske Niemann Schlenker

 


JOÃO BOSCO SOARES DOS SANTOS

NOSSA MENSAGEM DE NATAL

Que as distâncias geográficas não insistam, não aprovem, não nos confundam nem nos transportem, desumana e insensivelmente, para os confins e extremos das separações espirituais, cordiais ou sentimentais, resultadoras de ausências, silêncios ou deslembranças apagadoras das chamas, centelhas, réstias ou resquícios de ternura, carinho e amor, que nos identificam como humanos, cheios de DEUS, de fé, de sonhos, de esperanças e de abraços, elementos e detalhes esses tão importantes e necessários para energizar e reciclar os elos familiares, tão fragilizados e desminliguidos neste nosso momento vivencial, tão nublado por carências de conciliação, reconciliação, perdão, compreensão, respeito e carinho.

Que neste Natal tenhamos mais sorrisos sinceros, repletos de lealdade;
Que as nossas alegrias tenham mais afeto familiar;
Que os nossos abraços sejam mais aconchegantes;
Que os nossos encontros entre familiares, amigos, colegas e vizinhos tenham mais os fortes tons e brilhos de sacralidade.






QUE O PERDÃO E A UNIÃO FAMILIAR SUPEREM FATOS
QUE PODEM DESTRUIR QUALQUER AFETO.


Do Livro Tocatas e já publicado no Jornal do CEPA.

Ser franco, inoportunamente, pode ser afrontoso, quando o que se diz é desnecessário, inconveniente, imprudente, insistente e até doente, podendo até chegar à condição de crime, comportando Ação de Reparação por danos morais.
Era, na Grécia antiga, a Parrhesia, a prática de dizer, demonstrar e aparecer, nos lugares onde comumente acontecia as maiores aglomerações públicas e onde se dizia, com palavras, atitudes e gestos, toda e qualquer verdade – doesse em quem doesse ou recebesse a culpa ou a carapuça quem o merecesse - com palavras, atitudes, atos, gestos e ações, não importando se esta verdade resultasse em denegrir, desconstituir, horrorizar ou afrontar uma ou várias pessoas, desprezando os mais moralizantes princípios da boa convivência social e sangrando as fontes de carinho e afeto que devem aquecer os belos e saudáveis laços familiares e comunitários.
Esta prática era utilizadas pelos filósofos DAS ESCOLAS HEDONÍSTA E CÍNICA, das quais EPICURO DE SAMOS - ATOMISTA, FUNDADOR DO EPICURISMO, (341-270 a.C.) e DIÓGENES DE SINOPE, O CÍNICO, (registra-se entre c.400-c.25) , respectivamente, foram os maiores representantes. 
EPICURO vomitava duas vezes por dia, por vício-exibicionismo, e costumava escrever para mulheres de outros homens.
DIÓGENES era aquele que dormia em um túnel; que andava com uma lanterna acesa em pleno dia; e que fazia xixi e outras coisas piores e mais pesadas na ÁGORA, que servia de mercado e de reunião das assembleias do povo, exatamente nas horas de maior afluência, SOMENTE PARA HORRORIZAR as pessoas, induzindo-as a acreditar. Era um diferente caminho filosófico para dizer qualquer verdade, somente para se exibir ou afrontar qualquer pessoa, sem qualquer necessidade, fora de hora e sem razão, ou seja, para peitá-la, asfixiá-la, ofendê-la, insultá-la, injuriá-la. 
E injúria, difamação e calúnia são crimes previsto na Lei Penal do hoje brasileiro.
E, em conclusão, acreditemos e nos esforcemos para somente comentar um acontecimento, especialmente se familiar, se for útil, preciso, oportuno, conveniente, construtivo ou necessário para provar um fato que precisa ser provado.
E, em reflexão, perguntemos-nos e explicitemos: 
O que é ser HEDIÔNICO?
O que é ser CÍNICO?
Indo-se aos vários dicionários, inclusive os editados em Portugal, os de sinônimos, os etimológicos, os de homônimos e de parônimos, encontraremos os mais terríveis e abomináveis significados, desde de injúria e difamação, que geram crimes por danos morais, a desavergonhado, impudente, descarado. 
CÍNICO diz respeito a CÃO, em grego; HEDONISTA pode ser aquele que se nutre do prazer de FERIR.
Cínico é o que gosta de ser sem-vergonha, atrevido, devasso e sujo. 
Hediondo é o que é fétido, sórdido, imundo, repulsivo, cruel, monstruoso, indecente, imoral, pervertido.
E certas fatos que talvez ninguém (além do autor do fato) tenha visto ou nem tenha acontecido ou não tenha acontecido do jeito que se imagina, ou do jeito que se ouviu dizer, ou ainda do jeito que alguém, por ignorância, por fofoquice ou mesmo por maldade, colocou no ouvido de uma ou de alguma outra pessoa, ou, ainda, temerariamente registrou em papel ou na internet, jamais deveriam ser comentadas ou relembradas, principalmente, quando inoportunos, inconvenientes ou somente objetivam ridicularizar, humilhar ou ferir alguém, por algumas pitadas de inveja ou por querer justificar-se por suas próprias mediocridade, preguiça ou fracasso.
Erro todo mundo comete: por ignorância, por estupidez, por desespero, por descontrole emocional ou por diversos outros motivos, além de vingança, e muitas vezes, por motivos inteiramente infundados e imbecis. 
Também alguém pode ser vítima inocente de um acontecimento qualquer, que outro alguém tenha provocado, com ou sem culpa, ou por distração, ignorância e até por provocação irrefletida, que lhe resultem em sofrimento desastre, frustração, depressão ou decepção amorosa, familiar, estudantil, profissional ou social. 
Tudo isso e por isso é que certas verdades ferinas ou reabridoras de feridas não devem ser soltas; devem e precisam continuar a ser guardadas, essencialmente, quando elas não suscitam qualquer vislumbre de utilidade, melhoria ou construtividade ou são inadequadas ou podem gerar mal-estar.

Por outra vertente, todos nós aprendemos que família existe e precisa continuar a existir para plantar, cultivar, produzir, aperfeiçoar, dignizar e humanizar; para cultuar, ofertar e receber o amor, o afeto, a carícia, a solidariedade, a compreensão, o respeito e a responsabilidade individualmente e coletivamente; para consolidar o somatório de todos elementos e de todas parcelas do que há de mais fraterno e humano; para ajudar profissional, econômica, espiritual e moralmente a cada um ou todos os seus membros, com preces, gestos, atitudes, palavras e ações; para estimular, sorrir e cantar as vitórias de cada um ou de todos; para superar e fazer esquecer as falhas, os erros, as imprudências, as negligências e os desastres sopesados sobre qualquer um ou sob re todos os seus membros. E que cada um dos componentes familiares precisa ter responsabilidade coletiva, ainda que não a tenha pessoalmente.

Portanto, qualquer verdade que pode resultar em horripilantes e desumanos traumas pessoais, familiares ou sociais, nunca desejados, precisa permanecer bem guardada por respeito, conveniência, bom senso e sobretudo por amor. 


Ainda bem que “tudo passa e tudo passará porque nada do que foi será do jeito e do modo que já foi um dia”, como prega musicalmente o nosso cancioneiro, embora alguma coisa possa remanescer, como lembrança amarga ou doce, que resulte em tormento ou em alivio, porque o passado, como disse o pensador católico brasileiro, já falecido, Alceu Amoroso Lima, 

“não é o que passou; mas o que ficou do passado que não passou”,

E aí nos vem o CRISTO, o filho-imagem; o filho-amor; o Deus que se humanizou para celestizar a humanidade, que continua a errar, muita vez, por não saber o que fazia nem o que ainda pode continuar a fazer de errado, de inconveniente, de inoportuno, surgindo no seio da história e da vida para suplicar, no seu último momento humano: 

P a i! p e r d o a i – l h e s p o r q u e n ã o s a b e m o q u e f a z e m!

E o perdão, como trombetas e bênçãos de DEUS, desceu-nos do Alto, para nos conduzir a nós e a humanidade a paraísos atuais e futuros, materializando-se aqui na terra, como efetiva formatação da tríplice irmanização do amor, respeito e responsabilidade, resultante da perfeita e total união familiar, ou ao Céu da esperança espiritual inesgotável, renovável e eterna, porque o perdoar é o divino que nos toca bem dentro da alma-coração, como alento e energia, derramando-se em bondade e espalhando o envolvente perfume da paz-amor.

E quando nos vem a lembrança de que o perdão é um dos bálsamos mais tocantes gerados no amor, pelo amor e por amor, e que nos chega como se fora um milagre, urgente se torna nos convencermos que o pedido de perdão há de ser feito ainda quando o ofendido está vivo, porque, depois de morto, é impossível haver perdão. Pode haver um alivio no arrependimento, mas não o perdão total, perfeito e completo.

Assim, conclamemos:

Vamos nos perdoar mutuamente agora e quando for preciso porque todos nós falhamos, erramos e pecamos; porque todos nós poderemos cometer outras falhas, outras imprudências e outros erros; porque nós somos humanos, e podemos errar como Judas, que traiu Cristo, o Deus humanizado e que deve ter se arrependido; e como Pedro, o que negou o Cristo-Deus por três vezes.

Vamos nos perdoar para que vivamos na mais afetuosa alegria da mais perfeita e doce convivência familiar e para que a esperança sempre comande nossas relações familiares porque a esperança é eternamente renovável e inesgotável, como O SÃO ALEGRIA, O NATAL, O ANO, A FELICIDADE E A FÉ, sem nos esquecermos que só temos uma única vida.

Vamos iniciar o 2013 isentos de mágoas, dissabores, contrariedades, desavenças e rancores, e talvez descabidos, que somente nos trazem males e pesadelos.
e, por final, supliquemos com fé, na busca perene dos milagres:
vamos insistir em nos ajudar, recíproca e mutuadamente, com preces, gestos, atitudes, palavras e ações, sem pensar ou exigir agradecimentos ou recompensas; vamos nos ajudar com conselhos, orientações e com ajudas econômicas, repartindo as vitórias, alegrias e o pão de cada dia, com os mais necessitados, porque, tanto o pedido como o perdão em si, continuam a ser dons celestes que alimentam e energizam a alma, o coração e a vida de todo e qualquer ser humano bom, que queira e lute para ser melhor.



TOCATA NATALINA
Do Livro Tocatas.

Natal é o amor com alegria.
É o afeto com magia.
É a paz em reflexão.
É DEUS abraçando o mundo
Com SEU sentimento profundo
Repleto de compaixão.

Natal é a beleza da fé
Colocando-nos de pé
Gargalhando sensação.
É a nossa vontade firme,
Robusta e inflexível,
Repleta de afeição.

Natal é da vida, a parada;
Aniversário da morada
Que chamamos coração.
É o belo instante da vida,
A primavera preferida,
Encanto da comoção.

Natal é o altar do sentimento
Em formidável momento;
Berço feliz da emoção.
Natal é ternura agradecida
Que cura toda ferida;
É um milagre em ação.

Natal é o doce cantar da vida.
A melodia mais querida
Que eterniza a gratidão.
É o bom perfume do universo,
Aninhando-se no verso;
Poesia do coração.

Natal é a energia da vida.
À volta, o ficar, a partida
Da alma em ressurreição.
Natal, somos nós enternecidos,
Abraçados; comovidos,
Celebrando a união.

João Bosco Soares dos Santos.





JOSÉ ERNESTO FERRARESSO
Serra Negra
27/10/15

NATAL 

 Instante de confraternização e humildade.
Aconchega-se ali um recém-nascido
o Salvador da humanidade!
Seus pais olham com amor
e demonstram eterna dedicação.

Adornado em uma choupana simples
onde é acolhido
por pastores, animais e reis.
Presentes do mais humildes,
até os mais significantes foram a Ele oferecidos.
Ouro, Incenso e Mirra oferecidos pelos Reis Magos
União, Amor gestos de simplicidade e Dedicação
pelos mais humildes.

Realmente, Ele é o rebento iluminado,
que através do Amor,
seu nascimento foi abençoado.
Sua vida foi uma árdua caminhada.
Cresceu, pregou e nos ensinou.
Viveu e morreu por nós e ressuscitou;
provações e sofrimentos.
 Deixou-nos Amor e Conhecimento.

Natal é símbolo de Fraternidade,
entre os que dizem serem irmãos...
Natal é momento de amor
e compreensão de todos.

Se eu fosse esse Papai Noel,
fique certo de uma verdade:
gostaria que meu poema
fosse escrito no papel,
para mostrar a todos a pura realidade.




JOSÉ HILTON ROSA

NATAL EM TODO MUNDO

Não esconda o belo
Acenda a tocha e queime o mal
Não respire o que sobra do mal
Apenas ajoelha e reza
Ofereça o sangue aos bons
Ofereça uma flor
Sinta o perfume do prazer
Faça que tenha prazer junto com você
Diga sim a um beijo de qualquer mulher
Mesmo que seja sua mãe
Diga amém para a praga jogada
Mesmo achando que não mereça
Peça perdão ao seu amor
Abraça a futura amante
Peça um filho no útero da amada
Ofereça seu sangue posto no cálice
Doe seus olhos para as coisas belas
Chame de meu bem todo sexo feminino
Jogue seu ódio no rio que corre
Ofereça seu corpo para o prazer
Não relute o tempo
Peça uma benção ao sábio
Chame o inimigo para um abraço
Use sua cama para confortá-lo
Deixe a tristeza só
Dê um sorriso para a vida
Abrace seus sonhos
Relute para não soltá-los
Tenha o carinho ao seu lado
Diga ao fraco que chore
Dê um grito de ânimo para ele
Ofereça seu sono para a noite fria
Faça afago ao calor de todo ser feminino
Dê um beijo na felicidade
Sempre que ela aparecer
Ofereça uma flor para aquela que te der um sorriso
Dê a mão para as travessias difíceis
Olha para o céu e ofereça seu corpo
Não maltrate a mulher  adultera
Não reprima o desejo feminino
Faça sempre o prazer de uma mulher
Mesmo que dela não produza uma semente
Regue as entranhas numa tarde fria e sem sol
Deixe as lágrimas lavar seu rosto
Peça que volte sempre ao seu aposento
Chame de linda, mesmo a feia
Dê prazer sem olhar a cor de sua pele
Obedeça sua vontade noturna
Molhe o corpo da companheira com seu suor
Deixe entrelaçar seus perfumes
Peça o sexo de sua esposa
Ofereça outro prazer que você não possa dar
Chame-a para passear na neve
Abraçados, o frio é diminuído
Cante com todos os fiéis
Cante o natal!

José Hilton Rosa

 


JOSÉ LUIZ DA LUZ

NO NATAL

Oh, meu Jesus! ... Que em Belém dormia,
sob o flamejar da estrela egrégia,
que no céu do oriente o velava.
E os anjos do céu que enternecia,
davam glórias a Deus, da aura régia,
que alva, de luz o mundo banhava.
Oh, meu Jesus! ...

Maria, entre as mulheres Bendita.
Pelo santo leite que fartou,
na manjedoura o filho de Deus.
No auspício de Herodes em desdita,
o Santo fruto do ventre atou,
com infindo amor nos braços seus.
Oh, meu Jesus!...

E os três magos na noite ao luar,
tão ledos ante o fruto de amor,
ofertando presentes de luz.
Viram-no em espírito, a adorar;
Viram-no mais belo do que a flor.
E prostraram-se aos pés de Jesus.
Oh, meu Jesus!...

José Luiz da Luz

 


LUCIA CHATAIGNIER
Rio de Janeiro (RJ) - Brasil

A  CONVENÇÃO
- Um conto de Natal -

Há mais ou menos um ano, preocupado, talvez, com a idade, Ismael começou a notar que o número de velhinhos da cidade parecia ter dobrado. Essa observação, que tendia a virar certeza, sempre lhe voltava à mente cada vez que se despia para seu banho matinal, e, ao  olhar-se no espelho,  se surpreendia com as crescentes rugas e os cabelos brancos que não paravam de apontar.
“Deve ser coincidência”, concluiu. “Eu é que ando meio desligado. Onde já se viu? Ora! Velhinhos!” E fechou a porta do banheiro irritado.
Estava no último ano de trabalho antes de sua aposentadoria, e a perspectiva da ociosidade o preocupava. O que fazer das horas vagas? Com quem implicar? Com quem discutir sobre formulários mal preenchidos e carimbos insuficientes?
Ficou parado no ponto de ônibus dando, displicente, uma olhadela nas manchetes do jornal que raramente comprava, quando, pressentindo uma presença humana, virou-se de repente. Dois velhinhos sorridentes e barbudos estavam ao seu lado ensaiando uma fila.
“Epa”! pensou. “Há algo de errado nisso”!
- “Olha aí, tio, isso aqui não precisa de fila não! É chegar, pagar e pegar”!
Os velhinhos o olharam com aquela complacência de mar sem perigo, típica da idade avançada, e não disseram nada, apenas continuaram sorrindo.
Irritado, Ismael acelerou o passo para a esquina mais próxima.
“Quero distância, pô”! Pensou enquanto sacudia uma poeira imaginária, qual resíduo de um tempo que se instalara para ficar.
Entrou rápido na repartição, não sem reparar o antigo porteiro Rinaldo com o canto dos olhos. Até ele parecia ter envelhecido, com aquela barbicha grisalha que passara a usar.
Emburrado, carimbou despachos, liberou papeladas, fez balanços nos arquivos, numa dedicação compulsiva, temendo levantar os olhos e se deparar com algum outros deles, até que, sacudido no ombro por um colega, percebeu que chegara a hora do almoço.
- “Como é, Ismael? Não vai sair deste túmulo nem para almoçar?”
A palavra “túmulo”, o fez arrepiar-se todo. Ele parou para olhar o colega, com ar estupefato.
- “Você acha que eu estou bem, Artur?”, perguntou ansioso.
- “Bem, te olhando assim, você parece em forma, mas isso de ficar aí a manhã toda, feito um alucinado, pô! Isso até parece ... sei lá!”
- “Diga, homem, diga!”, falou Ismael enquanto saltava de sua cadeira, bufando nas narinas como quem fareja um diagnóstico fatal.
- “Deixa para lá. Vamos, eu pago, hoje é por minha conta”, tentou motiva-lo o colega.
- “Não. Não saio”, disse Ismael enquanto voltava a sentar-se com ar amuado, os braços cruzados sobre o peito.
- “Mas, por quê? Tás sentindo alguma coisa?”
Ismael pensou em responder, mas achou melhor se calar. Homens são assim. Não costumam confidenciar muito seus sentimentos, como se isso os fizesse parecer menos fortes ou corajosos.
- “Acho que vou dar um pulo lá no departamento médico... Ando meio cansado... Quem sabe? umas pílulas, e...”
- “Se quiser, meu velho, eu te acompanho!”
- “Velho?! O que você está insinuando, meu camarada? Velho é a puta que pariu!”, reagiu ele agressivo. “Só preciso de umas vitaminas, sei lá! Vai ver, nem isso. Mas tou dando no couro, tá sabendo? No couro!”, disse ele estufando o peito e dando repetidas batidas no tórax. E saiu, falando sozinho, em direção ao elevador, deixando no seu rastro um eco de injúrias e imprecações.
Eram seis horas quando foi para casa. O horário de verão prolongava o dia, que parecia não ter sido vivido o bastante para se recolher em casa. Decidiu tomar um ônibus ao acaso, para passear. Nunca comprara um carro, temeroso de tudo o que ultrapassasse os limites do que conhecia ou pudesse controlar. Achava que todo homem deveria saber dirigir por instinto. Que nem nadar ou andar de bicicleta,  mas  infelizmente  não  era  isso  que  acontecera com  ele:  no mar, mal  se sustentava sobre  a  água e,  em terra,  não sabia coordenar movimento com equilíbrio em duas rodas , que dirá quatro.  Assim, por vergonha de “dar um cabrito” ou não dominar as artes mecânicas, se negara a comprar qualquer tipo de carro. Mesmo assim, durante os anos que viveu, juntou uma quantia razoável, passível de realizar sonhos exóticos ou compras exorbitantes, na expectativa de, um dia, ver despertado seu instinto fatal, e ser capaz de dirigir um carro bem potente, bem veloz.
Chamou uma condução ao acaso. O ônibus ia alcançar o aterro do Flamengo em direção à Copacabana, quando parou no último sinal da avenida. Ismael olhou à sua direita o relógio da Mesbla, enfeitando com a estrela de Belém anunciando o Natal que estava a chegar. Seus olhos foram percorrendo os contornos do Passeio Público, até que se detiveram, como que magnetizados, na curva da esquina: três velhinhos de cabelos intensamente brancos, esperavam o sinal reabrir para atravessar. Ismael pensou trocar de assento para não ter de olha-los por mais tempo, quando viu que no seu ônibus quatro ou cinco outros velhinhos, com olhares bondosos e cansados, ocupavam seus lugares na condução.
Desistindo da aventura tropical, Ismael saltou ligeiro do ônibus, chamou um táxi e, com os olhos baixos, disse apressado:
- “Rápido, para o Cosme Velho!”
Arregalou os olhos quando falou o nome do bairro em que morava. Nunca tinha percebido o “Velho” do Cosme. E pigarreou mal-humorado.
Na manhã seguinte, uma súbita e estranha sensação de bem-estar o invadiu, ao acordar. Abrira os olhos antes mesmo do despertador tocar, com um sentimento estranho, otimista, muito diferente do seu habitual mal-humor matinal. Olhou em volta desconfiado, deu de ombros, e levantou-se assoviando; escolheu um terno de casimira claro e uma gravata de cores berrantes, a qual jamais ousara usar. Olhou de frente a barba por fazer, riu dos novos cabelos brancos e saiu sem tomar seu habitual chá de carqueja, rumo ao trabalho.
No caminho, esbarrou com dois ou três velhinhos, sorridentes como ele, e trocaram piscadelas de olhos, como que coniventes de um segredo maior ou de um compromisso que não deveria tardar.
- “Bom dia, seu Rinaldo! Linda manhã, não?”, cumprimentou ele enquanto pulava animadamente os dois degraus que o separavam do elevador.
Abriu mais cedo os guichês e as portas como quem abre o paraíso, convidando o público, desconfiado de tanta dedicação, a entrar e a desfilar seus pedidos, suas queixas, suas perguntas.
Artur, surpreso, chegou a deixar cair da boca o cigarro que acabara de acender.
- “Tudo bem, Ismael?, perguntou cuidadoso, temendo que o colega desencadeasse um surto incontrolável.
- “Tudo ótimo, meu amigo,! Tudo ótimo!”
- “Quer dizer que você esteve no departamento médico e te ... te receitaram alguma coisa? Pílulas?”
- “Nem estive lá, meu velho!” e riu. E não me leve a mal por te chamar assim! Próóóximo!” cantarolou, chamando outra pessoa na fila.
No final do expediente, estalou os dedos com satisfação, e espichou os braços num espreguiçar gostoso e demorado. Ao sair à rua, farejou aquele ar de maresia e suor que caracterizava o verão, respirou fundo enquanto retirava a gravata e decidiu voltar à pé para casa. Caminhou sorridente pela multidão apressada, como quem sabe a chave de um segredo, mas que não pode revelá-lo.
Ao olhar as lojas ainda abertas, contrariando sua rotina econômica e sua zura compulsiva, sentiu um desejo intenso de entrar e comprar: embrulhou enfeites, confeites, comprou roupas, bonecas e carrinhos, provou nozes, escolheu velocípedes, avelãs e trenzinhos.
Já eram nove horas da noite quando chegou em casa. Acendeu as luzes e espalhou na mesa os presentes, contente como quem vê uma tarefa realizada.
A campainha tocou. Há muitos anos, ninguém visitava aquela casa. Ismael não era dado a reuniões, festinhas,  não tinha parentes, ascendentes ou descendentes . Mas  não ficou surpreso. Parecia que esperava algo que há muito ansiava. E ao escancarar a porta, um seguimento de velhinhos, os mais diversos, cabelos brancos, olhares coniventes e sorridentes, barbudos uns, outros com a pretensão de ficar, formavam uma fila interminável.
- “Viemos para a convenção!”, disse o primeiro deles.
- “É!”, disseram outros, “Para a convenção!”
Não foi preciso uma explicação maior. Todos eram portadores do mesmo segredo. foram entrando e depositando na mesa os seus presentes, suntuosos ou humildes, numa pilha enorme, bonita, brilhante. E quando o último velhinho fechou a porta, o mais velho deles falou:
- Há algum tempo sentimos um impulso irresistível de vir para esta cidade. Muitos de nós vieram de longe, para realizar uma tarefa cujo sentido nos escapava. Essa noite, sentimos que era chegada a hora, e seguimos o caminho que a nossa intuição indicava”.
Ismael, olhos marejados, não sentia necessidade de perguntar nada. A cumplicidade que experimentou na companhia daqueles velhinhos, era tanta, enorme era a sua alegria, que transcendia qualquer curiosidade. Mesmo assim, temendo perder o momento mágico que vivenciava, tentou prolongá-lo puxando conversa.
- “Convenção?”
- “Sim. Convenção de papais-noel! Somos todos velhos solitários, de todas as partes do mundo. Não temos família, nem crianças  para alegrar nossos lares,  que  nem  você, amigo. Mas mesmo assim, em cada Natal, pendurávamos as nossas meias nas lareiras ou nas janelas, esperando que, quem sabe? Alguém se lembrasse de nós”.
- “É”, disse um velhinho. “Eu sempre achei que não custava tentar! Ninguém jamais havia provado que papai-noel existia, mas, por outro lado, também nunca provaram que ele não existia!” concluiu ele empolgado.
- “Isso, isso!” Diziam todos se entreolhando em cumplicidade.
- “Um dia, recebemos uma mensagem no Natal. Era do próprio papai-noel, imagine! Ele está muito cansado e pretende se aposentar. Era preciso um sucessor. Alguém que contrariasse tudo aquilo que se espera de um bom velhinho”.
- “Por que?” Perguntou Ismael.
- “Para que todo aquele que perdesse as esperanças no mundo, voltasse a acreditar nas pessoas, na bondade, nos velhinhos assumidos, que lembram o bom Noel...”
- “ ... e achamos você!”
- “Sim, mas por que... eu?!
- “Porque você vivia rabugento e mal humorado. As pessoas te olhavam e sentiam medo da velhice e dos velhinhos! respondeu um velhinho baixinho, com voz grave e um ligeiro tom de censura.
- “Iam acabar com medo até de Papai-Noel!!”
- “É!!” disseram em coro ..
E todos estalaram as línguas abanando a cabeça...
- “Esse é o nosso presente de Natal! De agora em diante você é o papai-noel oficial!”
- “Devo... devo assinar algo? Carimbar, quem sabe?”
- “Não, nada disso! Basta vestir aquela roupa vermelha que está lá fora. Papai-Noel te espera para te passar as chaves de tua nova casa. Nós te ajudaremos a por os presentes no trenó!
- “Trenó?! Mas eu nem sei andar... quer dizer, dirigir... Ora, pombas! Vocês devem saber!” reagiu Ismael apavorado enquanto sua face enrubescia de vergonha.
Os velhinhos riam, enquanto suas barrigas gordas ou seus ossos magros balançavam:
- “Não é preciso, amigo! Basta você sentar e se deixar sonhar!”
Ismael sorriu encabulado e pegou a roupa para experimentar. Estava exata. No espelho, notou que sua cabeça estava mais branca e seu olhar extremamente doce. Já passava de meia-noite quando, entre ho! ho! hos! e tilintar de sininhos, o trenó, levado pelas renas, levantou vôo rumo ao Polo Norte.
Os velhinhos foram se dispersando, e, por onde quer que passassem, as pessoas sorriam e sentiam uma vontade enorme de dar presentes.
Na casa de Ismael, um bilhete, do lado de fora da porta, anunciava:
“Voltarei após o Natal!”.

Lucia Maria Chataignier de Arruda



LUIZ CARLOS MARTINI
Restinga Sêca - Brasil

NATAL

O Natal cobria-me como um manto
Ser criança, ingênua, doce ternura
Ó tempo! Quebram-se os encantos
Resta-nos pensar, olhar de moldura

Montar presépio, melhor que agora
Ir à Missa do Galo na Igreja Matriz
Fantasias e os tempos de outrora
Ó se soubesse! Eu, um menino feliz

O canto in excelsis Deo por inteiro
Asas de anjo e sapatos na lareira
Presentes sob a luz de candeeiros
Ficou sério, acabou a brincadeira!

Luiz Carlos Martini


SEM SAPATOS

          Se comparado, quando eu era criança o Natal tinha outro brilho. Ou não? Lembro-me do presépio na casa dos vizinhos. Levavam mais de semana para prepará-los. A árvore e o menino Jesus, as velhinhas, bolas de vidro, barba de velho, fiapos de algodão...
          Recordo da missa do galo, do som dos sinos, fogos de artifício, os anjos. Será que voavam mesmo? Esperava, espiando pela fresta das tábuas da velha parede. Não dormia, aguardando um pequeno milagre. No outro dia, nada, pois nem os sapatos haviam sido colocados sob a chaminé. O Menino Jesus não havia deixado nada, o Papai Noel, ninguém havia deixado nada. Casa triste dos pequenos, sem presentes, sem presépios, sem brinquedos, sem nada.
          -Por que na casa de vocês o Papai Noel deixa presentes? Por que vocês ganham e nós não? É, deve ser! Nosso comportamento durante ao ano não foi dos melhores. Maldito dia em que atirei pedras no cachorro do vizinho; fui mal-educado com um coleguinha. Pequei. Sem perdão, sem presentes. Quem sabe no ano que vem.
          Havia criaturas mágicas, mas inatingíveis naquela escuridão. Privilegiados sim, em meio a um milhão de crianças.
          Natal de minha infância, também queria dizer tristeza, dor e desencanto. Sem bonequinhos de neve, sem carrinho, sem pinheirinho, sem sapatos, pois não havia, nem sapato havia!


Luiz Carlos Martini


LUIZ POETA
Marechal Hermes (RJ) – Brasil.
Às 23 h21 min - 21/12/2007.

BÊNÇÃO NATALINA

Nos olhinhos de um menino... Embevecidos
Pela imagem de um instante natalino,
Há um brilho luminoso... Distraído
Que descobre... Num presépio... Outro menino...

Comovido, ele observa... Atentamente...
Os reis magos, a vaquinha, o carneirinho...
No seu peito, uma voz diz... Sublimemente:
- Eu queria ser aquele menininho...

Um anjinho sobrevoa esse momento
E no enlevo delicado desse voo,
Há bem mais que um sublime sentimento:
Ninguém ouve, mas Deus diz: - Eu te abençoo.

Luiz Poeta
Luiz Gilberto de Barros




MAURA SOARES

02/12/2011 às 17h40min(horário de verão)



NÃO ME VENHAS COM NATAL

Não me venhas com Natal
Se durante o ano não me atendeste
Deixaste-me na fila do Posto
Jogado no leito do hospital
Sem remédio, sem carinho
Um trapo, afinal

Não me venhas com Natal
Pois sequer um abraço me deste
Ignoraste meu sofrimento
Passei mal, nem soubeste

Não me venhas com Natal
Dando-me agora presentinhos
O que eu sempre quis foram carinhos
Que esqueceste, mas não faz mal

Não me venhas com Natal
Não tenho mais casa, minha mulher foi embora
Levou filhos, levou tudo, sem demora
Levou minha dignidade, ficou a eterna saudade

Não me venhas com Natal
Abandonado, fiquei a chorar
Com muitas lágrimas a rolar
Onde ficou o meu Natal?

Ficou na mesa opulenta
Com as belas vestimentas
Eu aqui só trapos, tristeza, solidão
Então, não me venhas com Natal, Não!!!


Maura Soares




MARINA MOREIRA PEREIRA

ENTÃO  É  NATAL

Ao chegar o Natal vem à esperança
De ouvir a voz de alguém na própria alma
De ver a caridade e adoçar
O sentimento no teu coração.

Alguém que te faz de novo criança
Acendendo nos olhos doce calma
Qual som melodioso a tocar
Ressurgindo feliz recordação.

Este alguém é Jesus, teu grande amigo,
Que te ampara nos braços, enternecido,
Com o amor puro das velhas afeições.

Te roga perdão pra aqueles que erram,
Coragem e força pra aqueles que medram,
Consolo pros que sofrem opressões!

Marina Moreira Pereira

 


MARIO REZENDE

NATAL

Linda festa cristã.
Sinos repicam em todo canto,
cintilantes estrelas,
guirlandas e enfeites coloridos;
ansiosas as crianças esperam sempre
o Noel universal.
O pulsar de alegria
não afeta todos os corações, eu sei,
mas festa e pesar batem às portas
em qualquer ocasião
e não escolhem lugar.
Nesse espaço te tempo, é certo,
corações bem próximos vão estar
em congraçamento aconchegante e salutar.

Mario Rezende


 


MARDILÊ FRIEDRICH FABRE
São Leopoldo (RS) – Brasil

VELHOS NATAIS

Nos Natais de meu tempo criança,
Não havia tanta abastança.
Um presente era o suficiente
Para dourar a noite da gente.

Seu protagonista era Jesus
Que aos olhares fazia jus.
Na manjedoura pobre nascido,
Abençoava o mundo já perdido.

Pequenos corações ansiosos,
Arquejantes e esperançosos,
Aguardavam por Papai Noel
Que descia jovial do céu.

Sua figura não ofuscava
A festa que se comemorava:
O nascimento do Senhor,
Do ser humano Salvador.

Mardilê Friedrich Fabre
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Mardile_Friedrich_Fabre.htm



MÍRIAN WARTTUSCH


PRESÉPIO DO COTIDIANO


- O menino sorriu - não tinha por quê
Debaixo da ponte, tentou se esconder.
Levava uns trocados na suja mãozinha
Isso aconteceu logo de manhãzinha.

Pobreza no mundo, que coisa cruel!
Deitou com o cãozinho, por sobre um papel...
Não tinha a cobri-lo nem uma coberta
- Passar fome e frio será a coisa certa?

A mãe se ajoelha e lhe afaga o rostinho
E apanha as moedas da mão do menino.
O pai - barba grande - sentou-se ao seu lado,
Chovera... E o chão, estava molhado.

A cena tocante, me deu pena até,
Como  ali estivessem, Maria e José.
No chão deitadinho, na cabeça um capuz,
eu diria até que fosse Jesus.

A cena é comum, todo dia se vê...
Mas fiquei tocada, confesso a você!
Em pleno Natal, sem anjo, nem nada,
Montaram o presépio em plena calçada...

¨¨¨¨¨ ¨¨¨¨  ¨¨¨¨

A SAGRADA FAMÍLIA




São José, tu recebeste,
Por companheira, Maria...
Tão fiel, jamais descreste,
Que ela, Virgem, mãe seria.

O Anjo lhe anunciou:
Jesus ao mundo traria.
Com muito amor aceitou,
Plena de graça, Maria!

Jesus, Maria e José,
Viviam com humildade,
Unidos com muita fé,
Esperança e caridade.

Sempre ao lado de Maria,
Quando foi erguida a cruz,
Chorou, pois ali sofria,
Seu filho amado, Jesus!

Aos braços do Pai Celeste,
O bom filho retornou.
José fez tão linda prece,
Com Maria então orou.

“Ó Pai, viemos orar
Ao te entregarmos Jesus;
Que para o povo salvar,
Sofreu e morreu na cruz”

Com tal luz o céu se abriu,
Toda a Terra iluminou!
Glorioso, Jesus subiu,

Depois que ressuscitou.



Mírian Warttusch




MURIEL ELISA TÁVORA NIESS POKK

NATAL

Como não se sabe ao certo
O dia de Seu nascimento,
Comemora-se, decerto,
no dia que se tem conhecimento.

Vinte e cinco de dezembro
É apenas uma data católica,
Poderia ser de setembro,
Ou qualquer outra data simbólica.

Dizem que quando Cristo nasceu
Três reis O foram visitar.
Seus nomes alguém me deu...
Baltazar, Belchior  e Gaspar

Não eram reis, e sim magos videntes,
Que guiados por uma estrela, pelo deserto,
Viajaram  em dias quentes
Para ver o escolhido de perto

Ver aquele que Deus foi escolher,
Para o cristianismo implantar,
Aquele que iria sofrer
Para algo nos ensinar.

Que na cruz morreria,
Dando sua vida para nos salvar;
Que ao mundo mostraria
O sentido real  da palavra amar.
Registrado em cartório
Livro Poesias ditadas pelo coração

Muriel Elisa Távora Niess Pokk




MARIA BEATRIZ SILVA

Poesia em vídeo

Maria Beatriz Silva
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Maria_Beatriz.htm


MARIA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES MOREIRA


NATAL

Tempo de paz?
Tempo de esperanças?
Natal com ceia e guloseima
Natal para renovar os presentes?
Natal magrinho em terras áridas?
Irmãos que confraternizam o pão
O pão que veio das alturas...
Qual o seu Natal?
Dois mil anos se passaram
Mais mil se inicia...
A cada ano lembramos que um ciclo se fechou
Que já é Natal.
Que Deus enviou o seu filho Jesus.
Mas de que adianta se só ficamos na fala?
Se as guerras estão a cada dia mais em iminência!
Se o Natal é do capital, é da gula e da ganância.
Se meninos boiam mortos em mares revolto.
Se a bomba de Hiroshima está guardada
com laço para presente!
E eu não seco a lagrima de meu próximo.
Eu me envolvo em grandezas mesquinhas.
Faço festas de Herodes.
Mas é Natal... Mas é Natal!
Natal é tempo de juntar as mãos
Ter compaixão, semear novas sementes
Ser penitente, ser mais gente.
Natal com amor
Sonho ou utopia, de que um dia, seremos um só corpo
Homens, animais, flores e frutos céu e terra a cantar
É Natal, é Natal, e um bom ano também.

Maria da Conceição Rodrigues Moreira






MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA
 Oeiras - Portugal

NATAL - 2015

(Soneto em verso eneassilábico)

Como posso evitar que me doa
Um Natal que não vejo e mal sinto
Se, ao pensá-lo, se esvai, se esboroa
A memória que del` me consinto?

Que dizer quando tudo destoa,
Nestes dias de "apertos de cinto",
Duma alegre canção que se entoa
À lareira, bebendo um bom tinto?

Sobra a esp`rança, bem sei, s`inda houver
Um cotinho de vela, um cigarro,
Um restinho de pão pr`a comer,

Este tecto, um presépio de barro
E um poema que insista em nascer
Deste nada a que agora me agarro...

Maria João Brito de Sousa
13/11/2015 (22.05h)



MARIA DE LOURDES SCOTTINI HEIDEN
Blumenau - Brasil

NATAL

Mais uma vez é natal...
A pergunta permanece
O que o Natal vai trazer
Pra você e pra mim?:
Sonhos de um mundo melhor...
E todos aqueles sentimentos do natal.
Depois...
Passada a magia da noite,
O que virá?
A ressaca? O Enjoo?
Ou o despertar para uma nova vida?
Não sei...
A cada Natal o mundo deseja
Encontrar o rumo,
Semear a paz, o amor, a esperança...
Depois esquece
E perdido segue
Até o próximo Natal.
Quem sabe neste NATAL...

¨¨¨ ¨¨¨ ¨¨¨ ¨¨

É NATAL

Nos ramos verdes da esperança
Bolas coloridas enfeitam a vida.
No presépio humilde
A vida se aquieta.
Meu coração vislumbra
O primeiro Natal.
A mãe menina,
O pai ansioso,
A criança dorme
Com a confiança
De que tudo acontecerá
Como fora dito pelos profetas.
E assim aconteceu.
Hoje...
Ah como desejo
O soninho calmo
Do menino amado
Pondo luz e fé nos passos
De um mundo cansado
Que precisa de milagres.

Maria de Lourdes Scottini Heiden

 

MARIA MENDES CORRÊA

A NOBRE MISSÃO DE SERVIR

Num sertão nordestino, onde a água era escassa e retirada a longa distância, nasceu um lindo cavalo branco.
A chegada daquele potrinho foi motivo de alegria para seus donos, pois a mãe já exausta, pouco podia buscar a água, tão preciosa para a serventia de seus donos.
Ele foi crescendo rápido e logo já trazia no seu lombo, o peso árduo dos barris, cheio do líquido mais precioso da terra.
E seu destino não passou disto, uma longa e única estrada, um peso nas costas e a bela missão de servir.
Seus donos eram encantados com ele, tamanha era sua obediência.
 E a vida passava... Passava... Até que o cavalo branco envelheceu e veio a pertencer ao reino celeste dos animais.
Ao chegar aos céus, São Francisco de Assis, abriu as portas e disse:
- Entre, belo animal, nem precisa bater. Aqui é seu lugar.
O cavalo galopava feliz pelo reino celeste dos animais, quando Deus o intercalou:
- Seja bem- vindo, belo animal, cor da paz e espírito de luz... o que tens a  dizer sobre sua vida terrena?
-Oh, Meu Deus, graças dou a Ti Senhor, pela maravilhosa vida que me deste na terra:
 -- Deste-me a honra de servir, nobre missão Senhor, então só tenho a agradecer.
 E de joelhos louvou ao Senhor...
Deus pegou em suas patas e o levantou.
- Cavalo branco, na terra você desempenhou com humildade e obediência sua missão e nunca conheceu as verdes matas, os campos floridos, os lagos cristalino, e nada da inebriante natureza que ofertei a Terra... Só conheceu uma única estrada e sua missão foi árdua. Mas a partir de hoje conhecerás a beleza do mundo terreno.  Vou dotá-lo de asas e vai galgar pelos mais lindos lugares, terás o dom de mudar de cor: será um cavalo multicor... Seu sedoso pelo terá várias tonalidades:
--Serás verde quando estiver entre as matas, nas belas colinas verdejantes, nas belas praças e nos verdes campos. Aí você vai plantar a mudinha da felicidade, feliz de quem encontrar esta mudinha, reinará sempre em seu coração, a chama acesa do verde da esperança.
Ao galgar pelas lindas terras e o solo fértil, serás marrom e vai espalhar entre os homens, o valor do trabalho, oferecido pelo plantio e a terra fértil, conhecerás belas estradas, grandes montanhas e o vasto deserto...
  Poderás ser também amarelo, vais galgar entre os girassóis, receberás do astro sol e seus raios iluminados, a luz, para que ensine aos homens assemelhar-se a uma lâmpada resplandecente, aquecendo os corações das pessoas necessitadas.
Na tonalidade laranjada irá brilhar e correr entre os pomares, observando o valor dos frutos e ensinando aos seres humanos a grandiosidade da partilha, o dom da caridade e humildade.
Quando na cor lilás e roxa, estará entre os campos floridos e as belas quaresmeiras, onde poderá ensinar aos seres humanos que “fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas” e que a beleza eterna é aquela que brota dentro do coração de cada um.
Às vezes poderá ser cor de rosa, nesta cor estará entre as crianças e as belas menininhas, virão todas vestidas de rosa, beijar seu pelo e alisar sua crina, espalharás a fé e a inocência que existe em cada menina, que um dia será mulher e em seu ventre germinará a certeza de que a humanidade nunca terá fim. Vais brincar com elas, ensinando a embalar com carinho, sua boneca, aprendendo o dom maravilhoso de ser mãe e vais conscientizá-las a nunca praticar o aborto, pois há muitas pessoas, que incapaz de gerar um filho em seu útero, gera em seu coração, o filho adotivo.
Serás também azul, conhecerás os meninos, e irá sussurrar aos seus ouvidos, a bela missão da paternidade, o respeito ás mulheres, o perigo das drogas e da violência contra a mulher e a qualquer ser humano. No tom azul, vai poder voar no azul celeste e poderá também ter com todos os animais privilegiando a fauna, despertando nos homens, a sabedoria para entender que nada termina se não tiver o extermínio e a extinção de cada espécie.
Quando cinza, ficará prateado e vai galgar nas gotas cristalinas da chuva, ajudando a espalhar gotinhas de água na terra, molhando toda a belíssima flora terrestre, incentivando os homens, a não desperdiçar a água e preservar nossos mares, rios e lagos ...cavalinho branco, nesta cor poderás banhar-se nas ondas do mar e em belas cachoeiras, banhando-se no líquido que tanto carregaste ...
Ao se tornar vermelho, poderá falar ao coração das pessoas sobre o amor, estará entre as rosas vermelhas e seus lindos botões, que se abrirão como o desabrochar do belo sentimento do amor, que une a humanidade e os tornam melhores a cada dia, rumo ao encontro da felicidade.
E nas noites lindas, você será preto, será iluminado pelas estrelas e pelos raios do luar, simbolizando a fé, a crença em teu Deus, mostrando que Deus envia a luz a cada amanhecer.
E aí então ao amanhecer serás novamente branco, anunciando a paz, a união e a bela missão de servir, que deveria ser lema a todas as criaturas...

Maria Mendes Corrêa





MARIA TOMASIA

UNIDOS NO NATAL

  Natal é dia de festa e alegria;
é tempo de comemoração.
Que haja muita paz e harmonia,
dentro do nosso coração.

O convidado mais importante
não pode deixar de comparecer.
Por ser o mais ilustre visitante,
vamos nossas mãos a Ele estender.

Enquanto estivermos a nos fartar,
tanta gente não terá o que comer...
Como é triste, até nos faz chorar,
porque pouco podemos fazer...

Se no peito tivéssemos um coração,
Distribuiríamos muito mais amor...
Estaríamos fazendo uma boa ação;
E ninguém nesse dia iria sentir dor.

 Esse gesto faria Jesus  contente
se praticássemos a solidariedade:
Ele teria o Seu melhor presente;
Com todos unidos na caridade!

Teríamos um Natal  excepcional,
sem fome,  sem discriminação.
Haveria uma alegria fenomenal,
Todos unidos num único coração.


 


NEI GARCEZ
Curitiba(PR) - Brasil


RENASCER

Que saudade, de menino,
e da casa de meus pais,
da família, pequenino...
Eram lindos meus natais!
A família se reunia,
toda em festa, e afeição,
tendo  o amor em sintonia,
e o afeto como união.

Que saudade, que alegria,
daqueles tempos de outrora,
dos Natais em que eu vivia,
refletindo em meu agora...

Era tudo fantasia,
tudo era uma emoção,
era um mundo de magia,
de ternura e exaltação.

Que saudade da criança,
que viveu os meus Natais,
que inda vive, na lembrança...
Tempos que não voltam mais!

Hoje sinto a sociedade
se afastando da vigília
dos valores, da verdade,
formadores da Família!

Ah, que bom se acontecesse,
numa escala universal,
que este mundo se entendesse...
Toda dia era Natal!

Nei Garcez

 


NEUSA MARILDA
Valinhos (SP)-Brasil

O NATAL BATE À PORTA!

Abra-a, deixe que entre a alegria neste mágico momento, como se o mundo fosse perfeito e apenas cores lindas o envolvessem. Que a paz fosse plena entre todos os povos em geral e a cada pessoa em particular dentro de seu próprio mundo.

Natal, dia especial da fé cristã comemorando o nascimento de Jesus, porém deveria ser lembrado todos os dias em nosso interior. A verdade é que muitas pessoas lembram-se apenas do consumismo, comidas e bebidas até em desperdício. Nos quatro cantos do planeta há milhões que mal tem o que comer. Quando esta data é comemorada apenas baseada nos bens materiais seu verdadeiro sentido é esquecido e então o Natal torna-se triste.

Como ficar completamente feliz se ao nosso lado sabemos que pode haver uma criança que sofre maus tratos, idosos doentes e abandonados, moradores de rua que se entregaram à bebida e depressão caindo pelas calçadas, famílias destruídas por drogas, guerras e a fome também sucumbindo pessoas? Nada é perfeito, nunca será enquanto em cada ser humano não houver a verdadeira união entre todos e o amor fraternal imperando.


Mesmo assim meus votos são de um Feliz Natal a todos e que este traga a conscientização a quem precise mudar um pouco o modo de ser, olhando com mais caridade o seu semelhante.


Neusa Marilda



NADILCE BEATRIZ

É NATAL

As vitrines enfeitam-se.
As ruas ganham novos matizes
Há pessoas; muitas pessoas, que choram, que correm, sorriem...
Há brilho nos olhos do pobre, do rico, da criança, do adulto e no céu
São dias de todos os solstícios
São paisagens musicais
Há cheiros, perfumes e sabores que anunciam uma festa divina...
Há histórias que só os avós sabem contar, e que só existem no coração
É uma graça que está a aproximar-se
É um dogma que vive em nossa alma
Eu queria viver só para o Natal de minha infância sã e simples...
Eu queria poder embalar o Menino que vive a bater à porta da vida
Todos entoam cânticos
Todos querem renascer
É Natal para todas as estrelas que habitam o Universo de nossa alma
Os lares transcendem a afagos
Os sonhos dormitam em presépios
A esperança já é um presente, posto que a esta data sente-se fraternidade
A humilde preserva o mistério, porque fazemos tantos pedidos...
Meus brinquedos eram sagrados!
Meus pecados tão minúsculos!
O Natal faz seu significado emergir de entre às doces lembranças
O Natal é uma renovação de fé, que até ao bruto faz dobra-se
Um silêncio de paz surge
Um rumor de abraços se faz ouvir
Foram assim, meus tantos Natais: um Padre Nosso e um doce abraço
Foram todos à igreja, e de mãos unidas agradecer a uma Noite Feliz
Que emancipou-se para todo o sempre
Que ora vive em cada criatura de Deus.

Nadilce Beatriz




ODENIR FERRO

Artigo de Natal: Aos nossos sentidos pensamentos e reflexões, Mil pedaços de mim... Pela vida Toda, num único segundo!

Enquanto seguia estrada afora – próximo ao Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas, São Paulo, Brasil) – pude notar, numas das ruas paralelas que se seguiam, num bairro próximo, que homens uniformizados, iam dependurados na traseira de um caminhão que recolhia o lixo da humanidade. Enquanto do meu lado, dentro do virtual, ancorado na minha perna direita, estava o meu tablete e as imagens que ele me expunha eram fotos de uma belíssima e glamorosa Ceia de Natal. Mesa posta com vinhos, champanhe, taças, talheres de ouro, prata, pratos de porcelana, e muitos alimentos ornamentos decorativos, castiçais com velas e frutas, muitas frutas tropicais e importadas.

Avançando em sites seguintes, vi imagens de um parto prematuro, enquanto lá fora, através da janela do carro, notava que um avião levantava voo... E outro, aterrissava.

Após estacionar, já a pé, defronte ao Aeroporto, fiquei parado – olhando o incógnito existencial exposto em pura beleza, neste misto de natureza entrelaçada com as modernidades tecnológicas da engenharia humana. Fiquei olhando debaixo para cima, vendo a barriga gorda do avião que decolava; pois ele passara próximo de tudo, a cerca de uns trezentos metros, alçando voo acima de nós. Seguindo pelo infinito azul do céu adentro...

Passara bem próximo de tudo: inclusive de mim, dentro do meu eu desperto, atônito e íntimo. Presenciando e vivenciando cenas – presentes e passadas, desejando mesclá-las com o futuro de tudo – aquele que está ainda ao porvir. Os meus olhares se tremeluziram, enquanto os meus sentidos pensamentos e reflexões, ficaram dentro de mim – numa metáfora exposta e dialética – dentro do meu ressentido eu – entre mudo e calado, e, exposto, visionário, meditativo, convulso em impulsivo. Pleno, num estado reflexivo de amor, dentro do meu interior exposto; muito embora estático, elétrico, ao mesmo que parado. Olhando a seguir, para os meus pés calçados com um par de tênis azul petróleo, novinho em folha.

Naquele momento, não consegui saber onde Jesus estava... Mil pedaços de mim... Pela vida Toda, num único segundo!

Enquanto a Van se preparava para dar partida – de fronte das escadarias do Hotel, levando alguns hóspedes, dentre os quais duas amigas, as quais desfrutaram e compartilharam comigo da festa desta noite, noite maravilhosa na qual dividimos mesa, palavras ditas e não ditas, dividimos muito, ou melhor, compartilhamos momentos reflexivos, entremeio a muita música, muito glamour e muito sucesso, empolgação, enfim... Muitos momentos intensos, de boas vibrações, euforia e felicidade, até...

Mas, bem: eu, de chinelos, trajando sport chique, calção branco, camisa branca em listas azuis – vindo do restaurante, onde degustei um farto café, e, ainda com um copo descartável de suco de laranja numa das mãos e na outra um pão próprio para cachorro-quente, do qual eu o enchi, não de salsichas, mas de linguiça calabresa (para garantir o meu almoço, pois dali, seguiria viajem para Ouro Preto, Minas Gerais).

Pude notar que a Van se preparava para partir, enquanto eu acionava o elevador para o quarto andar, e, depois, num lance de escadas, subiria para o quinto andar, quarto quinhentos e seis. Subi. Lá, no quarto andar, me dei conta de que esquecera de pegar o cartão magnético para abrir a porta. Desci. Ainda pude ver a Van, quase se indo...

Peguei o cartão com o recepcionista. Entreguei-lhe o copo descartável com um restinho de suco de laranja, já vazio. Pedi-lhe que o jogasse no lixo, por mim.

No que ele, muito solícito, atendeu. Agradeci-lhe.

Instintivamente, lembrei-me – num dos cantos dos porões das minhas memórias – aquela criança jogada na praia, sem vida... Então senti um arrepio, crendo não ser, daqui a pouco tempo, anormal, encontrarmos inúmeros cadáveres humanos, jogados nas praias... A questão de décadas passadas – ou mesmo anos pregressos – sofríamos ao ver em praias daqui, de lá, acolá, peixes, sardinhas, baleias... Aos milhares... Mortos e jogados na orla, ao léu, ao Deus dará... Sofríamos: agora, daqui pra frente, pensei eu, com um calafrio percorrendo o meu corpo, estaremos sendo obrigados a nos conformarmo-nos ao ligar a televisão, ou o computador, ou por qualquer outro meio de comunicação que for, e defrontarmo-nos, horrorizados, com homens, mulheres, crianças, na mesma degradação física existencial, tais quais aos peixes, baleias...



E de quem é a culpa? Nisto tudo, o que será normal, anormal, qual será a tolerância, a aceitação, o dinamismo, o conformismo, a descrença, o individualismo, que nos abaterá, perante a nossa realidade existencial – já tão conturbada – ainda mais, e mais, e mais?!

E Jesus? Estará presente no meio de nós todos, mediante ao todo disto tudo...?!

Deixei esta tétrica sensação de lado. Acionei novamente o elevador. Muitos pensamentos emotivos se passaram e se processaram dentro das minhas memórias...

Então, o elevador chegou até o térreo, no Saguão do Hotel, e abriu a porta. Entrei. No instante em que a porta se fechava, a poucas distâncias do saguão, pude ver o Van partindo...

E nas memórias de mim, tudo se processou. Tudo se procedeu, e,... Num misto de tudo, lembrei-me do meu pai (que já se fora, e,... sentia-o tão longe e tão próximo de mim...).

E o meu amolecido coração, se derreteu... Num misto de tudo, as minhas resolvidas emoções pensativas e sensitivas, me abraçaram de corpo e alma...

Sorri e chorei por dentro, agradecido e, muito, muito entristecido.

Entrei no quarto e escrevi estas linhas... Terminei-as olhando para o Troféu Carlos Drummond de Andrade, intimamente agradecido.
Itabira, Minas Gerais, Domingo, 25 de Outubro de 2015.

Neste barco, estamos tudo e todos, no mesmo avião – dentro de um momento ao outro, sendo que o qual o desconhecemos – tudo e todos iremos: no último instante de um momento qualquer, iremos: ou naufragar ou despencarmos dos céus ilusórios, dentro do qual vivemos o nosso lirismo, no espaço de um existir, que desconhecemos até de nós mesmos...

E, o que mais é profundamente doloroso, não é a consciência deste fato, pensando e assimilando-o, no individual; mas sim, o de saber que nos despediremos daqueles, os quais tanto nós os amamos, que partirão deixando-nos aqui, nesta terra, vivendo as carências de um espaço um pouco a mais, dentro do ainda mais, tão vazio universo inenarrável de nós... Buscando razões e sentidos, dentro deste nosso íntimo tão efêmero, tão passageiro, tão descartável...

Adoro a simplicidade brejeira e desconfiada do povo mineiro – um bom pedaço de mim, se identifica, se processa e se relaciona com o Universo Humanitário, através desta maneira conexa e cognitiva – onde eu, também olho, a partir do interior de mim, para os prosseguimentos cognitivos e comportamentais (expressivos ou inexpressivos) dos seres humanos: irmãozinhos meus, companheiros de viagem – nestes momentos existenciais, nos quais, por enquanto, entretanto, estamos todos por aqui: orbitando e habitando este tão lindo Planeta, que os nossos Ancestrais, em algum dia, lá atrás, mas bem lá atrás mesmo, inventaram de denominá-lo de Terra!

(Dentro disto tudo, num pouco ou muito disto tudo, onde está, onde fica, como se posiciona, de que maneira se comporta, o nosso Grande Amigão, o qual também, de maneira idêntica, nossos irmãozinhos Ancestrais, n’algum dia, remoto, bem remoto, e histórico, o denominaram de Jesus de Nazaré, cujo curto espaço de tempo de Sua História pessoal de existência, teve inumeráveis poderes: dentre eles o de nos deixar um legado histórico processual e marcante, que nos marcou e nos crucificou, nos arrebatou e nos diminuiu e nos engrandeceu, libertando-nos pelos espaços da Eternidade afora...

E a fatalidade existe e rege o seu pulso em punho intruso e cerrado sobre qualquer um de nós – pois todos (Deus nos livre e guarde, Amém!) estamos sujeitos (muito embora inconformados e desejosos de não sermos submissos a ela (...!)). Tanto a fatalidade assim como a fragilidade, estão inseridas nos contextos subjetivos dos nossos procedimentos comportamentais, perante o nosso existir!

E Jesus, intercede simultaneamente, ininterruptamente, por nós todos?! É mais um ano que se finda, é Tempo de Amor, é Tempo de Natal: novamente as guirlandas nas portas, à espera do Papai-Noel, novamente as luzes, as árvores enfeitadas, os presentes, os doces as ceias, as flores, e as bebidas, muitas, muitas bebidas...

E nos Céus: Anjos tocam músicas infinitivas, aos sons de Harpas cristalinas, sinos encantadores, entremeados de lirismos, poesias, e canções entoadas feito um quê glamoroso de Eternidade...

Daí, então, entra em Cena de Natal, Deus! Assim! Sem mais nem menos: Eterno! Vem para nos dizer que o Seu Filho Jesus é o Salvador de Tudo e de Todos.

O Natal, não se resume apenas num Feliz Natal para Todos! E Tudo o demais, cada um que sinta o que sente, pois o dom da Imortalidade de Vida, a Todos foi, por Deus, Sacramentada! Feliz Natal!


Odenir Ferro



OLYMPIO DA CRUZ SIMÕES COUTINHO
 Belo Horizonte (MG) - Brasil

Que em todos lares do mundo,
num milagre fraternal,
o burguês e o vagabundo
cantem juntos no Natal.

Papai Noel, a cegonha...
Lendas que mamãe contou;
deixei de crer, por vergonha,
e a minha infância acabou.

Querido Papai Noel,
eu lhe peço sem revolta:
no Natal traga do Céu
minha mãezinha de volta.

Papai Noel, pobremente,
cometeu um desacato:
em vez de deixar presente
carregou o meu sapato.

Olympio da Cruz Simões Coutinho
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_o/OLYMPIO_DA_CRUZ_SIMOES_COUTINHO.htm



OLIVEIRA CARUSO
 Niterói (RJ) - Brasil

INDRISO DE TRISTE NATAL

Se o Natal significa o nascer,
por que eu me sinto morto
ao me despedir de mi’a mãe?

Vou p’ra lonjura de Niterói,
cidade na qual eu resido
a partir de meu casório.

Peço a Deus que nos aproxime.

Ao Deus todo poderoso eu peço.

Oliveira Caruso
25-12-11

 

PRISCILA DE LOUREIRO COELHO
Jacareí (SP) - Brasil

NOITE DE NATAL

No aconchego do lar
A família partilha
O calor da amizade
É hora da ceia
E o grupo a rodeia
Com simplicidade

Ao dar meia noite
Junta-se em prece
Para agradecer
Ninguém se esquece
Que tudo acontece
Por se merecer

E então o menino
Mesmo pequenino
É reverenciado
De longe o sino
celebra o destino
do predestinado

Em torno da mesa
A família se junta
Com fidelidade
O amor se espalha
Na copa, na sala
Todo espaço ele invade

Sorrisos, presentes
A alegria faz jus
Ninguém está sozinho
Estão todos pertinho
Do menino Jesus...

Priscila de Loureiro Coelho


RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
Santo Amaro (BA) - Brasil

O MINISTÉRIO DA GRAÇA

Eu tenho uma só certeza:
é na mensagem da cruz.
Jesus – essa fortaleza!
Só creio mesmo em Jesus.

Meu rumo tem um sentido,
Que eu confio plenamente,
O céu me foi prometido
Por Jesus, e Ele não mente.

Por mais que eu queira, ou que tente,
Fazer um verso pagão,
Deus está sempre presente,
Não sai do meu coração.

Eu desconfio mesmo até,
Que Jesus está querendo,
Que eu propague a minha fé
Nas trovas que eu vou fazendo.

Que eu fale do amor divino
E da graça redentora,
Daquele Jesus menino
Que nasceu na manjedoura

E morreu crucificado
Para seu sangue lavar
A sujeira do pecado
Que ainda anda a grassar

Porque o homem se recusa
Tem pedra no coração,
Não deixa que Deus conduza
Cada passo, cada ação.

Por que será que é assim?
É tão difícil se crer
Num Deus que não terá fim,
Que nem teve de nascer?

Num Deus que manda o seu filho
Pra salvar a humanidade
Que ensina com tanto brilho
E desde a mais tenra idade

A verdadeira conduta,
O modo como se viva,
Sem que haja tanta disputa
E atitude tão nociva?

Eu fico sem entender
O que n’alma humana passa,
Pra recusar compreender
O ministério da Graça.


Raymundo de Salles Brasil





REJANE MACHADO

O PODER DA DOÇURA

           Quantos anos são passados? Vinte ou trinta? Talvez mais? Não importa, o que sei é que quando me ponho a revolver estes acontecidos dá-me a impressão de que foi ontem. Todos os muros temporais são derrubados, todas as barreiras caem. Vejo-me outra pessoa, muito jovem, outra personalidade; meu temperamento se altera- pensamentos se sucedem uns sobre os outros, quase ao mesmo tempo, o que é isto?- e me percebo entre o ontem e o agora, em busca de uma explicação razoável, mas, curiosamente eles não se confundem. Cada um é original e independente do outro, mas se encadeiam e me sinto no centro de todos. Vem chegando, aos poucos, e se adensa, uma bruma bem distante, de além do tempo. Ela me envolve e tudo muda ao meu redor. Estou cheia de energia e me sinto capaz de abraçar o mundo.
Caminho em círculos nesse presente que passou. As sensações são muito reais, muito vivas. Há um toque festivo de um misterioso sino, cujo som ecoa distante, e se propaga como num campo desértico, de dimensões fora do comum. Lembra-me uma das mais lindas melodias de Ketelby. E logo em seguida, lá está você. A pujança da sua juventude, seu olhar dominador, de cima da sua montaria. O animal não estava em calma, é um puro-sangue árabe, tornou-se indócil porque havia nele muita disposição para alcançar o final da estrada que leva ao sopé da montanha onde já não poderia correr, mas teria esgotada sua necessidade de exercício. O passeio foi curto, não o satisfez, e você lidava com a dificuldade de controlar seu ímpeto. Percebendo isto e observando seu esforço eu sugeri que você continuasse o exercício, satisfazendo a necessidade do animal, galopando até à encosta, felicitando-o na sua ânsia de liberdade. Fingi um desinteresse absoluto pelo rumo que você tomaria e voltei ao meu livro, sem enxergar nenhuma letra, sem compreender nada do que lia, as letras se embaralhando, não formando sentido algum.
      Talvez um pretexto para observar disfarçadamente este galante cavaleiro? Ou para conseguir um tempo para me refazer, uma vez que ele surgiu da bruma, tão de repente? Eu estava só, mas não solitária. Ao contrário, havia um mundo de seres à minha volta com suas dúvidas e suas angústias. Devido à perícia do narrador eu me colocara fora dos acontecimentos que se desenrolavam diante dos meus olhos, fazendo apenas julgamentos de valor e prestando atenção à técnica original da escritura- algo um tanto fora de moda, cheia de heranças barrocas, portadora, entretanto, de um certo interesse na sua trama complicada.
Eis que, trinta minutos decorridos está você de volta. Mas não vem diretamente a mim, entregou o animal ao cavalariço. Abriu a torneira sobre a cabeça, deixou que a água corresse, bebeu sofregamente alguns goles, tirou do bolso um pequeno pente e passou nos cabelos molhados. Observei tudo com muita discrição. Não queria mostrar minha ansiedade, procurei respirar calmamente, controlando as batidas do meu coração. Seu aspecto, após a cavalgada, era o de um menino que acabou de realizar uma aventura um tanto ousada.
-Posso falar com você? - os sinos recomeçaram na campina, leve aragem fez mover as folhas da árvore, uma desconhecida pétala de incógnita flor caiu sobre meu colo. Você me fizera uma pergunta, cabia-me responder. Dei-lhe toda minha atenção. Marquei sem pressa e cuidadosamente, a página que não lera. Teria que voltar mais tarde e reler as quatro ou cinco anteriores que apenas haviam passado sob meus olhos. Pousei o livro delicadamente ao lado da cesta de tricô, e olhei firme para você.
- Claro- respondi finalmente, após alguns segundos.
       Começou por sentar-se perto de mim, depois esticou-se a fio comprido no gramado e deixou-se ficar quieto por algum tempo. Não parecia ansioso ou preocupado. Procurei ajudá-lo: está muito cansado? Você escolheu o cavalo mais esperto de todos, essa raça é especial, agitada. Não tem andadura nenhuma, gosta só de galopar. Precisa ser treinado ainda! Por que não consultou antes, o rapaz? Para passear ele lhe teria sugerido um outro, poderia ser aquele...(como conseguira falar tanto de uma vez só, se praticamente nunca conversáramos nada até então que não fossem fórmulas de saudação e gentilezas que a boa convivência entre hóspedes exige?) Interrompeu-me, não queria exatamente falar sobre cavalos, e para encerrar o assunto, ficasse eu sabendo que ele escolhera muito bem, queria mesmo um animal fogoso, não lhe agradava outro, mais comportado. Animais e pessoas. Gostava de coisas e pessoas fortes. Levantou-se, ficou sentado de novo, inteiramente virado para mim.
-Por isso é que gosto de você.
Não esperara nunca ouvir tais palavras. Completamente surpreendida, não poderia imaginar que fizesse parte das atenções dele. Todas as moças da fazenda o disputavam. À noite, antes de dormir, conversávamos no grande quarto de quatro beliches, e cada uma pretendia ter uma história melhor para contar sobre ele: cumprimentara carinhosamente a uma, desejara saúde a outra que espirrara, apanhara gentilmente o lenço da terceira (só eu não tivera nada para contar). Mas não pedira nunca para falar com nenhuma. Eu teria que guardar este segredo. Provavelmente aquela entrevista não deveria estar sendo registrada- elas todas haviam ido á cidade, eu escolhera aquele recanto para ler, por causa da solidão e tranquilidade do ambiente, rota inabitual de empregados e servidores.
Não respondi. Procurei abafar a comoção aguardando. Fazendo de contas ser uma coisa muito natural que um rapaz tão disputado por tão encantadoras moças, escolhesse justamente a mais tímida delas, a mais modesta, a mais desinteressante. Mas não podia negar que aquilo vinha abalar a minha fortaleza.  Pensava nele em todos os momentos, desde que o conhecera numa festa no ano passado, naquela mesma fazenda do seu tio, onde passava férias,   juntamente com outros membros da família e convidados do anfitrião. Tio Anselmo tinha necessidade de muita gente ao seu redor.
. Não poderia, agora, recuperar todo o teor da conversação. Falamos de livros, de poesia, de música, de viagens. Ele me olhava com muito interesse, mas suas palavras eram somente gentis, não comprometedoras, por isso eu estava confusa, mas feliz ao mesmo tempo.  Talvez esperasse ouvir galanteios, elogios, como era comum em tais situações, mas não me deixar levar pelas impressões enganosas que o coração abriga. Cabia-me esperar. Não mostrar, jamais, minha ansiedade.
Analisava friamente. Ele dissera que queria falar, conversar comigo. Conversar e não fazer alguma declaração. Dissera também gostar de mim, da minha fortaleza (em que se baseava para encontrar fortaleza neste frágil coração?). Não tinha elementos para atribuir segunda intenção àquela simples entrevista, portanto não deveria me vangloriar.
De lá percebi o carro na estrada, ao longe. Em dez ou quinze minutos as gralhas encheriam o espaço com a sua algazarra e paz se acabaria
-Acho que vou indo- murmurei timidamente. Você não insistiu, agradeceu pela boa companhia (foi o que falou) e voltou a esticar-se no gramado, imóvel. Quando o carro entrasse no pátio eu já estaria tomando o meu banho da tarde, e ninguém poderia ler nos meus olhos a emoção vivida naquela tarde que agora recordava com todo fervor.
Foi muito tempo depois disso. Ao entrar no avião percebi que não havia como me livrar de um cavalheiro alto e cheio de pacotes que vinha correndo em direção contrária, e quase me derrubou. Você. Uma das minhas sacolas se abriu e livros se espalharam pelo chão. Quase batemos as cabeças, o que nos divertiu, quando, após as desculpas iniciais nos reconhecemos. Você errou o portão de embarque e voltava, aflito, quando ouviu o alto-falante fazer a última chamada de passageiros. Não sei porque naquele momento me lembrei do cavalo impaciente que você montava naquele dia na fazenda durante as nossas férias e da imensa frustração que senti, naquela distante manhã seguinte, quando vi da minha janela o taxi que o esperava diante do alpendre levá-lo embora sem se despedir de mim. Eu lhe parecera tão indiferente que você desistiu de me procurar outra vez, achando que não teria chance. E não ficou sabendo que eu senti tanto a sua falta!
Viajava a negócios da firma, e achei melhor desistir do curso que ia fazer. Não podia desperdiçar a chance que o destino me concedia pela segunda vez na vida. E optei por acompanhá-lo, descobrindo ao seu lado todas as doçuras da vida
Voltamos, muitas vezes à fazenda. Nossos filhos quase foram criados naquele antigo casarão, tão acolhedor, com suas varandas perfumadas em meio à garridice dos pássaros. E sempre recordávamos aquela primeira entrevista que nos deixou tão ansiosos. Passávamos lá todas as férias, fazíamos longas caminhadas e líamos, enquanto os pequenos corriam pelos campos, suas risadas chegando até nós. Nem sentimos o tempo passar, não foi mesmo? Até que um dia Marcos se formou em Medicina e foi trabalhar tão longe de nós. Mirthes, adulta, com uma bela carreira iniciada, encontrou a outra metade da sua alma e também nos deixou.
Daqui deste segundo andar eu o vi chegar, muitas vezes, cansado e faminto de suas cavalgadas. Trazia muitas histórias para mim, nunca esquecia de um ramo de flores, buscava meus olhos para tranquilizar-se. Até que um dia você não voltou sozinho. Dois homens o traziam e seus olhos estavam fechados para a casa, para mim e para todas as doçuras da vida. Esse retrato que olho e com quem falo não é você, meu amor. É apenas uma representação muito simples do belo homem que sempre foi.
Estive fazendo umas contas, sabe? Não imaginei que resistisse tanto tempo sem você. Custei muito a sair daquela depressão, foram anos e anos em que o mundo parou inutilmente à espera dos meus sinais de vitalidade. Como sofreram aqueles pobres queridos seres, como tentaram me interessar nas coisas do mundo. Viagens? Não precisava delas Dentro de mim estavam vivas todas as paisagens que descortinamos juntos, a ressonância de todos os espetáculos que assistimos, numa quadra feliz da nossa juventude. Teatros, cinemas? Todos os dramas que vivenciamos estão atualizados dentro da minha memória. Conservei o gosto pelas melodias que amávamos, o que funcionou como um fundo musical para o nosso dia-a-dia. Há pouco quando a última nota da canção que você tanto amava- No jardim de um mosteiro, lembra?- se extinguiu, o silêncio absoluto me fez voltar aos nossos belos dias. E ouvi de novo aquele sino na campina.
Então, para que sair, ficar longe das nossas raízes? Se nada teria sentido sem a sua companhia?
Ouço um galopar nervoso. Vejo daqui um garboso cavaleiro que chega, me sorri, me envia beijos com a ponta dos dedos. Olho-o encantada, que bela figura!  O mesmo porte elegante aprumado em cima do cavalo inquieto que não admite parar. Chama-me, deseja mostrar-me o pôr do Sol à beira do lago. Sim, querido, vou, deixe-me somente procurar um chapeuzinho, aquele. Que você tanto gostava, para ficar mais bonita para você Porque o sol está ainda um pouco forte, embora Vesper já se faça notar neste céu tão sem nuvens...


Rejane Machado



RICARDO DE BENEDICTIS

FELIZ NATAL! 

Eu creio que Papai Noel
É Anjo grande, no Céu...
Que visita as crianças
E renova as esperanças
De um melhor Novo Ano...

Que o Ano Novo seja Bom,
Muito presente, bom-bom
Pra alegrar a criançada
Que faz a sua alvorada...
Pra os adultos, novo plano...

Ver a vida com mais amor
Esquecer a mágoa, a dor,
Que acumulou no passado,
Entrar no Ano Novo preparado
Pra viver melhor, sem vaidade...

Pensar que somos passageiros
Que Deus nos fez Seus companheiros...
Que nesta Festa de Natal
Vejamos a Todos por Igual...
... Esta é a Nossa Oportunidade!...


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O NATAL É UMA FESTA TRISTE

As noites da véspera do Natal, quando verdadeiramente se comemora o nascimento de Jesus, é uma ocasião revestida de sentimentos opostos: alegria e tristeza. 

A alegria vem na hora de dar e receber presentes, confraternizar com os entes queridos, a hora da ceia e o álcool representado em vinhos e cervejas.
A nostalgia se instala naqueles que já perderam seus pais e não conseguem esquecer a infância, quando iam dormir cedo na esperança de que o ‘Papai Noel’ aparecesse e colocasse o presente que pediu sobre ou junto ao seu sapato. Uns que sequer conheceram os pais ou conheceram mãe ou pai, ou simplesmente ficaram órfãos ainda pequenos, outros que cresceram em orfanatos, sem família e outros que se perderam pelos caminhos da vida. A verdade é uma só: o Natal é uma festa nostálgica, mesmo em se comemorando o nascimento de Jesus. 
O Natal consegue ser uma festa que se equipara à sexta-feira santa dos nossos tempos de meninos.  Tudo o que falo, entretanto, diz respeito aos mais velhos, não às crianças que, embaladas pela chegada do ‘Papai Noel’, pouco estão se lixando para o fato de que ‘a vaca tussa’! Assim, o Natal é uma festa diferente da passagem para o Ano Novo, quando as esperanças se renovam, novos planos são arquitetados, namoros, noivados e casamentos são contratados, viagens e entretenimentos são planejados e até realizados durante o reveillon.
Lembro-me bem da figura da minha mãe e os cuidados para que todos os filhos recebessem seu presente de Natal, independente da roupa e sapatos novos que o pai nos dava a todos, na semana anterior da festa: todos tínhamos que estar bem vestidos para comemorar o Natal. Naquele tempo não comprávamos roupas prontas. Cada família tinha seu alfaiate e sua costureira, para atenderem a demanda de vestuário dos pais, dos filhos e dos empregados da casa. Era realmente uma festa diferente da atual, numa época em que não se ligava o rádio para não atrapalhar os festejos; no máximo, uma música na vitrola, em baixo volume, servia como fundo musical para a família. Dá saudade, a ceia natalina servida à meia-noite, a mesa posta o tempo todo com sem número de iguarias, desde a rabanada, a doces maravilhosos, alguns poucos visitantes que eram, na maioria, parentes ou amigos muito íntimos. E a festa parava à meia-noite para que as crianças fossem dormir e esperar o bom velhinho.
Sei que a muitas crianças não foi dado o direito de sonhar com o Papai Noel. Sempre houve pobreza, classe média e riqueza. Entretanto, a solidariedade humana aflorava nestas ocasiões. De qualquer sorte, imagine, caro leitor, alguém que nunca teve uma família, compreender e festejar com espírito natalino o nascimento do menino Jesus.
Para os que, como eu, tiveram uma família bem estruturada, o Natal é uma festa triste. Pela falta do meu pai, da minha mãe, da velhinha Loló que ajudou minha mãe a nos criar, dos nossos irmãos e irmãs que já se foram, dos parentes mais próximos, dos amigos de infância que nos deixaram e dos amigos que fomos encontrando pela vida e que também nos deixaram neste vazio do Natal, que é o somatório de todas estas perdas. Por isso, considero o Natal uma festa muito triste e de aflorar a saudade.
Mesmo assim, com tanta nostalgia, desejo a toda à humanidade um Feliz Natal!


Ricardo De Benedictis
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_r/Ricardo_Benedictis.htm



RITA ROCHA
Santo Antônio de Pádua (RJ) - Brasil

NATAL

O Natal já vem chegando
com toda sua magia,
e a cidade, se enfeitando,
faz que eu veja a poesia.

Das árvores rebrilhando,
uma nova luz irradia;
felicidade aflorando
com um quê de simpatia.

A meninada cantando
"Noite Feliz" com harmonia,
tendo terminado o canto,
reza alegre a Ave-Maria!

No presépio, vão louvando
São José, Virgem Maria,
mas o "filho" está faltando:
é Jesus, na estrebaria.

Meia noite anunciando
entre nós a estrela-guia,
Deus Menino vem voando
acender nossa alegria!

Rita Rocha


 


RÔ LOPES

INCOERÊNCIA

Um jovem na varanda
Divagava olhando quintal
Viu chegar de surpresa
Uma linda árvore de natal

Olhar brilhante
Recebeu-a como menestrel
Enlaçou outro chegante
Era o bom velhinho
Papai Noel

Acomodada árvore e Noel
O jovem estava contente
Bateram a porta
Ele abriu deslumbrado
Estendendo a mão ao Presente

Acolheu o que tinha vindo
Insana prosopopeia
Com adornos natalinos.
Bate novamente a porta
É a ceia

Anoiteceu...
Tudo tornou festa
Pessoas chegando
Buscando um lugar
Luzes coloridas a brilhar
Nada a mais desejar

Meia-noite!

Um barulho a porta
O jovem vai atender
...
Um casal uma criança
Não tinha o que comer
Nos olhos(?) Esperança.

Alegando acomodação
O jovem negou acolhida
...
Hospedou árvore
Noel, luzes, ceia
Tudo que egoísmo consome
Esqueceu a fraternidade
Mandou voltasse outro dia
Não importando com a fome

Incoerência

Nada recebeu...
Não tinha ali o principal
O Amor (Jesus)
Verdadeiro sentido do Natal.


Rô Lopes



RUI DE OLIVEIRA LIMA

NATAL

Natal,  tempo de renovação,
E de esperança.
Tempo de solidariedade,
E lembrança.

Tempo de ter, sem ter.
Ser, sem ser.
Tudo em nome da paz,
E da felicidade.

A arte de abrir sorrisos.
Da magia, também chamada de harmonia.
Natal quer-se que seja tudo de bem,
Da paz, e da alegria.

Rui de Oliveira Lima © 2015

 

SÁ DE FREITAS
Avaré (SP) - Brasil


MANJEDOURA

Nasceu o Rei dos reis nas palhas... Que humildade!
Maria - a Mãe das mães - contempla-O embevecida,
Pois sabe que ali está, da humanidade,
O Caminho, a Verdade, a Salvação e a Vida.

Trouxeram-Lhe presentes, Magos do Oriente;
Os Anjos entoaram cantos de louvor;
A Estrela-Guia fez-se bem mais reluzente,
E o mundo recebeu o hálito do Amor.

Hoje, de mais de dois milênios idos,
Vibram-se os corações em preces, comovidos,
E o amor, em cada alma, vigoroso cresce.

E se não temos mais Incenso, Mirra e Ouro,
Podemos Lhe ofertar nosso maior tesouro,
Em forma de auxílio àquele que perece.

Sá de Freitas
 Samuel Freitas de Oliveira

 

SARITA BARROS

NATAL SONHO

Cantei hino de fé
também um de louvor
em honra de siá Maria
e querubim que nascia
O anjinho deitado ali
entre palhas e poeira
rebrilhava qual estrela
em noite fria de julho
Os pais em adoração
nem perceberam os reis
muito menos os pastores
mas ouviram o mugido
da vaquinha presepeira
e sentiram a lambida
do burrico peregrino
Sem mais caí de joelhos
somente o menino viu
sorriu-me graça e perdão
Floriu-se meu coração

Sarita Barros




SONIA NOGUEIRA

NATAL, UM QUADRO VIVO

          Uma sena inusitada. Embaixo da árvore, na praça, o olhar captou a sena seguida por alguns minutos. Um senhor esquelético, só osso. A carne parecia que não existia sob a pele queimada. Varrendo o local. Tudo arrumadinho. Uma caixa, talvez contendo míseros mantimentos adquiridos com as moedas extraídas dos passantes, algumas molambos encardidos, uma criança de cara suja, uma mulher sorridente, um cachorro.
          A mulher sorridente sim! Nunca vira mulher sorrir na miséria! Mulheres atiradas ao destino têm rosto áspero, olhar de ódio faiscando á uma simples palavra de desagrado. Mas vi-a sorrindo quando lhe atiraram uma cédula, eu não sei a quantia, seria talvez de uma quantia nunca recebida e daria para uma noite de natal, uma só noite, que valia por uma noite apenas, mas valia. Amanhã o mesmo ódio se instalaria no rosto de desengano com a vida.
          Somente o cachorro criara carne e estava roliço. Na praça, os restos de comida jogados ao chão era banquete de qualidade para um vira lata, pequenino ainda.
          Quase dez horas de perigo em qualquer praça, mesmo em bairro residencial. Ao redor casas iluminadas, cadeiras nos jardins, entram e saem amigos. Clima de festa.
          A sobrinha desceu para pegar iguarias encomendadas, na confeiteira. O olhar deu um giro ao redor. Na quadra havia jogos mal conservados, carrinho de pipoqueiro, guarnecido por cadeado, rede elástica, onde crianças pulavam, aguardando o próximo desafio.
          Vi uma lapinha natural sem luzes ofuscando, presentes caros, bolinhas coloridas imagens de santos e animais adorando o Jesus Menino.
          Fixei o olhar na sena ao lado: uma lona velha cobria a pequena árvore contra o sereno da noite. O cachorro deitado olhando atento para sua dona, a criança, dormindo em molambos à luz de lamparina, luz que apaga as trevas, a fumaça para espantar mosquitos era como incenso ofertado ao Jesus Menino.
          Mas estava lá, a lapinha, no desejo oculto, sem poder de sofisticação. Foi aí, neste recurso natural, que vi por instinto, para não apagar e perpetuar a história uma lapinha natural. Os pais sentados no chão, guardiões da filha. Pintei uma lapinha, um quadro vivo no Natal.

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A LAPINHA NO NATAL

Na lembrança da criança a lapinha.
Vi o menino na manjedoura viva,
a mãe olhava com imensa ternura
e prostrado, José, no bafo a vaquinha.

Vieram os magos pastores a procura
seguindo a estrela que os guiava.
Traziam presentes para o menino
enquanto o silêncio os levava.

Gaspar, o moreno, trazia Mirra,
fragrância de natureza, armistício.
Melquior, o branco, ouro imortal.
Baltazar, o negro, incenso, sacrifício.

Na gruta o vento soprava sombrio.
A estrela parou, a luz deu sinal,
o canto de Hosana no corpo frio
o bafo dos animais aquecia o local.

Sonhei com a cena a lágrima caía
da humildade dos abandonados,
a mente valeu-se da hora agonia
do sacrifício, da posteridade.

Na glória lenta veio à ressurreição
o menino sorria por trás da cortina
e fez-se homem, plantou no coração
amor, perdão, fraternidade, sina.


Sonia Nogueira
http://www.caestamosnos.org/Autores/Sonia_Nogueira/








SUELI DO ESPÍRITO SANTO

O NATAL SERÁ MAIS NATAL

Quando nossos sonhos se tornarem vidas
com gregos e troianos, todos triunfando
o mágico tempo curando as antigas feridas,
a alegria vem e no coração vai morando.

Quando as religiões cumprirem seu o papel
bruxos e magos não serão mais necessários
somente os anjos do Senhor lá do alto céu
serão os nossos únicos e divinos emissários.

Quando o amor não ser apenas palavras ditas
e  for sentido e gravado em todos corações
livre, puro, externado com atitudes benditas
viveremos a mais bela das confraternizações.

Sueli do Espírito Santo






TÂNIA REGINA FÁTIMA TONELLI
 São Carlos (SP) – Brasil

A MÁGIA DO NATAL
  


            Quando eu era pequena a minha mãe falava que no Natal nasceu Jesus Cristo. A sua mãe chama-se Maria, o pai adotivo José.
Para o Natal enfeitamos as nossas casas com a árvore de Natal, pois durante a madrugada desta noite o Papai Noel deixará neste local os nossos presentes. O Papai Noel é uma figura Natalina que incentiva as pessoas a presentearem os seus entes queridos.
Agora direi com algumas palavras o significado do Natal:
A mais de 2.000 anos nasceu na cidade de Belém, Jesus Cristo, o Filho de Deus.
A presença deste homem mudou a história da humanidade.
A única arma usada por Jesus Cristo é o amor.
Ele foi bondoso, acolheu os pecadores, prostitutas, doentes, crianças, mulheres desamparadas...
Mas os seus ensinamentos e a sua bondade incomodaram os poderosos.
Eles caluniaram Jesus Cristo, o condenaram a morte, crucificando-o.
A bondade de Jesus Cristo foi infinita, pois perdoou os homens que o crucificaram e o criminoso que arrependeu-se dos seus crimes.
Jesus Cristo triunfou sobre a morte, Ele ressuscitou no terceiro dia.
Natal significa vida, amor e felicidade.
A vida está presente em todos os seres vivos.
Existe amor nas nossas famílias, nos casais apaixonados, nas crianças.
As crianças representam a pureza do amor.
A felicidade está presente nas nossas boas ações.
No nosso desejo de construirmos um mundo mais justo e fraterno.
No dia 25 de dezembro somos envolvidos pela magia do Natal, acreditamos no amor.
Ficamos fascinados com o nascimento de Jesus Cristo, um recém-nascido que transmite amor, bondade e fraternidade.


Tânia Regina Fátima Tonelli





THAIS ARRIGHI 

NATAL

Natal dia de festa
Dia de luz... Alegria
Reunião familiar
Dia do perdão
Dia de União!
Mas a maioria
Esquece do maior
Acontecimento a comemorar
O nascimento de quem veio
Apenas para nos salvar!
Jesus nasceu... Jesus cresceu...
Sofreu e morreu por todos nós
Portanto em meio à alegria e
Do banquete... Vamos brindar...
A vinda daquele que esta entre nós
E que apenas veio para nos Salvar!

Thais Arrighi 
Dezembro 2015




TRISTÃO ALENCAR PEREIRA OLEIRO

NATALIDADES

          Podia ser visto somente uma parte do aposento, um leito modesto e pouco iluminado, uma criatura moribunda, pálida e semi desfalecida. Ao redor deste leito de dor ocupavam lugar dois meninos que atentamente não tiravam o olhar da face daquela senhora acometida por tuberculose em último grau. Era sua mãe.

Naquela noite a febre aumentou tanto que as forças para tossir já não existiam. A cada minuto o quadro clínico se agravava e as esperanças tornavam-se cada vez mais escassas. O médico a cabeceira controlava a pressão arterial e a temperatura da doente, mas sentia que seu trabalho não respondia aos seus anseios de recuperação.
Lúgubre retrato do sofrimento e do desatino que levava aquelas crianças ao desespero pela provável perda de sua querida mãezinha. Ninguém pode imaginar a imensa dor que sentiam.
Já alta ia à madrugada quando veio a tão temida, embora esperada, notícia:
- Sua mãe acaba de falecer. Pêsames, disse-lhes o médico.
Chorar é a materialização do sentimento de perda, mas, pouco resolveria e nada mudaria o que a vida havia determinado para aquele dia.
Era 25 de dezembro, dia de Natal!
Lembraram dos Natais que passaram juntos desfrutando do amor e dos afagos que sua carinhosa mãezinha proporcionava-lhes, mesmo sem o luxo dos caros presentes, mas, com o verdadeiro espírito natalino da fraternidade. Sempre receberam o calor maternal nas noites de Natal. Nunca tiveram mais do que recebiam e por isso distribuíam a mesma fraternidade em retribuição.
A mãe, sempre sofrida, trabalhava para prover o sustento dos filhos, nunca recebera um momento sequer de plena alegria e felicidade para repousar de tantas árduas tarefas que realizava.
Deixaram seus pensamentos de lado e como se num passe de mágica o aposento se iluminou com uma radiosa luz e dela apareceu-lhes um lindo anjo dos céus dizendo-lhes:
- Meus filhos, sei de suas tristezas pelo acaba que de acontecer, mas, embora nada possa consolá-los, trago uma mensagem divina para ser refletida: “Nesta noite sua mãe renasceu no Paraíso ao lado do Supremo Criador de todos os mundos. Deixou esta vida passageira para desfrutar da vida eterna. Os céus estão em festa pelo resgate desta alma tão dedicada e caridosa que desencarnou neste dia. Com a mesma pureza e carinho, ela continuará a dar-lhes atenção por meio das centelhas de luz que semeará em seus caminhos para facilitar e iluminar suas trajetórias ajudando-lhes a superar suas dificuldades. Creia nela e em Deus e terão todas as Graças dos Céus”.
Neste momento o aposento voltou a realidade da penumbra em que se encontrava, mas, os dois meninos, ainda atônitos com o que presenciaram, abriram a janela daquele quarto ainda impregnado de energia e perfume e olhando para o firmamento deslumbraram-se com o brilho nunca visto de um radiante astro faiscando raios multicolores transmitindo-lhes um alento de paz, que, penetrando seus corações permitiu-lhes adormecer resignados em seus sonhos. Muitas vezes nos queixamos de poucas coisas que nos acontecem e não mensuramos a dor dos nossos irmãos como se fôssemos o centro do universo. Resignamo-nos neste Natal e rogamos ao Criador suas Divinas bênçãos para que tragam entendimento e paz aos nossos corações.



Tristão Alencar Pereira Oleiro





VANDA FERREIRA
Campo Grande (Mato Grosso do Sul) – Brasil

INDO PARA O NATAL

Andar é a chama da vida. Tipo a tocha que simboliza as olimpíadas, é a significância da atividade “caminhar” que inflama o processo de vida humana.
Andamos pra onde? Para um evento? Para um lugar? Por que andamos? Para levar ou buscar algo? Qual é o propósito? Caminhamos para o encontro, o distanciamento ou a aproximação?
O mundo é mantido por andanças. A vida se faz de andanças (no plural, mesmo). Confesso que certa confusão se estabelece quanto ao motivo pelo qual andamos. Seria por motivo desprezível ou desimportante? Interessa a razão ou andar é a razão?
Não importa uma caminhada isolada, mas a soma de caminhadas que realizamos. Importa andar, simplesmente andar. É indispensável andar a pé. Caminhar promove inumeráveis benefícios, em especial a manutenção da vida pessoal do andante, porque viver é surpreender-se nas esquinas da vida, é movimentar-se esbarrando no desconhecido, nas verdades mascaradas, na simulação de intimidade que divide o mesmo ambiente real com o público de estranhos, cujas centenas de pessoas nunca vimos e provavelmente não mais as veremos.
Andança justifica a razão da existência de calçada. O processo de urbanização se resume na construção de corredores específicos para a passagem dos andantes. Calçadas formam o ápice da urbanidade. A urbanização iria a óbito se não fossem estes tapetes públicos construídos com exclusividade para pedestres. É na calçada da rua que mora o movimento, que pulsa o povo. Nas calçadas se fazem as histórias, corre o dinheiro, a moda, a mistura, a igualdade, a ordem ou desordem.
É na calçada da rua que caminhamos abraçados à falsa ilusão de estarmos em meio a estranhos, afinal na calçada uma comunidade partilha entusiasmo ou tristeza, fome, sede, promessas. Falsa ilusão porque na calçada respirando o mesmo ar, protagonizamos as escrituras de um povo, figuramos ou escrevemos a história das calçadas por onde passamos.
Indo e voltando, percorremos, por diferentes necessidades, a mesma calçada. Retornamos à mesma rua, refazemos caminhos usando das duas vias da mesma calçada, e, inevitavelmente, nos tornamos diferentes, desvalidos ou engrandecidos de pensamentos e decisões.
Calçadas são passagens comunitárias, pedaços de lembranças coletivas, descartados trechos de um longa-metragem sem fim, produtora de um seriado municipal que nunca será exibido.
Caminho observando o ritmo meu e dos demais caminhantes, respectivos protagonistas da calçada. Andamos olhando para algo, para dentro, para fora, para o passado ou o futuro. Carregamos os sonhos, os desejos, a esperança. Carregamos as dores das contenções de prazeres guardados para a substituição por julgamento da covardia. Carregamos as economias feitas à custa de dissabores, de um calendário particular que adia alegria, planeja futuro ou descarta o hoje.
Na rua leio pessoas que aparentemente andam como se não fossem a lugar algum. Umas vão outras vem, ninguém para. Ninguém permanece em certo lugar, vão e vêm, simplesmente andam.
Realmente as aparências enganam. Eis que finda o ano e me junto à caminhada em massa, à plena atividade comunitária, me junto aos demais andantes, me integro ao povoamento das calçadas em período natalino e descubro, sobre a avalanche que superlota as ruas com crianças, jovens, adultos, idosos, ricos e pobres, que caminhamos para chegar ao Natal.
É isto. Vamos para o Natal como se este fosse um lugar muito longe, e para lá chegarmos, empreendemos esforços, trilhamos árdua estrada, dispomos de investimentos excepcionais e arrastamos bagagem farta. O movimento intenso de andança é a viagem em massa para o local onde estará o Natal, que é lapso de tempo, se adianta para além de trezentos e sessenta e cinco dias. Então, concluo que o caminho para o Natal só tem ida.
Não se trilha o mesmo espaço, o mesmo longo caminho para voltar do Natal. O Natal fica longe e quando lá chegamos, ele passa, segue para a lonjura de fatais doze meses, e, inconscientemente, iniciamos o novo longo ciclo de andança para o próximo Natal, que fugirá imediatamente ao ser reencontrado após absolutos doze meses. Ufa, que encontremos o Natal Feliz!

Vanda Ferreira




WILSON DE OLIVEIRA JASA
São Paulo - Brasil

BOAS FESTAS!

 

Wilson de Oliveira Jasa



YNA BETA
Rio de Janeiro - Brasil

É NATAL...


É Natal !
Para uns, alegria, para outros; tristeza, melancolia...
Alegria: por estar comemorando um abençoado dia com o coração e a alma
em estado de graça, feliz.
Tristeza: por sentir saudades de pessoas que sabemos não poder estar fisicamente,
mas sim, espiritualmente.
É Natal !!!
Mais um ano que se comemora o nascimento do menino Jesus.
É Natal !!!
Mais um motivo para juntarmos familiares e vivermos os momentos de
êxtase e felicidades ao lado de irmãos, pais, primos, avós, filhos, netos...
É o momento de agradecermos ao aniversariante esse mágico instante.
É Natal !!!
É luz, estrelas a brilhar, é amor...
Quando percebemos os olhares brilhantes das crianças entregando ou recebendo
os seus presentes, a beleza e o encanto que transmitem,
magnetizam e encantam na inocência dos seus gestos.
Saudades... Saudades de um Natal mais completo, mais vivo, colorido, intenso.
É Natal !!!
Que a estrela guia nos oriente e nos conduza ao portal da Felicidade,
do Amor fraternal puro e belo.
É Natal !!!


¨¨¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨  ¨¨¨¨¨¨ 

FELIZ NATAL...

O brilho intenso de seus olhares denunciam a ansiedade
dos momentos que ainda restavam para que todos pudessem ser
chamados  para receber e darem suas lembrancinhas,
os abraços calorosos, os beijos afetuosos.
Afinal, é o dia mais esperado do ano, depois da data do
Aniversário, mas é aniversário também, lembram?
E que festa! E que aniversariante poderoso!
De uma alegria contagiante com muita beleza, luz, paz,
Confraternização e fartura.
A família toda ali: Felizes e risonhas.
Nesse aniversário, não pode haver tristeza, choro...
Apesar de muitos corações estarem transbordantes de saudades.
Saudades sim, a turma está incompleta, hã... Mas está presente, sinta...
Veja... Preste atenção nas conversas, nos risos, nas piadas,
nas lembranças, fotos, brincadeiras...
Veja aquela foto, lembrou? Que lugar lindo.!
Que tempo adorável!
E a saudades dói... Dói  fundo... Machuca o peito.
As lágrimas afloram, como uma fonte recebendo uma chuva torrencial,
Que vai lavando pouco a pouco a tristeza do momento.
Desperto  e disfarço, estendendo as mãos que me procuram
aos gritos de : Vem vovó... Vem!!!

Feliz Natal!!!

Yna Beta




ZZCOUTO
Rio de Janeiro - Brasil

NATAL DE JESUS!

Jesus, em seu eterno amor,
nos criou à Sua imagem e semelhança,
assim, temos uma origem humana e divina.
Vivemos e existimos no tempo, mas o sonho
e a vocação maior é a eternidade.

Entretanto, Jesus ontem, hoje e sempre,
espera pela disponibilidade de cada um de nós.
Espera ser acolhido em nossa vida,
família e sociedade, como espera ser reconhecido
em todas as pessoas que sofrem necessidades
materiais e espirituais.

Particularmente espera ser acolhido na presença
das milhões de crianças abandonadas pelo mundo.
É sempre bom saber e lembrar que a celebração
do verdadeiro Natal pede a abertura
e o acolhimento de Deus e dos irmãos.

A cada um e a todos, bem como seus
familiares, um Feliz e Santo Natal
e um abençoado Ano Novo.

ZzCouto®
RJ - Dez/2015
http://www.caestamosnos.org/autores/autores_m/Maria_Jose_S_R_Couto-ZzCouto.htm